Para combater a discriminação contra as vítimas do HIV, campeonatos de futebol feminino ganham força no Zimbábue

O futebol ajuda mulheres africanas a lidar com
o HIV
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O futebol ajuda mulheres africanas a lidar com o HIV
Se o futebol é o esporte com mais admiradores e praticantes no mundo inteiro, as mulheres soropositivas do Zimbábue não poderiam ficar de fora. O país, situado ao sul da África, sofre com um alto índice de infecção pelo vírus HIV, mas para combater os aspectos negativos sociais que as portadoras da doença enfrentam, um campeonato que já conta com 16 times femininos foi criado em dezembro do ano passado – e se torna cada vez mais popular.

O ARV Swallows é uma equipe da capital do país, Harare, e já ganhou três campeonatos. O nome da equipe surgiu do tratamento anti-retroviral usado pelos soropostivos. Segundo afirmou a jogadora Janet Mpalume ao kubatana.net, comunidade online para ativistas zimbabuenses, é com ele que elas conseguem força para entrar no jogo. Já a coragem é somente delas.

Embora o projeto tenha sido visto, a princípio, com alguma resistência por parte da comunidade, hoje a proposta é mais respeitada. Com HIV diagnosticado em 2001, a jogadora Merian Kabudura, também do ARV Swallows, informou à BBC Sports que as pessoas, anteriormente, riam delas por não conseguirem nem chutar a bola apropriadamente, mas quando levaram o primeiro troféu a Epworth (cidade no subúrbio da capital), começaram a ser levadas a sério.

Por enquanto, ainda falta um longo caminho a ser percorrido para que a discriminação contra pessoas soropositivas diminua, mas iniciativas como esta representam um grande passo. A companhia local de petróleo, Ekhaya Petroleum, patrocina o campeonato e premiou as primeiras ganhadoras do troféu com dois mil dólares. Por ações como esta e pela intenção dos torneios, o coordenador do projeto Chris Sambo já procura atingir outros países. Enquanto isso ainda não acontece, se contenta: “O mais importante é ver essas pessoas envolvidas num esporte como o futebol, que lhes dá a oportunidade para se exercitar como requerem os médicos”, conta, em entrevista para o site allafrica.com.

Com apoio recebido de vários setores da comunidade, Sambo busca o aumento de público para os campeonatos, para que cada vez mais pessoas possam ver o que mulheres soropositivas podem fazer, combatendo cada vez mais o estigma que a AIDS traz. Dentro do campo, as jogadoras demonstram a empolgação de estarem envolvidas no que pode ser um incentivo a outros infectados pela doença. “Costumavam nos chamar de ‘aquelas mulheres com HIV’, mas uma semana se passou e se esqueceram disso. Agora apenas se referem a nós como ‘mulheres do futebol’”, confirma Janet Mpalume, que acredita na força do futebol nesta batalha.

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