Pela primeira vez, uma mulher chega à presidência da Associação dos Delegados

Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro: primeira mulher a se tornar presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
Divulgação
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro: primeira mulher a se tornar presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
Ela já foi líder do Sindicato da Saúde e ingressou na Polícia Civil em 1999. Hoje, ela é delegada de Polícia de 3ª Classe e foi a primeira mulher a se tornar presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo nessa última segunda-feira. Em entrevista, conheça um pouco mais sobre Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, de 54 anos.

iG Qual a principal proposta para esta nova gestão na Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo?
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro
O resgate da dignidade do policial civil, principalmente o delegado de polícia, para que ele tenha o trabalho reconhecido. Também será importante conseguir salários compatíveis com nossa função.

iG Como você acredita que o papel dos Delegados de Polícia é visto pela sociedade?
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro
Normalmente, a Polícia, principalmente a Civil, possui um contato com a imprensa somente para noticiar os casos policiais. Não mostramos para a sociedade a outra parte, o trabalho que realizamos. Nós somos imprescindíveis para a sociedade, para a segurança pública, mas houve um descuido com essa questão da informação, uma falta de tempo, digamos, pelo excesso de trabalho. Temos falado muito disso ultimamente. O delegado, especialmente do Estado de São Paulo, é um profissional cheio de atividades laborais e, por esta razão, acabamos deixando um pouco de lado o olhar público sobre o nosso trabalho. Estamos tão ocupados trabalhando para a sociedade que descuidamos disso, mas uma das propostas desta nova gestão é ter uma relação mais direta com a imprensa. Eu também sou estudante de Relações Públicas da Unesp, então sabemos a importância desse contato com os meios de comunicação.

iG Como você se sente sendo a primeira mulher a atingir esta posição, quebrando a tradição da Associação?
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro
Além da honra de ter sido a escolhida, existe toda a responsabilidade que essa situação inclui: pelo fato de ser pioneira, ela se torna ainda maior. Mas não faço nada sozinha, estou apenas representando a associação e estamos bem preparados. Enfrentaremos desafios – porque estamos aqui para isso – mas, obviamente, conto com o apoio de todos os colegas, a representação é de todos.

iG Como é a relação entre homens e mulheres dentro da Associação? Existe muito preconceito ainda?
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro
Acredito que, atualmente, isso já não exista. De alguns anos para cá, as mulheres ocuparam espaço em todos os segmentos. Dentro da Polícia, não foi diferente. Claro que as primeiras mulheres que chegaram tiveram mais dificuldades, mas eu, particularmente, nunca enfrentei nenhum tipo de preconceito. A mulher, independentemente de ser do sexo femino, tem capacidade, competência e sensibilidade, é preciso que elas utilizem essas qualidades para exercer muito bem todas as atividades. Na polícia, mesmo sendo uma profissão predominantemente realizada por homens, as mulheres estão mostrando seus valores.

iG Frente a sua chegada neste cargo, que recado você daria para as mulheres que trabalham em meios predominantemente masculinos?
Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro
Que esta ideia de separação de sexos, que determina que uma profissão seja masculina ou feminina, já não cabe mais. Estamos em pleno século 21, então, fica meio antiquado, e até esquisito, acharmos que determinada posição é ideial para homens ou para mulheres. Existem atributos que tornam algumas profissões um pouco mais indicadas, mas nada essencialmente direcionado somente para um sexo. Então, é isso que é preciso manter em mente.

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