Monjas tibetanas exiladas lutam por uma educação igual a dos homens

A documentarista se impressionou com a força das mulheres que vivem longe de seu país, sem nenhum tipo de vaidade
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A documentarista se impressionou com a força das mulheres que vivem longe de seu país, sem nenhum tipo de vaidade
A máxima de que as mulheres são o sexo frágil há muito deixou de ser verdade. Poder de superação é o que não falta a elas, esteja onde estiverem. E na história das monjas tibetanas a situação não é diferente.

A produtora Cláudia Fernandes, 25, que passou 50 dias em Dharamsala, na Índia, produzindo um documentário sobre um projeto de ajuda humanitária às monjas que fogem do Tibete, o TNP (Tibetan Nuns Project).

Cláudia ficou impressionada com a força dessas mulheres, que vivem longe de seu país sem nenhum tipo de vaidade (raspam a cabeça em sinal de desprendimento) e passam a maior parte do tempo estudando. “Ver a força delas foi algo muito tocante. Agora, sempre que tenho uma dificuldade ou problema emocional penso em cada uma daquelas mulheres e acho que tudo que passo é muito pequeno”, diz.

Impreterivelmente, as monjas começam e terminam o seu dia orando e meditando. Depois, dividem-se entre os estudos e os cuidados com os monastérios. E, quando estudam, concentram-se muito. No currículo, estão história e língua tibetana, matemática fundamental, inglês, hindu e, aos poucos, são ensinadas outras matérias da área de filosofia e ciências sociais. A religião budista também é ensinada, mas, nesse caso, os professores são homens porque ainda não há mulheres que podem ser professoras de religião, já que nunca houve um sistema de educação para monjas.

Em depoimento no documentário de Cláudia, Miss Rinchen Khando, diretora do TNP, diz claramente qual é o grande objetivo de todo esse trabalho de educação. “Aos poucos, quando as monjas puderem fazer os exames, poderão se tornar professoras. E eu espero que elas possam ir a todos os monastérios femininos e tomar o lugar dos professores homens”.

Esse é também o desejo das próprias monjas. No depoimento mais emocionante do documentário, a monja Phunktok Tendon diz, entre lágrimas: “Penso que é nossa responsabilidade ensinar o que aprendemos aqui no exílio quando retornarmos ao Tibete, após ganharmos nossa justa e legítima independência”.

O grande problema é que esta independência parece não ter data para acontecer. Até hoje monjas fogem do Tibete para Dharamsala, onde fica o governo tibetano no exílio. Enquanto isso, essas mulheres levam uma vida que é conduzida por um fio de esperança no fim da dominação chinesa e na conquista gradual de uma educação igual a dos homens.

Manter as tradições e os costumes estando longe do seu país de origem e de muitos familiares é um desafio. Porém, Miss Rinchen é capaz de encontrar um lado bom nessa distância forçada. “Penso que em muitos aspectos é mais fácil introduzir um novo sistema no exílio do que em um país velho, onde tradições são antigas e governadas por muitas pessoas ortodoxas”.

Com dois monastérios próprios e oferecendo ajuda a mais quatro, e também a monjas que vivem isoladas, o TNP depende de ajuda para sobreviver. Pelo sistema de apadrinhamento de monjas, as pessoas doam 360 dólares americanos por ano, que são usados na assistência geral como comida, medicamentos, cama, cobertores e afins. Também há a possibilidade de apadrinhar um professor. Nesse caso, eles auxiliam no pagamento do salário com a doação de 1.500 dólares por ano.

Lá dentro, as monjas fazem bonecas, mandalas e outros objetos que são vendidos. Porém, a renda desse trabalho ainda é muito pequena.

A verdade é que o motor do TNP são mulheres determinadas e cheias de esperança, que não veem a hora de retornar ao seu país carregando na bagagem a conquista por uma educação melhor. Enquanto isso não acontece, elas comemoram a simples existência e sobrevivência de um projeto construído através da força e da compaixão de mulheres tibetanas.

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