Três livros para você mergulhar no Lado B das mulheres belas, famosas e...tristes!

Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
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Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
Nas telas, nas páginas duplas das revistas, nos outdoors, elas nos encaram, provocantes, sempre tão belas.

Nosso olhar de inveja ou admiração não parece incomodá-las nem um pouco, ao contrário, embora vivam para nós, o que pensamos ou sentimos não consegue atingi-las, nessa solidão de palco.

A vida delas voa, e em ritmo de novela, uma sucessão de grandes amores, grandes tragédias, tudo hiperbólico, a vida com excesso de makeup.

Nessa vida de espetáculo, não cabem as tristezas miúdas do dia a dia, as vergonhas, os micos, os erros, dos mais bobos aos mais graves. Para nós, diva que é diva não erra, elas se movem ao sabor da fatalidade.

Mas chegue um pouco mais perto do palco e você talvez enxergue alguma coisa fora do script. As divas tem sim um lado B. E esse lado, conta uma outra história.

Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
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Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
O livro, não é um lançamento, mas cabe aqui, primeiro porque estava esgotado e uma reimpressão acaba de sair do forno, segundo porque a autora, Tetê Ribeiro, jornalista, reconta a história de algumas dessas mulheres, Ingrid Bergman, Tina Turner, Maria Callas, Sylvia Plath e, claro, Marilyn Monroe e Lady Di, tentando capturar aqueles sofrimentos miúdos, invisíveis vistos aqui da plateia.

A gente descobre que os pais de Lady Di queriam um menino, que brigavam muito, que o irmão chorava toda noite antes de dormir, mas ela não conseguia acudi-lo porque, tinha pavor de escuro e não tinha coragem de levantar da cama! Descobre que Maria Callas um dia teve que ouvir do diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro que tinha feito uma péssima apresentação na noite anterior e que ele não devia pagar-lhe um tostão por aquela droga! Que Sylvia Plath sofria de depressão, que Ingrid Bergman ficou seis meses trancada num quarto depois que o pai morreu.


Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
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Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
No lado B das divas também se escondem outros tipos de segredo. Quem diria que Coco Chanel, por exemplo, símbolo máximo da elegância que só as mulheres francesas têm, foi amante de um oficial alemão durante a ocupação de Paris pelos nazistas, entre 1941 e 1944. Pior, a pesquisa, considerada de primeira linha, que o jornalista Hal Vaughan fez para escrever Dormindo com o Inimigo, revela que não era só um caso de amor cego e louco. Coco teria sido na verdade, colaboradora oficial da Alemanha hitlerista! Isso para não falar que ela passou a infância num abrigo para crianças pobres e que o apelido charmoso, Coco, ela ganhou muito jovem, quando trabalhava como costureira e cantava num bar à noite. Coco seria o diminutivo de 'cocotte', que é a palavra que os franceses do início do século passado, muito elegantemente, usavam para referir-se às...prostitutas!

Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
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Nos dez últimos anos da vida de Virginia Woolf, a escritora flertava com a morte
Enquanto Coco Chanel dormia com o inimigo, Virginia Woolf se suicidava, afogando-se num lago da Inglaterra com os bolsos cheios de pedras. Era 1941, em plena guerra. Ao contrário de Chanel, Virginia seria definida como uma "guerrilheira vestida à moda da Rainha Vitória" por Jane Marcus, uma das maiores conhecedoras da sua obra. No livro que acaba de sair pela Cosac Naif, Virginia Woolf, a medida da vida, o professor Herbert Marder literalmente mergulha nos diários da escritora como quem busca tesouros no fundo do mar. O livro é mais gostoso de ler do que você pode estar imaginando. Marder reconta os dez últimos anos de vida da escritora, fala de seu engajamento político, de suas atitudes libertárias, anti-fascistas, feministas, de sua criatividade sempre ameaçada pelas enxaquecas e alucinações e da sua fascinação pela água, que ela escolheria para ser seu túmulo.

A diva Virginia Woolf que surge do livro é uma mulher torturada, dolorosamente consciente de seus próprios processos mentais e, talvez por isso mesmo, incrivelmente moderna.

Pobres divas!

Virginia Woolf, a medida da vida
Autor: Herbert Marder
Editora:COSAC NAIFY

Divas abandonadas – os amores e os sofrimentos das maiores divas do século XX
Autor: Tetê Ribeiro
Editora: JABOTICABA

Dormindo com o inimigo, a guerra secreta de Coco Chanel
Autor: Hal Vaughan
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS

Mais duas biografias de mulheres extraordinárias, belas e sofridas

Frida, a biografia
Um clássico para descobrir a vida da artista-ícone do México, Frida Kahlo. Esse relançamento é a 11a. edição!
Autor: Hayden Herrera
Editora: GLOBO

Edith Piaf, Uma vida

Carolyn Burke gosta de contar a vida de mulheres, nessa biografia, ela mostra uma Edith Piaf atormentada, sim, mas 'sem arrependimentos'.
Autor: Carolyn Burke
Editora: LEYA BRASIL

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