Apesar de estarmos dominando cada vez mais o mercado de trabalho, ainda ganhamos menos do que eles

No Brasil, as mulheres ocupam apenas 9,4% dos 
cargos legislativos, 35% dos de alto escal?o 
e 53% dos postos de gest?o
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No Brasil, as mulheres ocupam apenas 9,4% dos cargos legislativos, 35% dos de alto escal?o e 53% dos postos de gest?o
Os números mostram uma realidade absurda: as mulheres valem menos que os homens. Ponto. De acordo com a edição de 2008 da MPG (Medida de Participação Segundo o Gênero), o indicador que mede a participação das mulheres em cargos legislativos, de alto escalão e de gerência , elas ainda têm salários menores que os homens que ocupam o mesmo cargo. E não pense que isso é uma exclusividade brasileira: a desigualdade acontece em todos os países do mundo.

A Suécia é o país com o melhor índice de MPG: 0.925 (quanto mais perto do 1, melhor). Lá, as mulheres ganham 84% do salário dos homens. Na contramão está o Iêmen, no sudoeste da Península da Arábia, onde elas ganham apenas 30% do salário deles. Isso significa que, se eles recebem cerca de R$1.000, elas ganham apenas R$300 – ainda que façam exatamente o mesmo trabalho.

O buraco é mais embaixo
De acordo com Ana Carolina Querino, assistente técnica do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), isso se dá por conta de antigas convenções sociais de gênero. “Pelas convenções, a mulher ocupa o espaço privado e o homem, o espaço público, de provedor da casa. Com o tempo a mulher vem ganhando espaço, mas isso não se reflete no mercado de trabalho, onde há o que chamamos de teto de vidro: quanto mais alto o posto nas empresas, menor o número de mulheres”, explica.

Há um verdadeiro descaso no investimento em uma educação que valorize o papel da mulher no mercado de trabalho. “Homens e mulheres não são igualmente ‘encorajados’ a lançar-se na corrida aos títulos e às posições, as competições pelo prestígio não se beneficiam de uma mesma imagem no masculino e no feminino. São esses sistemas de valorização diferencial do sucesso social que sustentam a divergência sexual dos ‘destinos’ de poder”, explica o filósofo Gilles Lipovetsky, autor do livro “A Terceira Mulher – Permanência e Revolução do Feminino” (Companhia das Letras). Em outras palavras: ainda somos estimuladas a ficar em casa e cozinhar bem: esse é o sucesso que a sociedade espera da mulher.

Lenda urbana
Um dos fatores que servem de base para essa discrepância é o estereótipo de que mulheres são menos dedicadas ao trabalho por terem que administrar toda a vida familiar.

“Várias suposições são feitas sobre o papel da mulher. Na hora de contratar, supõe-se que uma mulher faz a maior parte dos cuidados da casa. Se ela é mãe ou poderá se tornar em algum momento, significa que não poderá trabalhar até tarde ou viajar a trabalho”, explica Lisa Maatz, diretora de políticas públicas da American Association of University Women.

Nada disso é necessariamente uma verdade, mas os salários, treinamentos ou promoções passam a ser fixados conforme pressupostos desse tipo.

Só nas Filipinas

O RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) de 2006 revela que apenas em um único país do mundo as mulheres ocupam mais da metade dos cargos de liderança: as Filipinas. Todos os outros estão bem abaixo dessa porcentagem. No arquipélago, 58% das posições de comando são ocupadas por elas. E o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) não tem muita influência nesses dados: a Tanzânia, 162º no ranking do IDH tem 49% de participação feminina em posições de comando.

Para o filósofo Lapovetsky, os ideais de sexos e normas de socialização que organizam os traços da personalidade também são um dos fatores prováveis da perpetuação da supremacia masculina nas organizações: “Ensinando os meninos a comportarem-se como meninos e as meninas, como meninas, os modelos de socialização criam atitudes e estados de espírito que preparam melhor um sexo do que o outro para as lutas do poder e da eficácia social”.

E quem ensina os meninos e as meninas a se comportarem? Pense nisso ao criar seus filhos.

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