Entre um round e outro, Cris Cyborg, estrela do MMA, cozinha para o marido, cuida da casa, passeia com o labrador e vai à missa

Família Cyborg: paixão pelo vale-tudo rendeu casamento, casa e cachorro
Arquivo pessoal
Família Cyborg: paixão pelo vale-tudo rendeu casamento, casa e cachorro
A luta-livre rendeu para Cris Cyborg, além de 10 títulos dos 11 embates disputados, profissão, marido e cachorro. Aos 25 anos, a lutadora profissional – um dos grandes ícones do MMA (Mixed Martial Arts) nos EUA - leva uma vida praticamente tradicional na já tão brasileira Miami, EUA, onde o esporte feminino é valorizado, aceito e quase popular. “Sou lutadora, dona de casa, cristã. Trabalho, cuido da família, da saúde, do marido, de mim. Quero ter filhos. Uma mulher comum e feliz, satisfeita”, diz.

- Ana Maria dos ringues - Ana Maria Índia é reconhecida pelos traços e golpes marcantes

Casada há cinco anos com o também lutador Evangelista Cyborg, Cris equaliza sua rotina entre treinos intensos, malhação, ofícios do lar e atenção ao labrador Fedor. Mudou-se para os EUA em busca de reconhecimento, espaço e patrocínio, itens fundamentais na carreira de um atleta, mas que considera pouco acessíveis no Brasil.

Hoje, vive da luta e garante que tem uma rotina, além de comum, estável financeiramente. Tem uma bolsa para treinar, é contratada para realizar seminários em academias - ensinar seu treino aos amadores - e recebe, em dólar, uma quantia alta para subir no ringue, fora o bônus concedido em caso de vitória.

Resume sues dotes culinários ao strogonoff com arroz, mas não deixa de se arriscar, sempre na idéia de conquistar o marido (também) pelo estômago . “Eu sempre tento. Ele come minhas gororobas e diz que gosta”, diverte-se.

O começo

Em momento caseiro, Cris tira uma soneca abraçada ao labrador Fedor
Arquivo pessoal
Em momento caseiro, Cris tira uma soneca abraçada ao labrador Fedor
Cris conheceu o MMA depois uma longa adolescência dedicada ao handball e triatlon. Competitiva desde criancinha, ela sempre buscou um esporte mais individual para satisfazer o prazer pela vitória, e o desprezo pela derrota. “Nunca gostei de perder, e ficava frustrada quando eu jogava bem e o fracesso era coletivo.”

Aos 19 anos, um amigo e professor de lutas convidou-a para fazer uma aula de Muay Thai. A compatibilidade foi instantânea. Em três meses, Cris pedia ao colega para marcar sua primeira uma luta. “Queria conhecer como o show funcionava.”

O embate foi agendado, mas o colega só conseguiu encontrar competidoras de MMA. Em três meses, Cyborg aprendeu a técnica da modalidade e encarava o primeiro ringue. “Comecei ganhando, mas fraturei meu cotovelo e tive minha primeira e única derrota. Foi suficiente para ver que a luta era o esporte que eu buscava pra ser profissional.”

Na academia onde descobriu-se profissional do MMA, Cris também arrebatou o namorado, hoje marido e companheiro de profissão. Forte e todo tatuado, Evangelista se enquadra perfeitamente no ideal de beleza exigido pela curitibana. “Gosto de homens fortes, sarados como ele. No esporte não dá pra ter pancinha.”

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A recíproca também é verdadeira. Ao ser questionado pela mulher qual a parte do corpo dela que ele mais gosta, a resposta vem em enumeração: “Pernas, bumbum, barriga. Gosto de tudo."

Vitória da autoestima

Satisfeita com o corpo esculpido, Cris exibe as costas fechadas com o desenho de um dragão
Arquivo pessoal
Satisfeita com o corpo esculpido, Cris exibe as costas fechadas com o desenho de um dragão
O que difere Cris e Índia de mulheres comuns não é o local de trabalho atípico e pouco reconhecido no País, mas a autoestima. Satisfeitas com o corpo que conquistaram e lapidam diariamente, o excesso de músculos é valorizado, desejado e bem resolvido. A feminilidade não se perde nos bíceps trincados, é mantida dentro e fora do ringue.

“Gosto das minhas pernas, elas fazem sucesso. Muitas mulheres também elogiam, dizem que gostariam de ter coxas bem torneadas como as minhas. Sou tranqüila, cuido da saúde e não mudaria nada no meu corpo”, endossa Cyborg.

O suor inevitável durante o treino e as competições impedem que a lutadora valorize os traços do rosto com a ajuda do lápis, rímel e batom. Tal problema, porém, foi facilmente resolvido com a maquiagem definitiva. As sobrancelhas foram artisticamente traçadas, o contorno dos labios e olhos também, tudo permanente, sem riscos de borrar.

"Faço e refaço sempre que necessário. Não tenho como usar maquiagem no dia a dia, passo a maior parte do tempo treinando. Foi uma alternativa ótima que encontrei para manter o rosto sempre bonito."

Nos ringues, a atleta também não poupa glamour. Gosta de lutar usando saias ao melhor estilo gladiadora. "Alguns patrocinadores torcem o nariz para o modelo, mas me sinto super feminina com essa saia."

Para ela, as tatuagens traduzem vaidade e valorizam as curvas do corpo. Entretanto, os significados vão além da estética - representam momentos importantes, pessoas marcantes - e até agradecimentos. Nas pernas, Cris tatuou o nome do marido e da academia onde o casal se conheceu.

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