Jornada de Arlynn Presser para enfrentar problemas de ansiedade e agorafobia (medo de sair em lugares abertos) deve virar filme

Irlanda, Filipinas, Malásia e Emirados Árabes foram alguns dos países visitados por Arlynn
Divulgação
Irlanda, Filipinas, Malásia e Emirados Árabes foram alguns dos países visitados por Arlynn

Resoluções de ano novo: muitos fazem poucos cumprem. Quem você conhece cuja dieta iniciada no dia 1º de janeiro triunfou? Quem realmente largou o cigarro ou deixou de tomar a cervejinha de domingo? A da escritora norte-americana Arlyn Presser, 51, feita em 2010 não era nada simples: visitar todos os 325 amigos do Facebook em um ano. Junte a isso o fato de Arlynn sofrer com excesso de ansiedade, agorafobia (medo de sair em lugares abertos) e crises de pânico, e está estabelecida uma missão quase impossível.

“Muitas pessoas me apoiaram desde o começo, outras disseram que eu era louca”, diz a autora sobre o momento em que anunciou para todos, com um vídeo no YouTube, o que iria fazer. Nos posts em seu blog, por onde foi relatado todo o processo, Arlynn falava ao fim de dezembro sobre suas dificuldades. “Eu não gosto de sair de casa. Posso passar dias sem interagir, de fato, com outra pessoa”.

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Antes de começar, era preciso bolar um método que desse conta de toda a organização necessária para fazer com que o projeto grandioso se tornasse realidade. A solução nada ‘high-tec’ encontrada foi separar os amigos em grupos, de acordo com a proximidade física entre as pessoas. Cada montinho de papéis representava uma viagem.

Método organizacional nada 'high-tec': bloquinhos de papel agrupados por região
Reprodução
Método organizacional nada 'high-tec': bloquinhos de papel agrupados por região
Ao todo, Arlynn passou por 51 cidades, espalhadas por 13 países. Itália, Irlanda, Coreia do Sul, Filipinas, Malásia e Emirados Árabes foram alguns deles. “O mais difícil era o começo de cada viagem, quando eu imaginava quanto esforço seria necessário para que tudo desse certo”, confessa.

Para financiar a jornada, foi preciso recorrer às economias.“Tinha juntado dinheiro por toda minha vida, talvez sabendo que alguma aventura me aguardaria mais a frente”, diz.

Por conta de não conhecer todos que tinha adicionados à rede social, Arlynn passou por alguns apuros. “Algumas pessoas não são quem elas dizem ser no Facebook”, relata. A autora conta que teve gente que confundiu o conceito de “conhecer todos os amigos do Facebook”, levando a iniciativa para um contexto sexual. Em outro caso, uma namorada ciumenta passou a persegui-la, depois de um encontro de Arlynn com seu par. “Tudo o que pude dizer é que ele era muito bom no Scrabble (um tipo de palavras cruzadas)”, brinca.

Para evitar problemas, Arlynn viajava sempre ao lado do filho Joseph, responsável por guiar o carro e carregar as malas – além de documentar os encontros em vídeo. Alguns cuidados como realizar os primeiros encontros sempre em lugares públicos também foram tomados. 

Passando por diversas realidades diferentes, a autora percebeu algo em comum entre boa parte de seus amigos: a dificuldade em aceitar a si mesmo. “Aprendi muito sobre as pessoas. Todos se acham estranhos e alguns até sentem vergonha dessas singularidades. Cheguei à conclusão, no entanto, que o conceito de ‘normal’ é muito abrangente”, escreveu no blog. 

Abrira garrafa com uma espada foi um dos aprendzados da escritora
Reprodução
Abrira garrafa com uma espada foi um dos aprendzados da escritora
Outro aspecto que pareceu próximo à boa parte dos visitados foi a luta constante por uma vida melhor. “Durante a jornada, percebi que esse ano (2011) foi muito duro para as pessoas. Muitos estão desempregados, batalhando para manter suas casas, preocupados com o futuro”, diz.

O aprendizado, no entanto, foi bem além disso. “Aprendi a abrir uma garrafa de champanhe com uma espada, a fazer movimentos de ioga e a dirigir um carro de stock car. Meus amigos do Facebook têm muito a me ensinar”, garante.

Mesmo com a vida de Arlynn dando uma verdadeira guinada depois que passou a seguir sua resolução de ano novo, a escritora deixa claro que seus distúrbios continuam vivos, ainda que atenuados pela possibilidade de sair de casa e conviver com novas pessoas. “Sempre terei problemas com ansiedade e medo, mas agora estou mais em paz com a situação”. 

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Desde a volta à rotina habitual, além de uma guinada na popularidade online – Arlynn passou de 325 amigos para mais de quatro mil -, a autora passou a receber uma série de mensagens de pessoas que relatam os mesmos problemas que ela. Sua missão, portanto, agora é outra.

“Meu foco este ano é visitar amigos no Facebook que pediram para que eu os ajudasse a superar seus próprios medos e ansiedades”, diz antes de arrematar: “sei o quão importante para mim foi o apoio das pessoas. Este ano quero passar isso adiante”.

Um documentário intitulado “Face to Facebook”, dirigido pelo diretor estreante Ben Gonzales – um dos amigos de Arlynn na rede social - contará a história em imagens. O filme ainda depende de patrocínios para se tornar realidade e não tem data de lançamento.

Confira o trailer:

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