A atriz afirma que os filhos não se incomodam em vê-la interpretando uma “pegadora” e que prefere homens mais velhos

No ar em “Insensato Coração”, novela da Globo, como a divertida Abigail Castelani, ou Bibi, uma milionária que gosta de aproveitar a vida e coleciona relacionamentos com homens mais jovens - sempre sem compromisso - Maria Clara Gueiros, 45 anos, não vê muitas semelhanças entre ela e a personagem. “Se me interesso por alguém até chego perto, mas da minha maneira”, diz Maria Clara.

Apesar do perfil de “pegador” ser uma característica mais comum entre os personagens masculinos, que logo ganham o rótulo de “garanhões” e caem nas graças do público, a personagem também caiu no gosto popular. “A nossa sociedade é bem conservadora e acho que o Gilberto (Braga, autor) está fazendo uma aposta mesmo com esse tipo de personagem. Para romper com preconceitos”, afirma a atriz.

Ao contrário da personagem, ela não é
Divulgação TV Globo
Ao contrário da personagem, ela não é "pegadora"
iG: Você tem dois filhos adolescentes. O que eles acham de vê-la na TV encarnando uma personagem que trata os homens como objeto?
Maria Clara Gueiros: Na verdade sou atriz desde antes deles nascerem. Então é totalmente normal, como o fato de eu ter duas pernas e dois braços. Eles não ficam assim: “Ah, a minha mãe é atriz”. Em outros trabalhos eu pedia às vezes que eles assistissem alguma cena porque é como ir ao escritório da mamãe. Então nessa novela é como as outras todas. Meu filho mais velho não está vendo a novela porque está estudando muito, mas falou: “Meus amigos disseram que você está arrasando na novela”. Fiquei toda feliz! Qualquer personagem é encarada com naturalidade. Eles não misturam as coisas nem um pouco.

iG: Se parece com a Bibi em algum aspecto? Já “chegou” em algum homem?
Maria Clara Gueiros: Não, eu sou mais na minha. Nesse quesito sou bem diferente dela. Na verdade, não é que eu fique na minha. É que ela vai direto ao assunto: sexo. É bem objetiva nesse sentido. E esse não é o meu objetivo. Se eu me interesso por alguém até chego perto, mas da minha maneira.

iG: Você já teve alguns relacionamentos com homens mais novos como a Bibi. Tem preferência por homens mais jovens ?
Maria Clara Gueiros:
Não, eu até prefiro homens mais velhos. O pai dos meus filhos tem 59 anos.

iG: Ficar com uma pessoa e descartá-la sem dor de cabeça ou dor na consciência é um comportamento, normalmente, atribuído aos homens. Você acha que existem muitas mulheres reais como a Bibi?
Maria Clara Gueiros:
Depois que comecei a fazer essa personagem comecei a ouvir histórias por aí e passei a achar que tem. Ouvi algumas histórias de mulheres mais pegadoras como ela. Mas eu mesma não conheço.

Leia também:
- Elas chegam junto na paquera

iG: Por que as mulheres estariam adotando esse padrão?
Maria Clara Gueiros:
A posição da mulher mudou muito de 30 anos para cá, desde a pílula anticoncepcional. Hoje em dia o afã da mulher na vida é totalmente diferente. Isso traz mudança em todas as áreas. A mulher pode muito bem sustentar a casa, ter um marido que ajude com a empregada porque não está ganhando muito sem se sentir perdedor por causa disso. A mulher já ganhou mil atitudes ativas e essa de ir atrás dos homens pode ser mais uma que veio naturalmente.

iG: Na sua opinião, por que esse comportamento “pegador” é mais comum entre os homens?
Maria Clara Gueiros:
Eu pessoalmente não atribuo isso às mulheres ou aos homens. Atribuo a cada personalidade. É individual. Tem gente que é apegado, quer grudar, quer namorar. Que fica: “A gente está namorando? Vai se ver sempre? Você me ama?”. Isso pode ser para o homem ou para a mulher. E tem gente que é desapegado e fala: “Ai, o cara gruda, que saco”. É uma coisa de personalidade e não de gênero.

Sempre gostei de homens mais experientes, que eu possa aprender coisas com eles
DivulgaçãoTV Globo
Sempre gostei de homens mais experientes, que eu possa aprender coisas com eles
iG: Na teledramaturgia os papéis de “pegadores” geralmente são, em sua maioria, masculinos. Por que acha que isso acontece?
Maria Clara Gueiros:
É mais raro (uma mulher fazer o papel de “pegadora”). A nossa sociedade é bem conservadora e acho que o Gilberto (Braga, autor) está fazendo uma aposta mesmo com esse tipo de personagem. Para romper com preconceitos, numa de que a mulher tem que ser mais agressiva e está botando ela para correr atrás dos homens (risos).

iG: Acha que está sendo mais assediada pelo público masculino depois que a novela entrou no ar?
Maria Clara Gueiros:
Não estou mesmo. Acho que é um assédio maior de todas as pessoas. Porque mexe muito com a vida de todo mundo, talvez pelo horário. Novela das oito acho que mais gente vê, então mais gente me aborda. Mas não homens.

iG: Está solteira?
Maria Clara Gueiros:
Estou. Na verdade eu opto por não falar da minha vida pessoal. Estou muito feliz.

iG: Você contracena com o Ricardo Tozzi, entre outros galãs. Como é gravar cenas quentes sempre com homens tão bonitos?
Maria Clara Gueiros:
Eu estava até conversando outro dia com o Ricardo quando fizemos uma cena em que a Bibi persegue ele dentro de um apartamento. Ele falou: “Cara se as pessoas soubessem o quanto a gente está preocupado com a marca, se está cobrindo a luz do colega, se a cabeça na hora do beijo está para o lado que o diretor pediu para ser”. Então eu não acredito, pelo menos na minha cabeça, que em nenhuma cena mais sensual ou amorosa eu vá me envolver com a pessoa que está fazendo. Para mim o palco está na minha cabeça de tão profissional. Comigo nunca rolou. Ninguém me pegou beijando na boca os atores.

iG: A maioria de seus papéis são cômicos. Não faria um drama?
Maria Clara Gueiros:
Eu adoro fazer coisas sérias. Gosto muito. Mas eu tenho esse talento, faço comédia há 23 anos, e acho que tem menos mulheres que fazem comédia. Eu tenho um estilo e sinto que ainda tenho muita comédia para fazer. O que não inviabilizaria fazer um drama. Mas não sei se as pessoas me chamariam. Eu tenho nome na comédia e fico felicíssima por isso. Tenho uma assinatura. Vou adorar fazer quando pintar uma oportunidade boa, mas acho que pode ter muita cobrança. Tipo: “Vamos ver se ela vai render?”. Isso já me assusta. Esse “vamos ver”, “vamos testá-la “. Sinto que ainda preciso consolidar meu nome com atriz.

iG: Mesmo depois de sete novelas com personagens de sucesso?
Maria Clara Gueiros
: Acho que a gente nunca está com a vida ganha. Em todo trabalho que faço eu paro, penso, estudo, questiono. “Será que vou fazer bem? Tomara que as pessoas gostem”. Nunca vou achando que vou arrasar. E é bom isso. A pressa não é necessária.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.