Neusa Steiner, autora do romance biográfico "Monja Coen - A Mulher nos Jardins do Buda", fala sobre a realização da obra

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inspirado na vida da Monja Coen" /
Tricia Vieira / Fotoarena
Neusa Steiner, autora do romance biográfico
inspirado na vida da Monja Coen
iG Como surgiu a ideia de fazer este romance biográfico?
Neusa Steiner
Há tempos eu queria escrever um livro, uma ficção. E a ideia tomou forma quando eu estava terminando um Mestrado de Ciências da Religião. Foi ali que conheci mais sobre a vida da Monja Coen e tive vontade de conhecê-la. Quando aconteceu o encontro, meu objetivo era conversar com ela sobre a questão da dor, porém, com a descoberta de tantas coisas em comum, resolvi propor um novo foco, um romance biográfico. Ela topou na hora.

E como é este romance biográfico?
Neusa Steiner
As minhas entrevistas nunca foram de caráter completamente jornalístico, fui colhendo dados mais profundos sobre a vida dela. Então, me deparei com a história de uma mulher que passou por muitas dificuldades na vida e alcançou um cargo importante dentro da religião. Depois, me vi diante de uma mulher da minha idade que saiu cedo de casa, casou, se separou, teve a primeira filha aos 17 anos. No entanto, ao ouvir sobre a vida dela, não queria contar uma história somente de superações, mas mostrar este modelo feminino que intervém socialmente, que continua lutando, independentemente de tudo o que passou na vida.

Como foram as entrevistas realizadas com ela e como elas aparecem no livro?
Neusa Steiner
Como ela mesma disse, eu me apropriei dos personagens da vida dela. E também, como explico no prefácio, mudei os nomes dos personagens reais e até de características físicas. Na primeira parte, a história é de Clara, baseada na mãe da monja. A segunda conta a história de Sílvia, que é própria monja, na década de 1980, quando morava nos Estados Unidos. E a terceira parte conta a história depois disso, caracterizando-a como Monja, simplesmente.

O que você acredita que a Monja Coen representa para as mulheres?
Neusa Steiner
A capacidade de superação. Acho que nós, mulheres, temos uma força muito grande, uma capacidade de superar obstáculos, só que de alguns anos para cá, ficamos mais sobrecarregadas. Trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, sobrou pouco tempo para questões mais pessoais. Além disso, ela representa a contemplação do feminino. E isso a torna uma mulher até mesmo desobediente, mas que busca o que quer e se volta para o desejo próprio.

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Jardins do Buda" /
Divulgação
Capa do livro Monja Coen - A Mulher nos
Jardins do Buda
Quais os principais aspectos da vida da Monja Coen tratados no livro?
Neusa Steiner
São diversos. Ela recebeu uma educação muito rígida, se casou aos 14 anos, passou por depressões e abuso sexual na infância. Ela é uma pessoa que não fica esperando ser salva, possui essa capacidade de se levantar. E isso é retratado no livro. Por outro lado, também conto sobre uma experiência que ela teve com o LSD, substância alucinógena, quando morou em Londres. Na época, as experiências com drogas eram vistas como transcendentais, e foi neste momento que ela sentiu Deus como uma transcendência, o que a fez buscar a sua religiosidade num centro budista de Los Angeles.

Como foi, no final, essa experiência para você?
Neusa Steiner
Foi fantástico! Ela me deu um presente, que foi deixar que eu usasse a minha imaginação, de me colocar realmente como escritora de ficção, que era o que eu queria. Consegui um material muito rico, muito bonito. Fiz ali minhas reflexões ligadas à experiência profissional que tenho. Este é meu primeiro livro e foi realizado em parceria com uma mulher que admiro muito. E ela também gostou do trabalho.

Lançamento: livro “Monja Coen – A mulher nos jardins de Buda” com palestra “Dois olhares femininos para a vida”, com Monja Coen e Neusa Steiner.
Hora: das 18h30 às 19h30
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Teatro Eva Herz
Endereço: Av. Paulista, 2073, São Paulo. SP
Informações: (11) 3170 4033

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