Encontro de tuning feminino reúne mulheres que põem a mão na massa e personalizam seus próprios carros

13 participantes compareceram ao primeiro encontro com carros do Grupo Tuning Feminino
Bruno Zanardo/Fotoarena
13 participantes compareceram ao primeiro encontro com carros do Grupo Tuning Feminino
É injetado ou carburado?”, pergunta Alessandra, dona de um PT Cruiser com cristais Swarovsky incrustrados na lataria. Na mesma mesa, outra conversa cruza com essa: “Ah, eu tenho dezenas de gatos e cachorros em casa”, diz a carioca Desirée, professora de matemática e física. “Eu também amo bichos, sou cachorreira”, diz Carol, comerciante dona de uma picape rosa. Pipocam brincadeiras e perguntas sobre a gravidez da Loira, “opaleira” que espera bebê para os próximos dias. Até que uma frase sobre tuning ou sobre o preço da gasolina cruze a mesa e mude o foco da conversa de novo.

Foi nesse clima que rolou o primeiro encontro do grupo Tuning Feminino , provavelmente o maior encontro de carros tunados por mulheres no Brasil, que reuniu 13 mulheres no último sábado (28),

“Queremos mudar a imagem sobre mulheres e tuning”, diz a cardiologista Jomara Ferreira, 29 anos. Dona de Astrogildo, um Astra Sport 2002, há 7 anos ela está modificando o carro. “Nos meus carros anteriores, já tinha sido picada pelo bichinho do tuning, mas foi só nesse que comecei a mexer de verdade”, diz.

O tuning é a prática de modificar e personalizar o carro de acordo com a personalidade do dono, inclui desde mudanças estéticas até alterações mecânicas, que aumentam a potência do carro. A resposta rápida ao pé no acelerador dá frio na barriga: é impossível passar despercebida em um carro tunado.

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No seu Astra, Jomara fez de tudo. Alterações externas, como pintura, jogos de tapetes personalizados e as Lambo-doors, portas que abrem na vertical e mexidas no motor, que ganhou peças esportivas, como filtro e ar e cabos de vela de 8mm, que melhoram a performance.

“Queremos mostrar que entendemos de carros e de tuning”, afirma.

Ela e a comerciante Paula Hussar, 29 anos, organizaram o grupo Tuning Feminino para criar um ambiente favorável e amistoso para mulheres interessadas no assunto.

Com apenas seis meses recém-completados, o grupo reúne cerca de 15 mulheres que modificam seus veículos. “Ainda é um universo muito machista, mas queremos mostrar que as mulheres que fazem tuning não têm nada a ver com as modelos de biquíni posando ao lado dos carros”, diz.

Paula é dona de um centro automotivo e faz questão de colocar a mão na massa nas modificações no seu Ka cor-de-rosa. “Uns 80% das modificações do carro fui eu quem fiz”, afirma.

“Vicia. Você mexe numa coisa e logo quer fazer outra”, diz. O próximo passo é colocar um teto solar ou transformá-lo em conversível. “O difícil é colocar um carro no seguro, né? Por outro lado, quem vai roubar um carro rosa?”

O encontro atraiu até a carioca Desiree Pradatzky, 44 anos, professora de matemática e física, que comprou seu Tiggo há 8 meses, mas 5 meses antes, já estava montando o “enxoval”, com acessórios de tuning.

Inevitável parar o trânsito no Rio, onde a prática é incomum. “O carioca não está acostumado, abre a boca quando vê o carro.”  O carro está adesivado e com painel customizado.

Dona de uma coleção de vários Opalas, Loira compareceu ao encontrou com um deles, um Diplomata 1985 rosa com peças de 1992, com rodas esportivas, turbo, tapetes, som, painel digital, freio a disco, bancos customizados.

Já está pronto? “Por mim, eu queria mais. Quem sabe lá quando vai dar, né?” A Loira, registrada Maria Aparecida Oliveira, está grávida de 8 meses e trabalha há 6 anos em uma loja especializada em peças para Opala. Rafaela, a bebê que ela espera, é a quinta da prole, com irmãos de 20, 12, 8 e 4 anos.

Hello Kitty é o apelido do Opala modificado por Maria Aparecida, a Loira do Opala
Bruno Zanardo/Fotoarena
Hello Kitty é o apelido do Opala modificado por Maria Aparecida, a Loira do Opala


Outra fã dos carros grandes é a comerciante Caroline Del Vecchio, 31 anos. Dona de uma picape Ranger rosa, comprou o carro e decidiu tuná-lo como forma de lidar com uma depressão que se instalou quando perdeu a mãe para um câncer, em 2009. “Achar o tom exato de rosa das azaléias preferidas dela deu trabalho”, diz. O carro faz par com a picape laranja tunada que pertence ao marido.

Carol não tem filhos. Sobra energia para cuidar do trabalho, dos animais, dos quatro sobrinhos e do pai idoso. “Sofri muitas críticas por ter escolhido a picape, e vindas principalmente de outras mulheres. Muita gente me perguntou porque eu não peguei um carro pequeno.” Ainda existe preonceito contra mulheres que optam por carros com características supostamente masculinas, como potência e grande porte. Mas para Carol, a resposta é clara: com a picape rosa, ela tem agora um carro delicado e forte, como era sua mãe.

A café-com-leite do grupo é Adriana Rezende Nishimori, produtora de moda de 45 anos. Recém-chegada ao tuning, a dona de uma Ranger vermelha está começando. A paixão é clara: estampas de oncinhas pouco a pouco invadem o interior do carro, ocupando os forros dos bancos, o volante, os tapetes e outros detalhes que aos poucos vão substituindo o interior preto. “O próximo passo é colocar uma lona de onça para cobrir a caçamba”, diz a produtora.

Adriana Rezende Nishimori, 45 anos, começou a modificar seu carro há poucos meses
Bruno Zanardo/Fotoarena
Adriana Rezende Nishimori, 45 anos, começou a modificar seu carro há poucos meses

Adriana se casou em novembro. Na volta da festa, vestida de noiva, “ouvindo um sambão”, como gosta de contar, foi parada por um guarda. “Ele pediu os documentos, viu que estava tudo OK. Eu não tinha bebido, só meu marido, que estava no banco do passageiro”. Ela perguntou ao guarda se podia ir embora e ele disse “Sim. Mas posso tirar uma foto do carro antes?”.

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