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Filhos de ateus buscam a fé fora de casa

Nem sempre os filhos seguem a religião dos pais. E quando os pais não têm religião, a coisa não é diferente

Jaqueline Li, especial para o iG | 09/05/2011 07:35

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Foto: Wallace Teixeira/Fotoarena Ampliar

Marina, como seus pais, não tinha religião. Mas acabou se convertendo depois de conhecer o namorado Bernardo

Larissa Queiroz recebe uma carta de uma instituição filantrópica e, dentro do envelope, descobre um terço de plástico de brinde. A filha Beatriz, de sete anos, adora a novidade e coloca no pescoço na mesma hora. “Expliquei que aquilo não era um colar, disse do que se tratava e me parece que ela ficou ainda mais interessada”, conta a mãe recifense que vive em São Paulo. Desde então, a pequena pede para rezar toda noite. Outro dia, convenceu o pai a levá-la a uma missa pela primeira vez.

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As novas gerações de céticos, agnósticos e ateus não casam na igreja, não batizam seus filhos, nem têm religião ou falam de fé. Eles simplesmente desconsideram a existência de Deus. “Esse assunto jamais foi tocado aqui casa, inclusive escolhemos a escola com base nisso. Descartamos todas aquelas com qualquer enfoque religioso”, completa Larissa.

Mas isso não impede que, em alguns casos, seus filhos sintam a necessidade e até cobrem uma discussão sobre fé e religião. De acordo com Eduardo Rodrigues da Cruz, professor do Programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de São Paulo, os psicólogos cognitivos tem estudado o assunto com crianças de várias faixas etárias. “Suas conclusões: todos somos naturalmente teístas, e, à medida que crescemos, vamos diversificando nossas posturas”, afirma o doutor em teologia, que também é mestre em física. Ou seja, para ele, a fé é uma postura “natural”, que é racionalizada conforme amadurecemos

Crente por natureza
O polêmico cientista britânico Richard Dawkins também defende essa ideia. Conhecido como ‘devoto de Darwin’, em seu bestseller “Deus, um delírio”, o autor sugere que todas as crianças são dualistas (aceitam que corpo e alma sejam duas coisas distintas) e teleológicas (demandam designição de um propósito para tudo) por natureza. Assim, o darwinista dá conta de explicar o que poderíamos chamar de hereditariedade religiosa na qual, inevitavelmente, acabamos por seguir a opção de fé de nossos pais. Só que nem sempre é assim.

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Em uma noite de mais de uma hora de apagão, escuro total e absoluto, Beatriz, a filha de Larissa, teve uma ideia: "vamos rezar para a luz voltar”. “Eu lógico, relutante, tentei explicar que não adiantaria, mas ela insistiu, insistiu e rezamos. Um minuto depois, a luz voltou”, descreve. Em seu blog, Larissa desabafa: “será que temos como evitar isso? Estou achando que não”.

Marina de Oliveira Pais, carioca, é filha de pai ateu. Sua mãe, assim como muitos brasileiros, foi batizada, mas não pratica nenhuma religião. “Minha mãe não sabe dizer de que doutrina é, por isso também nunca soube muito bem no que acreditar. Eu tinha fé na ‘força do pensamento’, que se pensássemos positivo atrairíamos coisas positivas e se pensássemos negativo atrairíamos coisas negativas”, diz a jovem de 22 anos.

Quando decidiu morar sozinha pela primeira vez, Marina conheceu Bernardo Nogueira, de 20 anos. Apaixonada, ela conseguiu resistir aos convites da família do namorado para ir a uma igreja evangélica só por alguns meses. Mas relata que, já na primeira vez que assistiu ao culto, teve certeza de que estava no lugar certo. “Fiquei maravilhada”, descreve.

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Ela então mudou drasticamente seu estilo de vida. “Cortei a bebida, as baladas e os palavrões. Hoje meus pais respeitam minha situação de convertida justamente por essas minhas mudanças comportamentais”, afirma.

Sentir-se acolhida em uma doutrina que se baseia na Bíblia é justamente o que importa hoje para Jaqueline Slongo, de 23 anos. Depois de um tempo separados, ela voltou a viver na cidade natal de Curitiba com o pai ateu. Ironicamente, por conta de uma bolsa de estudos, a então adolescente foi estudar em um colégio católico. O retorno à cidade grande, onde as desigualdades sociais são mais gritantes, o descobrimento da Bíblia e a fase de mudanças, levantaram muitos questionamentos. “Comecei a me questionar sobre a existência de Deus, fazia perguntas para as freiras do colégio, mas as respostas não me saciavam", lembra.

Black out
Jaqueline começou a achar que havia alguma coisa errada entre o que lia e o que pregavam suas 'instrutoras espirituais'. "Elas me mandavam rezar, mas eu não curtia”, confessa. Seu pai viajava muito e, como não acreditava em Deus, a filha preferia não falar sobre o assunto com ele. O processo foi sofrido, e aconteceu em meio às transformações da adolescência, à ausência dos pais, e à angústia causada por sintomas de depressão. “Eu era muito agressiva, rebelde, intolerante. Não tinha amigos e sempre me isolava”, conta.

Ela então buscou alívio e conforto na religião. Hoje, a estudante se considera protestante, mas passou por diversas comunidades cristãs diferentes. Diz que não se importa com rótulos, mas sente que é preciso estar em grupo. “Acho importante a vivência em comunidade, pois é no relacionamento com outros que seu caráter se constrói”, afirma.

Com o pai, ficou cinco anos sem poder comentar nada sobre sua fé. Até que, há três meses, consciente da mudança espiritual da filha, ele lhe pediu que comentasse, ‘de forma sucinta’, no que exatamente ela acreditava. A partir de então, ela diz, ele tem pedido que também reze por ele.

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    252 Comentários |

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    • Luciano | 11/05/2011 07:23

      Interessante, acabei de ler uma matéria em outro site sobre um estudo que diz que a religião está fadada a "extinção" em 9 países dentro das proximas décadas. Outro fato interessante é que, com exceção da Republica Tcheca, todos os países citados possuem altíssimo nível de desenvolvimento humano e renda per capita. Então me pergunto, será que Deus não se faz presente na vida dos povos mais afortunados? ou será que Deus tem alguma preferência pelos povos mais pobres e necessitados por uma mera questão de prioridade? ou será que o óbvio não nos indica que essas mesmas populações dos países pobres, com baixos níveis de instrução, cultura, maiores índices de violência, péssima educação e baixa renda, são justamente aquelas que mais buscam por Deus na tentativa de suprirem suas carências?\n\nSobre a moça da matéria, não é surpresa o fato dela ter se convertido pela mesma religião do namorado. Estranho mesmo seria se ela se convertesse ao taoísmo, tendo o namorado crente.\n\nObrigado\n

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    • adna | 10/05/2011 21:52

      É verdade, não há felicidade maior do que termos o encontro com DEUS. É lindo, é maravilhoso. Não dá para traduzir em palavras..é preciso sentir. Uma coisa é certa e eu sei, não existe vida, sem DEUS. Não existe plenitude semDeus. É um vazio que nada do mundo preenche. Voce rala, perambula por todos os cantos, busca em relacionamento desastrosos, no alcoool, na droga, na compra compulsiva, no sexo desregrado, e nada preenche e o pior é nem nós sabemos a razão do vazio. Buscamos tribos, modos mais estranhos de vida, nada...não temos familia, não temos amor dos pais, tudo na vida é um caós...até que um dia, em meio do silencio de uma catedral, voce entra, fica observando tudo, acha ridiculo, fanatico, babaca, até que mesmo sem se dá conta, surge aquela paz, aquela sensação de que está sendo vista tendo atenção de alguém. É assim que me senti..e Ele vem a nós, mansinho, amoroso, compreensivo, misericordioso, toma conta de voce. HOJE EU SEI COM CERTEZA E CLAREZA MERIDIANA, NÃO SEI VIVER SEM DEUS, NÃO SEI VIVER SEM JESUS EM MIM. SOU FELIZ, DENTRO DE MIM É MUITO FORTE, MUITO LINDO, MUITO PROFUNDO, É VIDA...A SIMPLICIDADE DE JESUS É ALGO INEXPLICAVEL, EXISTE COISA MAIS LINDA QUE OBSERVAR A SINGILESA DO NASCIMENTO DE JESUS? A FAMILIA, LEIA LUCAS, SINTA A GRANDEZA, A BELEZA DO AMOR DE DEUS...TENHO CERTEZA, NUNCA MAIS HAVERÁ VAZIO, TRISTEZA SEM A CERTEZA DA ALEGRIA, A DOR SEM A CERTEZA DA SUPERAÇÃO. É TÃO LINDO....NÃO SEI COMO FIQUEI TANTO TEMPO SEM DEUS.

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    • Marco | 10/05/2011 21:35

      Sugiro fazer uma reportagem com o título "filhos de religiosos buscam o ateísmo fora de casa", para não haver parcialidade. Sou ateu e minha companheira é religiosa, da Assembléia de Deus. Nem por isso há falta de respeito às nossas convicções. Muitos de nossos princípios éticos são os mesmos, ou seja, a ética independe de religião. Quando o relacionamento é baseado na maturidade e na sinceridade, estas questões são insignificantes. Nossas discussões sobre religião são dentro da tolerância e respeito, mesmo havendo posições totalmente contrárias. Pena que a intolerância nessas questões geralmente partem dos religiosos, pois não admitem que se pode ser justo, correto, ético e dignos sem a presença dessa figura lendária e imaginária, criada pelo homem.

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    • robyson wagner | 10/05/2011 21:33

      como as pesquisas estao certas em,afirmar que muitos ou milhares de alunos brasileiros nao compreendem, nao conseguem fazer intepretaçao de texto.logo após que terminam o ensino médio. todos puxando o saco de um DEUS NO MÍNIMO MENTIROSO.e não se dão conta disso.vamos ver se agora voces conseguem intepretar o texto sem fanatísmo. olha a promessa que esse DEUS fez para o povo escolhido por ele '''acho que todos sabem''' mas vou citar para os que porventura não sabem,o povo escolhido por DEUS é o povo judeu.vejamos a promessa,MIL CAIRÃO A TEU LADO DEZ MIL A TUA DIREITA MAS TU NÃO SERAS ATINGIDO.esse texto faz parte dos SALMOS DE DAVI,inspirado por DEUS.não sei para voces, mas para mim essa promessa quer dizer que, nenhuma tragédia,nem um acidente,nenhuma fatalidade,nenhum mal,nenhuma desgraça poderia chegar perto dos judeus certo? errado,veio o maldito Adolf Hitler pois não concordo com o que ele fez.e mostrou que infelismente por mais dolorido que possa ser.MATOU 6 MILHÕES DE JUDEUS muito pior doque o faraó,e dessa vez nem um copo de agua da alemanha se transformou em sangue.não houve pragas de gafanhoto.nem aquele ultimo ato ''singelo'' de DEUS de matar as tão perigosas criancinhas primogênitas.para salvar meia duzia de judeus,voces que acreditam nesse '''''DEUS BONDOSO''''' conseguiram intepretar esse texto mentiroso.

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    • Mário | 10/05/2011 21:19

      Deus e religião, são instrumentos de dominação política

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    • E.Silva | 10/05/2011 20:23

      Defendo a tese de que não existem ateus.\nO que existe é a conveniência de dizer-se ateu.\nQuando tudo vai bem na vida muitas pessoas dizem que são atéias,mas quando estão numa adversidade grave na vida,deixam de ser.\nUm exemplo prático disso ocorreu no incêndio do edifício Joelma.\nLá haviam muitos ateus que quando viram o fogo chegar perto das suas peles,clamaram por Deus e por muitos Santos.\nNão foram capazes de morrer com dignidade,sustentando a convicção de ateu.

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    • PAFUNCIO | 10/05/2011 19:44

      Muita gente diz que crê em DEUS. Se realmente acreditassem em DEUS porque o usam para enganar os seus semelhantes? Quando vejo um jogador de futebol dizendo deus me abençou e eu marcei o gol da vitória, me pergunto;Por que abençou só ele se os outros estavam em busca do mesmo ojegetivo? Penso que o fanatismo distorce as coisas. Acredito em DEUS e não em balção de negócios, como certas religiões estão fazendo. Deus que é DEUS, não precisa de Dízimo, muito menos de doações para enriquecer pastor analfabeto. .Se quer ser meu discipulo vai vende tudo o que tens e dê aos pobres , depois me siga.

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    • João Alberto Afonso | 10/05/2011 19:22

      Respeito muito a posição daqueles que são ateus, coisa que fui a partir de um momento na vida que entendia a vida como só aqui existente. Mas no curso dos anos, diante da perda do meu pai e acidente com uma filha. A fé retornou na medida em que recebi, que seja dormindo, meu pai dizendo que estava bem e que eu deveria seguir minha vida e, especialmente, perseguir meu sonhos. Com relação ao acidente em tela, minha própria filha , então com 14 anos e internada, recebeu a visita de boa quantidade de entidades, todas de branco, que a operaram. Resultado da ópera, ao revés de 50 dias e sofrido tratamento, 12 dias depois estava em casa e nove meses depois se formou bailarina. E mais, quanto a impossibilidade de ter filhos, diagnóstico médico, já me deu uma netinha que é um verdadeiro anjo. Que a fé venha para todos.

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    • claudio | 10/05/2011 19:15

      Fica difícil aceitar um Deus imposto a séculos por fanáticos, imperadores , papas, pastores, etc... . Sabemos através da história que muita gente lucrou e lucra com esse "Deus S/A" com pregação de humildade a todos , que tenham uma vida simples e que paguem o tributo aos governantes e o dízimo às igrejas sem murmurar, pois o tal Deus não aceita. grandes impérios foram e são construídos transformando-se em empresas , passando de pai para filho. Muitos se auto proclamam o intermediário entre Deus e os homens e há os pobres coitados que acreditam.\nUma coisa é certa, o ser humano é carente e se Jesus é o caminho estes lobos são os pedágios.

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    • DEFENSOR | 10/05/2011 18:51

      ENTÃO.. QUEM NÃO ACREDITA EM "DEUS" ACREDITAM EM QUE???? NOS HOMENS, QUE MORREM E MORRERAM DOENTES, NO DINHEIRO.. UM PAPEL CHEIO DE BACTERIAS E QUE PERDE O VALOR, NA CIENCIA.. QUE MUDA DE PENSAMENTO A CADA MOMENTO. SEI LA... PARA AQUELES QUE NÃO ACREDITAM EM DEUS, EM QUE ACREDITAM AFINAL EM VOCES MESMOS CONSIDERAM UM PROPRIO deus.

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