Francesas alegam que a distinção "atenta contra suas vidas particulares" e que aos homens não é pedido que indiquem estado civil

Feministas francesas alegam que formulários que pedem o estado civil da mulher revelam atitude machista
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Feministas francesas alegam que formulários que pedem o estado civil da mulher revelam atitude machista
Associações de feministas lançaram uma campanha para retirar dos formulários da França a distinção entre "mademoiselle" e "madame", por "atentar contra a vida particular das mulheres", explicou nesta quarta-feira Agathe Paintaud, representante do coletivo "Osez le féminisme!". A opção, amplamente utilizada nos formulários oficiais e corporativos da França, mas que não é obrigatória por lei, se "intromete" na privacidade das mulheres e revela um tratamento "machista", alegou Agathe, que argumentou que aos homens "não é solicitado que indiquem seu estado civil".

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Para o "Osez le féminisme!", esse costume é "revelador da concepção retrógada do casamento", visto que "transmite a impressão de que uma mulher só alcança sua plenitude depois de casada, quando, então, a 'madame' (senhora) se iguala ao 'monsieur' (senhor)".

Além disso, Agathe especificou que outros países como Dinamarca, Alemanha e Portugal extinguiram seu uso administrativo, e que na França essa prática não tem sentido, já que atualmente "um em cada dois nascimentos" acontece fora do casamento.

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A campanha, que busca se espalhar a partir do site "madameoumadame.fr", tentará conseguir o pronunciamento do governo francês sobre a questão, embora a dificuldade principal dessa luta se encontre precisamente no fato de que a lei não obriga que a diferenciação seja utilizada. Pedimos que os costumes mudem e que não sejam colocados obstáculos às mulheres que querem mudar esse aspecto", destacou Agathe, afirmando que "frequentemente" as pessoas do sexo feminino se deparam com exigências de papéis que certifiquem seu estado civil "quando as instituições não têm direito a isso".

A militante feminista também lembrou que existem outros exemplos de linguagem sexista na administração pública, como a solicitação do sobrenome de solteira às mulheres casadas, já que a maioria das francesas muda seu sobrenome após o matrimônio.

Embora esses gestos sejam simbólicos, "fazem parte de um todo" que se expressa de forma mais visível em questões como a desigualdade salarial e os maus-tratos, avaliou.

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