Três mulheres contam como chegaram ao fundo do poço após o fim da relação – e, depois, se tornaram ainda mais fortes

Volta por cima: depois de um coração partido,
nos tornamos mais fortes
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Volta por cima: depois de um coração partido, nos tornamos mais fortes
Tudo ruiu – e ela buscou tudo novo

Liliane M. Terra, 34 anos, ocupava um cargo de alto escalão dentro de uma multinacional, quando tomou o grande baque da sua vida. Aos 29 anos, ela descobriu que o marido, com quem estava casada há cinco anos, saía com a sua principal chefe. O pior: quem soube primeiro da notícia foi a sua própria mãe, numa simples ida ao supermercado.

“Minha mãe me ligou aos prantos, por volta das 16h, durante o meu expediente. Não conseguia entender o que ela me dizia. Depois de retomado o fôlego, ela me contou que encontrou o meu marido de mãos dadas com uma mulher. Detalhe: ela era minha chefe direta. O meu mundo caiu. Foi como se eu perdesse o meu chão. E eu perdi: perdi o emprego, perdi o meu casamento. Não tinha outra alternativa. Eu não poderia permanecer na empresa e muito menos manter uma relação simplesmente por conveniência, como ele até me propôs. Foram dois anos intensos de uso de remédios e análise”, conta ela.

Para enfrentar a dor e reconstruir a vida, além de medicamentos e acompanhamento médico, ela criou coragem para dar uma guinada e provar para muita gente que não é impossível recomeçar. “Após dois anos ainda sofrendo muito e sem conseguir arrumar um emprego, tomei uma decisão drástica. Como eu já não tinha mais nenhum vínculo ou algo que me prendesse, peguei três peças de roupas e saí do país. Uma amiga morava em Chicago e me abrigou com o maior prazer. Lavei pratos e fui babá por 6 meses, até conseguir uma boa colocação numa empresa imobiliária. Buscar novas referências e tirar de vista qualquer coisa que me ligava ao ex foi fundamental para uma melhora. Meu conselho? Suma com tudo que te lembre o passado. O mundo é enorme!”, conta ela.

Acidente de percurso
Para a secretária Ana C.*, 40 anos, o término do namoro trouxe uma marca inesquecível. Após a discussão e a definição do fim com o namorado, ainda muito atordoada, Ana sofreu um grave acidente. “Eu não me conformava com o fim do amor. Minha indignação foi ter sido pega de surpresa. Ele nunca reclamava, nunca me dizia que estava infeliz. Tive a impressão que estava sonhando, não era possível que nós dois vivíamos a mesma vida”, conta a secretária.

Após a discussão, Ana, completamente transtornada, pegou o carro e partiu em direção à casa da sua mãe. “Eu não enxergava nada. Estava triste, nervosa, chorando, desacreditada. E aí não vi um caminhão que estava quebrado, em plena marginal. Acordei somente no hospital, com uma marca que me faz lembrar todos os dias o que aconteceu”, relembra ela. Ana teve dois dedos do pé mutilados.

Mas o que parecia se transformar numa eterna lembrança ruim se transformou na força que Ana precisava para esquecer “o traste”, como ela diz. “Olhar para a fratura me fazia criar forças para continuar e superar. Ele arrancou minha alma, o que era muito pior que perder dois dedos. Essa marca eterna é quase um amuleto. Quando enfrento qualquer situação difícil, olho para o meu pé e logo lembro o quanto sou forte e capaz de superar essas m... que a vida apronta! Não existe só um homem no mundo. E, por sinal, descobri que existiam outros muito melhores do que o que eu tinha em casa”, sorri ela.

Passagem para as Índias
Ao ver o casamento desabar depois de 11 anos de aparente felicidade, a tradutora Ruth Maria Azevedo, 37 anos, usou experiências alheias para transformar a própria vida. “É claro que a gente sofre, se arrasta, tem vontade de morrer e de matar ao mesmo tempo. Mas eu confesso que o que mais me deixava p... era o fato de saber que, enquanto eu gastava rios de lágrimas com aquele cara, ele deveria estar num churrasco, bebendo todas com os amigos!”, relembra ela.

E continua: “E se ele conseguia se divertir tanto, por que eu viveria daquele jeito, feito atriz de novela mexicana? Peguei duas amigas e fomos para a Índia”.

Desligar o filme triste que passava e começar a nova aventura foi transformador. “Estive em contato com outras culturas, com outras pessoas, com outros problemas e felicidades. E estar sempre acompanhada de duas grandes amigas foi fundamental. É claro que esse plano de fuga foi ótimo para eu superar a minha dor. Mas quer saber qual foi a primeira coisa que eu fiz para aliviar? Sentei num boteco, enchi a cara e chorei até o dia raiar. Isso também ajuda a limpar a alma”, encerra, com muitas gargalhadas.

Partilhando a experiência
A escritora Stella Florence, autora do livro “32 – 32 Anos, 32 Homens, 32 Tatuagens”, da Editora Rocco (leia entrevista aqui ), separou algumas dicas para dar uma mãozinha naquele momento em que tudo parece ruir.

1. O cara te deixou de quatro roendo o cotoco do meio-fio? Bem-vinda ao clube. Mas pode crer: esse poço é túnel e há várias saídas.

2. Faça terapia. Pesquise, pergunte, escolha um estilo (as escolas são inúmeras), mas faça! Autoconhecimento é a primeira e a principal ferramenta para organizar um terremoto (ou vários, de que a vida é feita).

3. Mantenha um vínculo com algo que transcende a matéria: se dedique mais a uma religião, a uma filosofia espiritualista ou simplesmente faça um trabalho voluntário que te mantenha numa vibração mais elevada. A mágoa é uma infecção na alma.
4. Separe uma manhã ou tarde da semana para o salão de beleza: cabelos, unhas, pele, massagens. Se tiver uma grana extra, vale uma suave aplicação de botox (eu disse suave, hein!) no centro da testa: essa região fica tensa com choro constante.

5. Entre num bom site de relacionamentos românticos, nem que seja para se distrair vendo os perfis dos homens. Se procurar com cuidado, você descobrirá duas coisas: que ainda há caras legais no mundo e que não era só o falecido que mexia com a sua libido.

6. Avise aos seus amigos que você está numa fase difícil (se eles são seus amigos, já saberão disso) e que precisa de apoio: ligue de madrugada, tome café no fim da tarde, desabafe, deite no colo, chore, xingue, fique à vontade.

7. Comece a fazer piada do seu desencontro amoroso: quando a gente ri das besteiras que fez e das frias em que entrou, já deu um importante passo para fora do lodo.

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