A pose que combina beicinho e maçãs do rosto saltadas tornou-se quase um padrão nos autorretratos de perfis na web

Miley Cyrus, entusiasta da pose polêmica
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Miley Cyrus, entusiasta da pose polêmica
Qualquer um que dê uma olhadinha no Facebook de vez em quando certamente conhece um determinado fenômeno: uma pose que produz lábios carnudos e ressalta as maçãs do rosto, através de um bico e da sucção das bochechas. A intenção é criar uma imagem sedutora. O resultado, muitos concordam, é uma cara de pato.

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A cara de pato se tornou tão dominante nesta era de infinitos cliques de smartphones que o look agora é alvo de uma crescente e veemente reação contrária.

“Pare com isso. Não é sexy,” declara em sua missão o site www.antiduckface.com , cujo conteúdo consiste de fotos de pessoas fazendo cara de pato, e milhares de comentários depreciativos. Há também uma página anti-cara de pato no Facebook, com mais de 16 mil aprovações, e uma conta de Twitter com cerca de 1500 seguidores.  “Deixe sua boca do jeito que ela é,” canta John Gamble, 28, de Massachussets, em uma música que ele escreveu depois que sua noiva reclamou que estava “cansada de garotas fazendo cara de pato”. Um vídeo em que ele canta a música de protesto contra a pose foi visto por cerca de três milhões de pessoas.

Os ativistas contra a cara de pato discutem a origem do fenômeno. Alguns culpam Miley Cyrus. Outros culpam Ashley, a garota de programa que foi pivô de um escândalo envolvendo o ex-governador de Nova York Eliot Spitzer. Há até quem culpe Donald Trump (parece ridículo? Faça uma busca por “trump duckface.”) Há ainda os que culpam Megan Fox, pela cara de pato que sustentou – com sucesso – ao longo de um comercial no intervalo do Super Bowl, o espaço mais caro e de maior audiência da TV americana.

O filme “Quatro Casamentos e Um Funeral”, de 1994, tem uma das primeiras referências ao termo, quando o personagem de Hugh Grant apelida sua namorada, que adora fazer beicinho. Mas apelar para a cara de pato é, provavelmente, algo muito mais antigo. A sensualidade criada ao exagerar o tamanho dos lábios é um padrão na moda. Simon Doonan, da loja Barneys, cita o beicinho infantil dos anos 1960 e o brilho dos anos 1990 e acrescenta: “Modelos sempre exageraram caretas de algum tipo”.

Mas há pouca evidência de que o recurso seja atraente para as pessoas comuns. Christian Rudder, 35, fundador do site de relacionamento OkCupid, ficou tão horrorizado pela quantidade de fotos de caras de pato em seu site que resolveu fazer um estudo para descobrir que tipo de poses eram mais atraentes para os parceiros em potencial. E descobriu que sorrir é mais atraente do que fazer beicinho. “Infelizmente,” diz ele, “é a pose que as pessoas fazem quando tiram sua própria foto, porque acham que faz com que fiquem sensuais.”

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