Visitar centros budistas mesmo sem fazer parte de um pode ser boa alternativa para fugir da ansiedade e da agitação do dia-a-dia

Monja Gen Kelsang Pelsang:
Divulgação
Monja Gen Kelsang Pelsang: "a sensação de contentamento e bem-estar nos ajuda a lidar com agitações da vida diária"
Há dois anos, o economista José Silvério, de 29 anos, descobriu que para aliviar uma semana de trabalho exaustivo, o melhor mesmo era meditar. “Fui convidado por uma amiga e descobri que não é preciso ser budista ou frequentar aulas todas as semanas para se beneficiar com as técnicas da meditação em um centro”, conta.

Assim como o economista, muitos moradores de grandes cidades como São Paulo estão procurando alternativas para desestressar e ter uma vida mais saudável e equilibrada. Enquanto uns escolhem treinos agressivos em academias, outros preferem entrar em contato com seu eu interior. “Nas aulas, os monges e professores do Mahabodi ensinam a meditar e a levar os ensinamentos espirituais para nossa vida cotidiana. Mudando nossa mente, damos um passo essencial para mudar nossa vida e beneficiar todos ao nosso redor”, explica a monja Gen Kelsang Pelsang, professora residente do Centro Budista Mahabodi de São Paulo.

Criado há 15 anos, o Centro Budista Mahabodi é uma entidade sem fins lucrativos que forma meditadores urbanos – pessoas serenas que desejam beneficiar os outros. É filiado à Nova Tradição Kadampa, com sede na Inglaterra e tem unidades no Brasil inteiro (veja a relação no site da instituição ). Para frequentar uma delas não é preciso ser budista, nem pagar. Mas donativos para a manutenção são bem-vindos e algumas aulas e palestras precisam da colaboração de R$ 7 a R$ 12.

“Não sou frequentadora assídua, mas sempre que sinto que minha paciência está por um fio procuro uma aula especial de meditação para relaxar e achar a solução para alguns problemas”, comenta a advogada Soraia Fernanda Guimarães, de 31 anos.

Longe da agitação
Separar algumas horas da semana para meditar em um centro budista pode fazer um bem danado. Mas como funciona a meditação? “A primeira etapa consiste em interromper nossos pensamentos distrativos e acalmar nossa mente. Essa meditação respiratória inicial nos ajuda a tomar consciência do quanto nossa mente é agitada”, ensina a monja.

Com os pensamentos mais descontraídos e com paz de espírito, as pessoas passam a perceber os fatos da vida urbana (que antes angustiavam) com mais leveza e bom humor. “Embora a meditação respiratória seja apenas uma etapa preliminar, é muito poderosa. Podemos gerar contentamento sem depender de condições exteriores. Quando a turbulência cede e nossa mente se acalma, uma felicidade imensa surge dentro de nós. Essa sensação de contentamento e bem-estar nos ajuda a lidar com as agitações e dificuldades da vida diária”, diz Gen Kelsang Pelsang.

Os meditadores urbanos acreditam que este é um serviço de utilidade pública. Mas isso não se trata de uma caridade material. “Se pensarmos que pessoas serenas contribuem para o bem-estar dos outros, veremos que combater a raiva é um serviço de utilidade pública. A meditação Kadampa é um instrumento fundamental para combater mentes negativas como raiva, inveja e orgulho. A paz começa dentro de nós. Isso é utilidade pública”, orienta a monja.

Comprovado cientificamente
De acordo com pesquisas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a prática reduz a ansiedade, ajuda no combate à depressão e melhora os níveis de atenção. A comunidade científica ainda aponta que a meditação aumenta a produção de endorfinas, promovendo a sensação de bem-estar com repercussões fisiológicas e psicológicas. “O relaxamento diário previne ainda a perda natural de neurônios causada pelo processo de envelhecimento”, conclui a monja Gen Kelsang Pelsang.


Seis passos para o sucesso da meditação
1. Escolha um lugar limpo, tranquilo, confortável e que lhe inspire associações positivas.


2. Fique com as costas eretas e sem tensão.


3. Comece gerando um desejo positivo de beneficiar a si e aos outros por meio de sua meditação.


4.
Durante a meditação, tente não esquecer o objeto no qual está meditando – aquele no qual você deve se concentrar – e, se o esquecer, traga-o de volta imediatamente.


5. Antes de terminar, dedique mentalmente a energia positiva que criou para beneficiar a si e aos outros seres vivos.


6. Durante o dia, lembre-se da experiência tantas vezes quanto puder, e use-a como um guia para tudo o que você pensar, dizer e fazer.

Informações: (11) 3812-7509 ou contato@meditadoresurbanos.org.br

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.