Cerca de 300 manifestantes foram às ruas contra a responsabilização da mulher nos casos de violência

Manifestantes levaram cartazes para protestar contra o machismo
Guilherme Lara Campos/ Fotoarena
Manifestantes levaram cartazes para protestar contra o machismo
Cerca de 300 pessoas se reuniram na avenida Paulista para a Marcha das Vadias, que saiu às 15h35 deste sábado, dia 4. Os manifestantes protestaram contra a responsabilização da mulher nos casos de violência e variavam da estudante Ágatha Antunes, 22 anos, que se produz em estilo pin-up nos finais de semana, ao professor Paulo Fernando de Souza Campos, 44 anos.

Algumas mulheres encararam o frio paulistano e protestaram de lingerie
Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Algumas mulheres encararam o frio paulistano e protestaram de lingerie
“Tem gente que acha que as mulheres gostam de ouvir vulgaridades. E nós não estamos nem um pouco confortáveis com isso”, justifica Ágatha. “Nos tribunais, quando se queixa de violência, a mulher ainda é considerada a sedutora, como se tivesse provocado. Historicamente, esse papel foi imposto para ela, chega de submissão”, diz Paulo.

Algumas mulheres foram às ruas de minissaias, lingerie, decotes e maquiagens carregadas, mas a maioria preferiu enfrentar o frio paulistano mais agaslhada. Segurando cartazes com frases como “Ensine os homens a respeitar, não as mulheres a temer”, e “Chega de engolir, está na hora de cuspir”, a marcha desceu para a rua Augusta, onde fica o Comedians, teatro de stand up comedy de Rafinha Bastos, integrante do programa CQC. Lá, aos gritos de “Estupro não é piada, machismo mata”, os manifestantes protestaram contra uma piada que Rafinha fez no twitter, dizendo que mulheres feias deveriam agradecer ao serem estupradas. Ao perceber a aproximação da marcha, funcionários do local baixaram as portas rapidamente. As manifestantes colaram cartazes com mensagens anti-violência.

Mais tarde, o comendiante Danilo Gentili, também do CQC, saiu do local e comentou: "Eu acho que está certo fazer a marcha. Eu falo o que eu quero, o Rafinha fala o que ele quer e as manifestantes falam o que elas querem. Enquanto for assim está bom."

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Organizada por Madô Lopez, 28 anos, redatora, e Solange Del Ré, escritora, 30 anos, a marcha reuniu menos gente do que as 2500 mulheres esperadas. "O importante é colocar o assunto em pauta, independente de quantas pessoas puderam vir. Não poder vestir o que se quer é um atraso", afirma Solange. “ A gente sabe que tem mulheres sendo espancadas no Brasil . Mulheres que são estupradas por causa da roupa que estão usando”.

Inspirado na Slut Walk de Toronto, que protestou contra a afirmação de um policial de que as mulheres não deveriam se vestir como vadias para evitar estupros, o protesto foi pacífico. Desde a primeira marcha, já foram 15 eventos, e ainda há mais dezenas marcados até outubro. No Brasil, além da manifestação deste sábado, as organizadoras esperam reunir mais mulheres no próximo dia 18, em Belo Horizonte e em Brasília, ainda sem data.



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