Manter roupas que não servem mais e peças pequenas na esperança de emagrecer atrapalha a conquista de um peso estável

Pesquisa mapeou as roupas de 4 mil mulheres ente 18 e 65 anos
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Pesquisa mapeou as roupas de 4 mil mulheres ente 18 e 65 anos
As numerações variam do 36 ao 48. Há peças de várias coleções e roupas por todos os lados. São tantas opções que fica difícil se encontrar no meio delas. A cena não corresponde a uma loja abarrotada de novidades, e sim a boa parte dos guarda-roupas femininos. Entre gavetas e prateleiras, pipocam peças menores (que um dia deverão servir) ou enormes (de outros tempos, que já ficaram largas demais). 

Uma pesquisa inglesa traduziu esse hábito em números: em média, as mulheres têm doze peças de roupa que não são usadas há anos e três numerações diferentes no armário. O acervo desnecessário soma aproximadamente 290 libras, valor correspondente a R$770. E se juntarmos os guarda-roupas de toda a população feminina do Reino Unido, isso equivale a 5,4 bilhões de libras ou R$14,3 bilhões em roupas esperando o dia em que voltarão a caber em suas donas. 

O mar de roupas é realidade para a consultora Mariana Mello Machado, de 27 anos. Com manequim 46, ela acumula peças com numeração variada: do 38 ao 46, além de uma ou outra no tamanho 50. Segundo seus cálculos, só 20% do guarda-roupa está no tamanho adequado. “Quanto ao resto, eu estou esperando mudar de peso”, conta. “Minha mãe diz para eu me livrar das roupas, mas falo que vou entrar em todas. Eu não aceito jogar fora”, defende. Mariana convive com o efeito sanfona há anos, mas bate o pé e não abre mão nem mesmo de uma microssaia, que segunda ela, nunca será usada.
Mariana tem peças de vários tamanho; na reserva, boa parte é guardada em malas
Dorivan Marinho, FotoArena
Mariana tem peças de vários tamanho; na reserva, boa parte é guardada em malas

Essa confusão e excessos é, em grande parte, reflexo da insatisfação com a imagem corporal. “O peso estável oscila, numa mulher média (entre 50 e 60 quilos), cerca de um quilo, e isso não é suficiente para mudar a numeração do guarda-roupa”, diz Marle Alvarenga, doutora em nutrição humana pela Universidade de São Paulo, da clínica Genta. “Não é legal manter um guarda-roupa assumindo essa oscilação fora do normal. Agir perseguindo modelos externos ou uma imagem do que a pessoa já foi prejudica o ser feliz hoje”, diz a nutricionista. E se o efeito sanfona é uma constante, pode ser um indício de transtorno alimentar.

Em outros casos, guardar roupas inúteis tem a ver com a lembrança de uma época da vida. A gerente comercial Juliana Alcântara, de 33 anos, se desapega com facilidade de algumas peças, mas não abre mão das roupas de família, garimpadas até do guarda-roupa da bisavó. “Estão junto com a roupa de dia a dia, e o que eu posso, eu uso”, afirma. “Antes eu me preocupava mais em manter as peças, agora eu sei que posso emagrecer e me arrepender, mas não fico mais guardando.” Para Juliana, desapegar é fundamental para abrir espaço para o novo.

A pesquisa inglesa, que foi encomendada pela empresa de alimentos integrais Wholegrain Goodness e publicada pelo jornal inglês Daily Mail, comprovou também outro mau hábito feminino: 52% das mulheres compram roupas pequenas demais na esperança de que elas caibam depois de uma dieta. E se está nos planos limar os excessos da silhueta, pode ser um bom começo tirar as gordurinhas do guarda-roupa.

As peças campeãs de poeira:

1. Jeans
2. Calças sociais
3. Sutiãs
4. Macacões
5. Regatas

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