As autoras do livro "La Cenicienta que No Quería Comer Perdices" falam de suas expectativas e do que falta às mulheres de hoje

Nunila e Myriam: o poder de dizer
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Nunila e Myriam: o poder de dizer "basta!"
iG Quais eram as histórias favoritas de vocês quando eram crianças?
Nunila López:
"O Pinheiro", sobre um pinheiro que no bosque sonhava em ser cortado para virar árvore de Natal, sem saber que este viria a ser seu fim.
Myriam Cameros: O Sapateiro e os Duendes; acho que o nome era esse... Era sobre um sapateiro que foi encarregado pelo rei de um trabalho quase impossível, a ser entregue em dois dias. O velho sapateiro acaba dormindo, no segundo dia, de tão cansado de trabalhar - e alguns duendes terminaram a encomenda para ele. Olhando de agora, me sinto um pouco como este sapateiro, com os projetos de ilustração que me encomendam.

De onde surgiu a ideia para o livro?
Myriam Cameros:
Foi uma encomenda de um grupo de mulheres de um bairro de Barcelona que sofreram violência. Elas diziam que os contos não lhes haviam ajudado em nada, pelo contrário: eles até haviam influenciado para que elas terminassem nessa situação. Queriam que fosse uma versão de um clássico.

Qual a expectativa que tinham com o livro? Vocês se surpreenderam?
Myriam Cameros:
O livro estava pronto há cinco anos, mandamos a muitas editoras e nenhuma nos respondeu. Este ano, decidimos optar pela "autopublicação", com uma pequena tiragem. Pedimos ajuda a nossos amigos pela internet; este email foi reenviado e reenviado e, dentro de uma semana, estava chegando dinheiro do mundo todo para que pudéssemos publicá-lo. Depois de nossa primeira edição, veio a editora Planeta, que fez com que o livro chegasse a todos os lugares onde não poderíamos chegar.

Vocês disseram "basta!" recentemente? Para o quê?
Nunila López:
Sempre que preciso. Ultimamente, tenho dito "basta" a várias propostas de trabalho que me não me satisfazem.
Myriam Cameros: Estou tentando dizer "basta" para o fato de não ser minha própria prioridade.

O que falta na vida das mulheres de hoje?
Myriam Cameros:
Amor próprio.

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