Irmã do ator Jayme Periard conversou com o iG sobre o preconceito que sofreu de amigos e namorados por ter engordado 31 quilos

Sempre bronzeada, maquiagem caprichada e decotes generosos, Izabela garante que só vai à praia de biquíni, mas não esquece o preconceito de que foi vítima
Acervo pessoal
Sempre bronzeada, maquiagem caprichada e decotes generosos, Izabela garante que só vai à praia de biquíni, mas não esquece o preconceito de que foi vítima
Não é fácil para ninguém ouvir ofensas da pessoa amada. Não é fácil ouvir e muito menos esquecer. É o caso da empresária e produtora de eventos carioca Izabela Periard. “O cara que achei que era o homem da minha vida me disse que eu era uma velha gorda e que iria morrer seca”. Daqueles que ela julgava seus amigos só encontrou palavras de desânimo e incompreensão. “Fiquei mal. Nunca ninguém chegou pra mim perguntando se eu estava legal ou querendo saber o que estava acontecendo na minha vida naquele momento”, contou.

E qual foi o “crime” de Izabela? Bela, como é chamada pelos amigos, apenas engordou. Chegou a pesar 90 quilos, cerca de 30 acima de seu peso normal. O motivo foi a descoberta de um câncer de intestino em dona Edna, mãe de Izabela, há 10 anos. “Já fui magérrima, mas quando minha mãe descobriu o câncer, comecei a engordar. Ia dormir no hospital com a minha mãe com uma caixa de 15 brigadeiros”, revelou Izabela em entrevista ao iG , na livraria Argumento, no Leblon, zona sul do Rio.

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Na luta contra a balança há pouco menos de um ano, ela diz que agora faltam apenas 11 quilos para atingir o que ela considera ideal para a sua altura de 1,65m: 62 quilos. De dieta, a irmã do ator Jayme Periard, ainda leva consigo os efeitos da ansiedade que a fizeram comer sem controle. Sua primeira tentativa para emagrecer a fez tomar comprimidos de anfetamina que afetaram seu característico bom humor. “Odiei a experiência. Se é para tomar anfetamina, vou ficar branca, gorda e mal-humorada”, brinca. Atualmente, a dieta de Izabela é feita por um endocrinologista e uma médica ortomolecular. “Está dando um resultado absurdo. Faltam 11 quilos para eu chegar ao meu peso ideal”.

“Pior é comprar roupa em loja para gordinhos”, disse ela. Sobre as ofensas do namorado, ela diz que é coisa do passado e que não está nem aí para o cara. “Não tive namorado nos quatro anos seguintes, mas superei. Estou acostumada a fazer as coisas sozinha e não sofro de solidão”, afirmou.

Sempre sorrindo e de bem com a vida, Bela garante que sua alimentação é saudável e sem neuras. "Eu sou uma pessoa muito amada e feliz. Isso é o que importa", acrescentou.


iG: Você sofreu algum tipo de preconceito quando começou a engordar?
Izabela Periard:
Sofri preconceito profissional. Uma pessoa que não está no peso que a nossa sociedade julga aceitável, não está mais tão bem na fita para alguns trabalhos. Trabalhei com moda, então fiquei fora do meio. Mas nunca fiquei sem trabalho não. Sempre corri atrás.

iG: Você ouvia conselhos ou críticas depreciativas?
Izabela Periard:
Nunca ninguém chegou pra mim perguntando se eu estava legal ou querendo saber o que estava acontecendo na minha vida naquele momento. Cheguei a pesar 90 quilos e aí só ouvia críticas do tipo: “você não se ama mais”, “você está preguiçosa”... Ouvi muitas coisas que me deixaram triste de um namorado e de pessoas que eu considerava como amigo. Não foi legal.

iG: Você perdeu esse tal namorado por causa do excesso de peso?
Izabela Periard:
Cheguei a ouvir que eu era uma velha gorda e que iria morrer seca. Fiquei mal. Não tive namorado nos quatro anos seguintes, mas superei. Nunca tive paranoia de ter namorado só para mostrar que era amada por alguém.
iG: E hoje você está pesando quanto?
Izabela: Faltam 11 quilos para eu chegar ao meu corpo ideal, com 62 quilos e manequim 40.

iG: Você percebeu quando começou a engordar?
Izabela Periard:
Percebi sim. Foi há 10 anos quando a minha mãe descobriu um câncer no intestino. Aquela notícia foi um baque enorme na minha vida. Eu saía do trabalho e ia dormir no hospital com a minha mãe com uma caixa de 15 brigadeiros.

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iG: Quando veio o estalo para você voltar a se cuidar?
Izabela Periard:
Na realidade, nunca deixei de cuidar de mim. A gordura não era uma coisa que me incomodava. Sou muito feliz na minha casa. Sou muito amada em casa. Mas há pouco menos de um ano pensei: “tenho que modificar alguma coisa na minha vida”. E comecei a procurar orientação médica para fazer uma dieta.

iG: Quando você começou a engordar perdeu a vaidade?
Izabela Periard
: Vaidade para mim é estar bem antes de qualquer outra coisa. O que aconteceu comigo é que eu deixei de fazer a coisa que eu mais gostava que é ir à praia, para cuidar da minha mãe.

iG: Você se casou?
Izabela Periard:
Não quis me casar. E não me arrependo.

iG: Está namorando atualmente?
Izabela Periard:
Estou vivendo um affair (risos). Graças a Deus tem gente que gosta das cheinhas

iG: O que é pior para você: comprar roupas em lojas de gordinhos ou tirar a roupa pela primeira vez para um namorado?
Izabela Periard:
Nem pensar em comprar roupas em lojas para gordos. Continuo usando minhas calças Levi’s. Só a numeração que aumentou um pouquinho. Na verdade, para me vestir, respeito os limites da minha idade e não do meu corpo. Quanto a tirar roupa na frente de um cara, não tenho nenhum problema com minha nudez.

iG: Que tipo de regime já tentou fazer?
Izabela Periard
: Logo que decidi emagrecer tomei anfetamina por dois meses. Odiei a experiência. Se é para tomar anfetamina, vou ficar branca, gorda e mal-humorada. Atualmente, me cuido com medicina ortomolecular orientada por Jaqueline Renault e com o endocrinologista Tercio Rocha. Está dando um resultado absurdo.

iG: Você pratica exercícios físicos?
Izabela Periard:
Acho academia um saco. Sempre fui preguiçosa. Sou rebelde. Finjo que estou doente, mato aula. Estou precisando de um personal que me assuma quase que como mulher dele. (risos)

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