Com números crescendo, liderança feminina na casa é associada a sentimentos como 'pressão', 'independência' e 'ressentimento'

O número de chefes de família aumentou quase 35
por cento nos últimos dez anos, mas elas ainda
associam a experiência a sentimentos como
pressão e ressentimento
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O número de chefes de família aumentou quase 35 por cento nos últimos dez anos, mas elas ainda associam a experiência a sentimentos como pressão e ressentimento
Em tempos remotos isto seria praticamente improvável, mas no século 21 o trabalho de muitas mulheres já se tornou o principal “ganha-pão” da família. Esta experiência, de acordo com recente estudo realizado pela Dra. Rebecca Meisenbach, da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, além de representar uma mudança importante na estrutura familiar, pode ajudar as mulheres a criar e administrar suas respectivas identidades.

Publicado recentemente pela editora internacional Springer, o estudo explora a vivência de 15 mil norte-americanas entre 26 e 63 anos cujas rendas mensais compõem a maior parte do sustento da casa. Segundo o jornal online ScienceDaily, a pesquisadora levanta a hipótese de que esta situação pode causar mais tensão nas mulheres do que nos homens – em parte porque elas ainda enfrentam a perspectiva cultural de cuidar dos filhos mesmo quando trabalham fora de casa.

No entanto, controle, independência, ambição, pressão, preocupação, culpa e ressentimento também estão na lista de sensações comuns a todas as participantes do estudo. A realizadora do estudo acredita que, com a publicação, as implicações sobre o papel da mulher diminuirão.

Ela também enfatiza a necessidade das organizações delinearem políticas que reconheçam os funcionários de ambos os sexos como principais fontes de renda para suas respectivas famílias: “a chefe de família é um papel cada vez mais importante e comum na sociedade contemporânea e que causa impactos nas relações familiares, nas identidades individuais e nas políticas organizacionais”, declarou ao ScienceDaily.

O número de mulheres que são chefes de família nos Estados Unidos também está relacionado, em parte, com a recessão. De acordo com artigo publicado pelo jornal britânico The Guardian em outubro, o número de homens que perderam seus empregos aumentou quase 50% durante este período enquanto 79% das mulheres do país pensavam em ampliar o horário de trabalho, preocupadas com a possibilidade de seus parceiros serem demitidos.

Segundo o mesmo artigo, em estudo realizado em 2007 pela companhia inglesa Future Foundation, apenas 14% dos lares do Reino Unido possuíam uma mulher como condutora naquele ano, mas a previsão é de que o número dobre até 2030.

No Brasil, os números são outros. Segundo dados do IBGE, o número de mulheres chefes de família cresceu 34,9% nos últimos dez anos e a liderança feminina é constatada em 9,1% dos casos em que o marido está presente em casa.

Por outro lado, mesmo com a presença feminina em alta no mercado de trabalho, o IBGE informou que, em 2005, 92% destas mulheres também cuidavam dos afazeres domésticos – o que demonstra ainda a falta da participação masculina na divisão das tarefas da casa.

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