Apesar de pouca gente saber qual e seu nome verdadeiro, ninguem desconhece a forca da Presidente da Federac?o Paulista de Lutas

A presidente da Feplam Marjo Couto
Arquivo pessoal
A presidente da Feplam Marjo Couto

Ela tem 32 anos, 1,60 de altura, 58 quilos e longos cabelos louros. As características e as medidas de Maria José Ameneiro Couto, a Marjó, deixam os marmanjos de queixo caído. Às vezes, literalmente. Dirigente da Feplam, a Federação Paulista de Lutas e Artes Marciais, ela acumula a presidência da União das Federações Esportivas do Estado de São Paulo (Ufeesp) e detém o título de maior organizadora de eventos de lutas no Estado. Para se ter ideia, já coordenou cerca de 200 deles. Conheça agora um pouco da sua trajetória.

Conte sua "luta" para chegar até aqui...
Marjó Couto -
Comecei a treinar Kick Boxing em 1994. Trabalhei como secretária da Federação de Kick Boxing do Estado de São Paulo e pouco tempo depois me tornei presidente. Fiquei no cargo por dois anos. Também treinei boxe. Em 1998 conclui minha graduação em Educação Física e em 2001 fui convidada para presidir a Feplam, uma entidade que reúne diversas modalidades de lutas e artes marciais. Acabei me especializando em Gestão Esportiva. A Feplam me dá a oportunidade para trabalhar em vários segmentos, inclusive na realização de eventos como, por exemplo, o “V Campeonato Profissional de Muay Thai”, realizado em 30 de maio no Ginásio do Pacaembu.

Por que o apelido Marjó?
Marjó Couto –
O codinome surgiu na época de colégio. Quem não me conhece às vezes pensa que sou do sexo masculino ou da polícia, pois confundem com major.

Quem serviu de inspiração para sua carreira?
Marjó Couto -
Posso citar nomes como Wanderlei Silva, Francisco Filho, Aurélio Miguel e Paulo Zorello, entre outros. Mas, sem dúvida, meu grande ídolo é o ex-pugilista e campeão mundial Éder Jofre, o Pelé do mundo das lutas! Foi meu treinador e chefe na época em que era vereador de São Paulo. Éder não é apenas meu ídolo como ex-atleta, mas como amigo e ser humano.

Você recebeu incentivo da família?
Marjó Couto -
Ao longo de toda a minha carreira dentro do mundo das lutas, sempre tive o apoio de familiares e amigos. Só faltou aceitação dos namorados, pelo fato de estar sempre no meio de homens e viajando muito a trabalho. (risos)

Por que é difícil namorar?
Marjó Couto -
Na época em que eu presidia a Federação de Kick Boxing também estava ligada à Confederação e envolvida na organização de eventos pelo Brasil. Era muito difícil conciliar namoro e trabalho por causa das viagens. Sem contar que meus finais de semana em São Paulo eram comprometidos com atividades esportivas. É complicado para qualquer homem aceitar passar sábado e domingo assistindo a lutas no lugar de fazer outros programas.

Fale de seus cuidados com a beleza no dia-a-dia.
Marjó Couto -
Não sou muito vaidosa, mas me preocupo com a aparência, assim como a maioria das mulheres. Vou sempre ao salão de beleza para fazer as unhas e tratar do cabelo, entre outros cuidados básicos. Confesso que, por conta trabalho e da vida corrida, não tenho muito tempo para me preocupar com alimentação, mas procuro comer alimentos saudáveis e fazer 30 minutos de caminhada.

Já sentiu-se discriminada?
Marjó Couto -
Não me lembro de ter vivenciado situações de preconceito. Para mim, ele existe em relação à modalidade e não à dirigente Marjó. Quando assumi a Feplam já tinha adquirido o respeito e a confiança dos adeptos de lutas. Procurei desenvolver um trabalho sério e difundir todas as artes marciais como rege nosso Estatuto, tanto por meio da implantação de projetos sociais quanto da realização de campeonatos e festivais.

Qual é a maior dificuldade da sua área?
Marjó Couto -
O principal problema, não somente para mim, mas para a maioria dos dirigentes e promotores, é a falta de apoio e de patrocínio para a realização de eventos esportivos.

O que aprendeu com as artes marciais?
Marjó Couto -
Os maiores ensinamentos: ser humilde e sempre ajudar ao próximo. Fazer as coisas por amor ao esporte e não por marketing pessoal. É lamentável que algumas pessoas se beneficiem da prática sem ter o mínimo de conhecimento histórico ou mesmo referência esportiva.

Recado para outras mulheres brilharem em áreas tipicamente masculinas?
Marjó Couto -
Tenha coragem, esperança e, acima de tudo, humildade, mesmo se encontrar dificuldades pelo caminho. Decepções fazem parte da vida, mas o importante é nunca desistir de um sonho.

O que você pensa para o futuro?
Marjó Couto - É impossível me ver fora do esporte, esta é minha vida. Amo organizar eventos, sejam eles de lutas ou não. Não vejo a hora de terminar um para começar outro! Quero casar e ter filhos - aliás, filhos são meu grande sonho. Mas no momento estou me dedicando inteiramente à carreira.

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