Uma seleção inspiradora de perfis de mulheres urbanas de várias regiões do Brasil: Márcia, Porto Alegre, RS

Márcia Cristina Borges da Silva, gaúcha


A capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, já foi eleita pela ONU como uma das melhores cidades brasileiras para morar. Ruas arborizadas, baixa taxa de desemprego, quarto maior PIB do Brasil, entre outros, são motivos de orgulho para a população. Orgulho e tradição não faltam no Rio Grande do Sul. Prova disso é o 35 CTG (Centro de Tradições Gaúchas). A entidade pioneira preserva a cultura típica das regiões pastoris do Sul do Brasil, incluindo os pampas, e sempre foi dirigida por homens.

Hoje, porém, quem está no comando é Márcia Cristina Borges da Silva, 38 anos, professora de História e Filosofia, casada, mãe de Rafaela, de 6 anos. Ela é policial militar há 10 anos, entrou para o ‘tradicionalismo’ aos 5 e é sócia do 35 CTG há mais de 30 anos.

Márcia Cristina Borges da Silva, 38 anos, primeira mulher na história a presidir um Centro de Tradições Gaúchas
Acervo pessoal
Márcia Cristina Borges da Silva, 38 anos, primeira mulher na história a presidir um Centro de Tradições Gaúchas

O dia a dia de Márcia se parece com o da maioria das mulheres urbanas brasileiras: ela vive com o marido e a filha numa casa, cuida das atividades domésticas, mas garante que divide com o marido as responsabilidades e a autoridade na família, o ônibus escolar leva a filha para a escola e a avó materna ajuda nas horas de aperto.

Filha de militar, o desejo de fazer parte da corporação nasceu muito cedo. “Fui a primeira mulher a colocar uma chapa para concorrer à Patronagem do 35CGT, sofri muita discriminação, mas consegui e hoje tenho orgulho de ser a primeira mulher-patrão do Centro de Tradições Gaúchas do Rio Grande do Sul.” A rotina da ‘mulher-patrão do 35 CGT é puxada; “Eu administro a entidade, porque ela é uma empresa, mas também preciso controlar e gerenciar a participação dos sócios e integrar todos sob a bandeira da preservação cultural”. Mas nem tudo são processos e burocracias no 35 CGT: “Preservamos os costumes antigos, promovendo bailes com ritmos gauchescos, eventos com canto, poesia, jantares com comidas típicas do Rio Grande do Sul.”

As mulheres vão vestidas de prenda, os homens de bombachas, lenço no pescoço e guaica na cintura e todos dançam ao som dos chotes, bugius, valsas e rancheiras.

Trabalho e prazer se misturam e no final de semana a diversão são os bailes, onde “as mulheres vão de vestido de Prenda e os homens de bombacha, camisa, lenço no pescoço, cinto (chamado de guaiaca) e dança-se no ritmo dos chotes, bugius, valsas, rancheiras e vanerões”.

Nos momentos ‘mulherzinha’, Márcia adora ir ao cabeleireiro e comprar roupas. Sua paixão? Claro, os sapatos! O tempo para si mesma acaba sendo à noite: “Dedico uma ou duas horas por dia, geralmente a noite, quando passo meus cremes para o rosto, cuido dos cabelos, do corpo e arrumo as unhas sozinha.” E a pausa perfeita é assistir ao entardecer no rio Guaíba, “o por do sol mais lindo”, segundo ela.

Quando a repórter do iG pergunta que sonho ela ainda não conseguiu realizar, a resposta vem rápida: “Quero viajar pelo mundo conhecendo lugares maravilhosos, como a Itália e a Espanha. E também quero desbravar nosso Brasil maravilhoso, pois só conheço o Rio de Janeiro, São Paulo e o Paraná.”

Na mesa do café da manhã não podem faltar pão caseiro, schimier, nata, café preto bem fraquinho e o fanoso revidado, que são as sobras da janta que se aquecem com cebolas para o café.

Mas nas respostas da policial, as tradições gaúchas que ela ajuda a preservar também surgem com força: no café da manhã não podem faltar pão caseiro, manteiga, Schimier (doce de origem italiana, feito com frutas, perfeito para passar no pão), nata, café preto bem fraquinho e o famoso revirado (sobras de comida do jantar que se aquecem de manhã com cebola para o café). Churrasco, arroz de carreteiro, feijão mexido, quibebe são as comidas favoritas. “Mas na mesa de doces tem que ter ambrosia, doce de batata doce, doce de abóbora”, ela avisa.

“Tenho muito orgulho de ser gaúcha e brasileira”, diz, “Porto Alegre é minha selva de pedras porque tem arranha-céus maravilhosos, amo ser portoalegrense!” Mas preocupam a poluição, a violência, os jovens envolvidos com drogas, sem perspectiva de futuro. “Por ser policial militar, convivo com essa tristeza que não é apenas regional. Nos CGTs realizamos muitos programas com jovens, eles são o futuro do nosso País”

Da preocupação com os jovens, a conversa caminha para os orgânicos, que ela diz consumir com alguma regularidade, e reciclagem de lixo, que ela também pratica. Vegetariana? No sul, nem pensar, “adoro churrasco!”.

Brasileiras do Norte ao Sul

Helena Silvia Fialho Moreira, de Brasília, Distrito Federal

Rejane Maria Siqueira Cavalcanti, de Recife, Pernambuco

Márcia Cristina Borges da Silva, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Osvaldina Batista Valadares, de Belém, Pará

Thais Prado Horta, de São Paulo, São Paulo

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