Entre caixinhas, doações e presentes, a crise está obrigando as pessoas a serem mais seletivas com a generosidade de fim de ano

Esta é a época do ano em que nos pedem todo tipo de doações. Sempre acho o processo moderadamente estressante, mas não porque minha esposa e eu ficamos angustiados sobre o quanto doar. Existem muitos guias que dizem quanto dar ao carteiro (proibido, nos EUA, de receber dinheiro vivo _ e os presentes que não são em dinheiro não podem exceder a US$ 20) e à babá (pelo menos US$ 75, sem dar menos do que no ano anterior). Minha filha entrou na pré-escola neste ano, então temos uma nova categoria na nossa lista, incluindo itens como presentes para professoras e contribuições para o fundo anual da escola. Porém, isso foi fácil de resolver. Simplesmente perguntamos a outros pais quanto eles deram.

Contudo, como não vivemos num momento econômico comum, e muita gente está desempregada ou subempregada, alguns dos pedidos de dinheiro deste ano não cabem num cálculo matemático claro. Você deve agradecer com um presente? E como calcular a quantia adequada?

Presentes com empatia
Brian O'Connor, diretor de marketing e relações públicas da Cunard, que opera cruzeiros marítimos, disse que notou algo diferente na miríade de pedidos de doações anuais que vem recebendo: mais amigos pedindo ajuda. São apelos que "variam de amigos individuais me pedindo no Facebook para ajudar os outros dizendo: 'Estou meio curto de grana e quero fazer algo pelas crianças'. É dureza".

Kristin Hanson, designer de joias de Nova York, priorizou as doações para seus contatos profissionais
NYT/The New York Times
Kristin Hanson, designer de joias de Nova York, priorizou as doações para seus contatos profissionais
Tais pedidos são o que Elizabeth Franklin, fundadora e CEO do Franklin Report, guia sofisticado de prestadores de serviços, chama de "presentes de empatia". Eles são uma resposta direta à situação econômica e o desejo de alguém com mais para ajudar alguém com menos.

Franklin disse que uma amiga deu uma caixinha de US$ 1.000 à cabeleireira, que estava pastando para manter as crianças na escola. Ela disse que a amiga deu a seguinte explicação: "Ela está sofrendo mais do que eu para segurar as pontas." Melanie McGlade, que mora em Darien, Connecticut, fez algo mais radical. Ela cancelou o Natal para os dois filhos, de 12 e 17 anos, e está dando o dinheiro que gastaria em seus presentes a instituições de caridade locais que ajudam crianças pobres.

"Meus filhos ficaram loucos. Eles compreendem cem por cento e sabem que é a coisa certa, mas não seria natural se não reclamassem um pouco." Ainda assim, ela lhes lembrou que ganham roupa sempre que precisam durante o ano todo e logo estarão viajando para o Colorado.

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Enquanto seus filhos podem estar zangados, Joshua Perry, professor assistente da Kelley School of Business, Universidade de Indiana, afirmou que um gesto semelhante poderia lembrar os presenteadores de sua boa sorte. "Às vezes é bom ter um pouco de humildade em relação à boa sorte que muitos de nós podemos desfrutar, e reconhecer que durante uma vida, podem acontecer desvios aqui e ali e que nós poderíamos ser o cara que está penando."

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O'Connor contou ter planejado enviar discretamente cheques para os amigos que pediram ajuda. "Acredito que existe um carma positivo em manter o dinheiro fluindo ao seu redor, seja dando uma gorjeta gorda para um ótimo garçom ou contribuindo com aquele amigo enrolado em pagar a conta de luz."

Obrigações
Nem todos os pedidos de fim de ano nascem da boa vontade. Alguns parecem extorsões à moda antiga. Esse é o caso de uma corretora bancária, que pediu para não ter o nome citado por medo de perder o emprego. Ela recebeu um e-mail em dezembro listando quanto as pessoas de diferentes cargos deveriam doar para um presente de fim de ano para os assistentes da equipe. Os valores variavam de US$ 100 a US$ 250. "Todo ano, a questão é quanto dinheiro você dá para todas essas pessoas, de professores a colegas de trabalho. Seria melhor se fosse opcional."

Seu chefe não gostou do argumento e, basicamente, a mandou entrar na linha. "Por que vou doar para um colega e não para o cara do Starbucks que, pelo menos, se lembra de que tipo de café eu gosto?" Anna Post, trineta de Emily Post e coautora da recém-publicada 18ª edição de "Emily Post's Etiquette" (HarperCollins), declarou que uma pessoa nessa situação estava sem sorte. "Existem coisas que só podem ser resolvidas de cima. Optar por uma cultura é importante, independentemente de concordar ou não com todas as questões. É preciso fazer o que eles fazem. Será bastante difícil tentar sair do esquema."

Kristin Hanson,Este ano, ela mudou seu estúdio de design e escola de joalheria do Brooklyn para TriBeCa, em Manhattan, e disse que sabia ser preciso quebrar o gelo com a nova vizinhança. Contudo, assim que os pedidos começaram a chegar, ela disse que sentiu vencida e deu um passo para trás para avaliá-los.

Ela decidiu doar a pessoas com quem fez negócio durante o ano, independentemente de terem pedido que comprasse um ingresso para um evento beneficente ou doasse seu espaço para um evento. "Preciso cuidar de quem é de casa." Já para os outros, "você tem de dizer não porque não tem escolha."

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