Para estudo, vigiar é a atitude chave para se livrar de hábitos que não fazem bem. Veja outras estratégias que podem funcionar

Vigiar-se, contar o tempo desperdiçado e evitar as fontes das tentações: vale tudo para abandonar os maus hábitos
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Vigiar-se, contar o tempo desperdiçado e evitar as fontes das tentações: vale tudo para abandonar os maus hábitos
Passar trinta minutos navegando à toa na internet antes de ir para o trabalho ou almoçar em restaurantes fast-food para economizar tempo são algumas atitudes que a maioria das pessoas já tomou. Mas quando estes comportamentos viram um problema, você sabe como se livrar deles? Segundo recente pesquisa publicada no Boletim de Psicologia Social e Personalidade, dos Estados Unidos, existem algumas estratégias que podem funcionar muito bem para dar um fim nos maus hábitos. No entanto, a primeira coisa a fazer é conscientizar-se deles.

No estudo, 99 estudantes norte-americanos registraram, durante um período de sete a 14 dias, todos os momentos em que tiveram que evitar um mau hábito ou controlar uma tentação. Os pesquisadores descobriram que os principais costumes indesejados eram a procrastinar e dormir ou comer em excesso. Mas como combatê-los? Vigiar-se, distrair-se com outras atividades e fugir dos possíveis estímulos que nos levam a um determinado hábito foram as estratégias mais utilizadas. E funcionaram.

O psicobiólogo e especialista em Medicina Comportamental Ricardo Monezi afirma que, em contrapartida, para que estas estratégias atinjam o objetivo, é preciso que a retirada de maus hábitos da vida aconteça gradualmente. “São táticas importantes que foram sugeridas, mas acrescentar bons hábitos em troca – e não instituí-los como uma regra, e sim como uma recompensa – é essencial”, explica ele. O principal, segundo o psicobiólogo, é evitar um mau hábito não por imposição da família ou de outras pessoas, mas pelo malefício que aquilo pode trazer à saúde do corpo e da mente.

Dominados pela racionalidade


Como muitas vezes somos dominados pela emoção, acabamos perdendo o foco do que realmente merece nossa atenção no dia a dia. No entanto, conseguir seguir as estratégias proporcionadas dependerá da disciplina de cada um. “O ser humano é capaz de mudar um padrão, mas o principal nesta hora é criar o hábito de estar em constante vigília contra os próprios maus hábitos”, explica. Segundo a pesquisa norte-americana, a vigilância foi a estratégia mais proveitosa utilizada pelos estudantes.

Por outro lado, de acordo com o PSYBlog , blog do psicólogo e pesquisador britânico Jeremy Dean, tomar cuidado para não tropeçar num hábito indesejado e dizer a si mesmo “não faça isso!” é a maneira menos eficaz de controlar uma forte tentação. Para não comer aquela barra de chocolate inteira, a estratégia mais útil foi fugir dos estímulos para tal. Ou seja: não passar na seção de doces do mercado.

Tudo e todos contra o mau hábito

Segundo o britânico, os hábitos que criamos se tornam presentes por repetição. Diferentemente das tentações, incorremos nos maus hábitos sem pensar. Isso justifica a vigilância como a estratégia mais bem-sucedida, já que o estado de alerta nos lembra de que gostaríamos de mudar aquele comportamento. Mas não há receita mágica para tal: “O que pode ajudar muito é construir parcerias de vigilância; o ser humano precisa ser estimulado a desenvolver bons hábitos”, diz Monezi.

Por exemplo: um novo namorado ou a chegada de um bebê levantam preocupações com a saúde e podem ajudar a evitar o fast-food. “Além disso, a informação também pode ser usada como uma estratégia”, lembra Monezi. Segundo ele, quanto mais instrução uma pessoa tiver a respeito dos problemas de saúde causados pela alimentação rápida, mais preparada ela estará para abandonar o consumo frequente de hambúrgueres e batatas fritas.

Utilizar o relógio como aliado também é recomendável. “Se uma pessoa começar a equacionar o tempo que ela leva para realizar uma ação e perceber que está gastando mais tempo do que o necessário, então ela vai saber que algo está errado”, diz o especialista. Para isso, a capacidade de discernir os próprios hábitos se faz necessária.

Porque eu faço isso?

De acordo com a psicóloga Kelen de Bernardi Pizol , especialista em psicoterapia comportamental cognitiva, estar consciente das razões do mau hábito é o primeiro passo. De acordo com Pizol, há pessoas que, antes de modificar um comportamento, precisam modificar o pensamento que têm sobre ele. “Se ela acredita que não entrar no twitter naquele momento específico irá fazê-la perder algo muito importante, então ela precisa primeiro mudar esta crença antes de perder o hábito de navegar à toa por horas”, explica ela. Ela sugere listar as razões para não realizar aquilo.

Muitas pessoas têm consciência de que devem modificar um determinado comportamento, mas ao mesmo tempo convivem com pensamentos que a limitam e impedem a mudança. Por esta razão, simplesmente manter a vigilância em cima de um mau hábito pode não perdurar por muito tempo: “Se ela não trabalhar o porquê de suas crenças, facilmente pode voltar a agir da mesma forma. Por outro lado, quando se muda a maneira de ver determinado hábito, mais difícil será adquiri-lo novamente”.

Embora as estratégias pareçam simples, Dean afirma no PSYBlog que vigiar constantemente um mau hábito para não cometê-lo é cansativo. Existem dias em que seu autocontrole está mais fraco, o que pode fazer com que passemos de um hábito ruim para outro potencialmente ruim.

Monezi explica que o nosso cérebro está programado para buscar prazer, de forma que um comportamento que não é tão capaz de gerar a liberação de serotonina – neurotransmissor ligado ao estado de humor – no cérebro não será facilmente trocado por algo que gera, como, por exemplo, entregar-se a montes de chocolate. Por esta razão, não é dizendo que na segunda-feira começaremos a nos alimentar melhor e pronto, o problema está resolvido. “Todos os dias devemos procurar ampliar os bons hábitos, torná-los ainda melhores, e aprender a evitar os que não nos fazem bem”, diz.

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