Caso do cão Giginho assusta donos de animais e levanta a questão: como escolher um pet shop seguro?

Vira-lata Giginho morreu em um pet shop poucos meses depois de ser resgatado das ruas
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Vira-lata Giginho morreu em um pet shop poucos meses depois de ser resgatado das ruas
A ideia de deixar um animal no pet shop para um procedimento simples como tomar banho e encontrá-lo ferido ou morto é o pesadelo dos donos de animais de estimação. No começo do mês, a tragédia virou realidade para o dono do vira-lata Giginho, de dois anos, e deixou outros donos em alerta: como saber se o pet shop escolhido é seguro?

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Giginho não é um caso isolado. “São frequentes os acidentes envolvendo animais nos pet shops. Alguns são realmente acidentes e outros, descuido dos profissionais”, afirma Marcelo Quinzani, diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care.

O laudo da necropsia de Giginho ainda não saiu, por isso a causa da morte ainda não foi divulgada. Mas o dono tem uma versão: “O rapaz admitiu para minha mãe, quando ela foi pegá-lo, que Giginho tinha morrido enforcado com a coleira da mesa de tosa. Ele disse que se descuidou quando foi atender o telefone”, diz o músico Jorge Anielo, 38, sobre o cachorro adotado há poucos meses.

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Foi a primeira vez que a família levou o bicho naquele pet shop. “Pessoas que conhecemos levam seus cachorros lá. Quando alguém imagina que algo assim vai acontecer?”, afirma Jorge. A reportagem do iG entrou em contato com os responsáveis pelo pet shop, mas eles não quiseram se pronunciar.

Problemas comuns
O mais comum, de acordo com Marcelo, são problemas causados pela temperatura muito elevada dentro do local. “São muitos secadores e, se não tiver ar-condicionado, não tem como evitar: o ambiente fica muito quente, o que pode ser fatal para alguns cachorros.”

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Foi o caso de Astro, um shih-tzu de seis meses, que morreu, no ano passado, de intermação, segundo o laudo da necropsia pedido pela dona do animal, a empresária Luana Custodio, 26. A intermação ocorre quando o cachorro não consegue resfriar sua temperatura corporal em um ambiente de calor excessivo. “A intermação, ou hipertermia, é um grande problema porque os cães não transpiram pela pele e regulam a temperatura corpórea através da respiração. Mas esse artifício é insuficiente para algumas raças e o cachorro acaba morrendo”, afirma Marcelo. Ele explica que a crise é caracterizada quando o cachorro fica muito ofegante, a língua ganha um tom azulado e ele pode chegar a desmaiar. “Se o banho está muito complicado, cabe ao profissional não ir em frente. O mesmo com a tosa. É melhor desistir e tentar outro dia”, pontua Marcelo.

O shih-tzu Astro, que morreu de calor durante um banho em pet shop - as altas temperaturas são a maior causa de morte
Arquivo pessoal
O shih-tzu Astro, que morreu de calor durante um banho em pet shop - as altas temperaturas são a maior causa de morte
“Era a terceira vez que eu o levava para tomar banho. Normalmente dava em casa, mas uma vez por mês ele ia para o pet shop. A veterinária disse que, quando colocaram o Astro no tanque, ele teve convulsões. Ela tentou reanimá-lo, mas não conseguiu”, conta Luana. “Fizemos um acordo financeiro com o pet shop. Apresentei meus custos com o Astro e eles me ressarciram. Isso não traz nosso cachorro de volta, mas acredito que mexendo no bolso do dono do local ele vai ter mais cuidado e consciência de que está lidando com vidas”, afirma.

De acordo com o diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira Mário Marcondes dos Santos a elevação da temperatura corpórea pode acontecer em diversas situações. “Não acontece só em pet shop. Pode acontecer também dentro do carro, por exemplo, num dia muito quente. O conselho que podemos dar é que os donos de cachorros com focinho curto, que é o caso de raças como shih-tzu, pug e buldogue, evitem ambientes de calor excessivo. Em alguns casos, os veterinários chegam a proibir que alguns animais tomem banho em pet shop justamente por causa de crises de intermação.”

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Segundo a veterinária clínica do Hospital Veterinário Pompéia Analice Cardoso Munhoz Severino, outras queixas também são recorrentes. “Atendemos muitos cães com queimaduras, por causa do secador, cortes no corpo causados, principalmente, pelo manuseio incorreto de objetos cortantes na tosa e úlcera de córnea, que é uma ferida no olho.”

Como escolher
Afinal, o que levar em consideração quando se precisa escolher um pet shop? “A indicação de uma pessoa conhecida e satisfeita com os serviços do local é fundamental”, afirma Analice. Além da indicação, ela também aconselha que os donos dos bichos questionem a experiência do profissional que irá cuidar do seu bicho.

“O primeiro ponto a ser observado, na minha opinião, é se o local tem um veterinário responsável, o que é obrigatório. Se não tiver, não é bom sinal. É preciso observar como o atendente trata o seu animal. Carinho é muito importante, e quem lida com bichos precisa gostar e ter paciência”, ensina Marcelo. Ele explica que animais de grande porte devem usar focinheira, assim como os de pequeno porte que sejam mais bravos. E bichos de tamanhos muito diferentes precisam ficar em locais distintos para tentar evitar brigas.

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Mário esclarece que os equipamentos usados no pet shop devem ser próprios para animais. “Além disso, locais que têm vitrine são bons para que os proprietários possam ver se o profissional trata bem os bichos. Mas não são todos os cães que aceitam ser observados pelos donos – eles podem ficar mais agitados e estressados -, por isso nem sempre é indicado que o dono permaneça ali durante o banho ou a tosa do seu animal.”

Direito do consumidor
A consultora jurídica do SEBRAE de São Paulo Claudia Regina Latorre explica que a atitude do pet shop no caso do cachorro Astro foi correta. Os responsáveis pela empresa ressarciram os gastos que a dona do cachorro teve. “Tudo que o dono do animal tiver que gastar por causa de um dano ocorrido enquanto o bicho está sob os cuidados do pet shop deve ser arcado pelos responsáveis pelo estabelecimento. Isso é garantido no Código de Defesa do Consumidor.”

Segundo Claudia, o proprietário do local precisa entender que o animal é sua responsabilidade enquanto estiver dentro da empresa. “O dono do animal não deve ter ônus algum por um erro causado por pessoas que deveriam estar zelando pelo bem-estar do bicho. Quem se sentir prejudicado deve procurar a justiça para ter seus direitos garantidos”, afirma.

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