Conheça a história de nove mulheres que, com fé e dedicação, encontram tempo para levar a sério suas crenças espirituais

. Elas têm uma vida corrida, com trabalho e carreiras bem-sucedidas, mas, mesmo assim, encontram tempo e disposição para a espiritualidade. Com idades que variam da faixa dos 20 aos 50, conversamos com mulheres que estão em frequente contato com suas divindades e não abrem mão de dedicar algumas horas por semana à religiosidade.

A empresária Mariana Cavalcante de Camargo, 25 anos, é devota da Igreja Evangélica Neopentecostal El Shaddai, em São Paulo, há quatro anos. “Antes, eu era aquela católica apostólica romana que não tinha um relacionamento com Deus, não era praticante”, explica. Somente quando conheceu a El Shaddai que se estabeleceu como fiel. “Agora, tenho um relacionamento diário com Deus”, conta. Mariana costuma ir à igreja frequentemente e também participa de reuniões nas casas dos líderes religiosos. “Isso faz com que você realmente conheça as pessoas, não fica à deriva como em outras igrejas”, diz.

Para Christina Maria Neves Pennino, 54 anos, professora de português, a dedicação a Deus começou na infância. Recordando os tempos de criança, Christina conta que sua avó costumava ter sempre um terço nas mãos. “A minha criação foi católica, mas de uma maneira leve, agradável. Nunca ninguém me obrigou a ir à missa, a ler a bíblia, foi uma coisa muito natural”, explica. Hoje, Christina pertence a um grupo católico de mulheres que já existe há 33 anos e é Ministra da Eucaristia da Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, no bairro de Moema, em São Paulo. “Na Igreja, encontro mulheres de todas as classes sociais, desde aquela que é pedinte até mulher de deputado”, diz.

Praticantes convictas, elas não dispensam as suas doses diárias de fé, mesmo quando não conseguem tempo para irem à missa. É o caso da empresária Cláudia Maria de Azevedo Baptista, 49 anos, que costuma freqüentar a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, uma vez por semana. Quando os compromissos profissionais a privam do hábito, ela se apóia na bíblia. “Tenho sempre ela comigo, isso faz com que eu me sinta mais perto de Deus”, explica.

Eloisa Vasconcellos, publicitária de 35 anos e budista desde 2005, costumava frequentar com assiduidade o templo Zu Lai, na cidade de Cotia, em São Paulo, mas ao longo dos anos acabou diminuindo o número de visitas por falta de tempo. “Acontecem cerimônias no templo todos os domingos de manhã, mas não é uma obrigatoriedade. Tento colocar o budismo em prática ao máximo em todas as situações da minha vida”, justifica.

Independentemente da crença, todas tentam aliar a rotina religiosa ao trabalho e aos momentos de lazer. Para Rita Silveira, 44 anos, adepta da Igreja Renascer há cinco anos, em São Paulo, estar no maior número de cultos é encarado como prazer, não obrigação: “Quando não é possível, acompanho ao vivo pela internet, e também sempre procuro participar das campanhas, jejuns, eventos”. Para ela, somente assim é possível estar realmente com Deus, e não apenas ouvir falar dele.

Mãos à obra

Além de frequentar os cultos, Cristiane Barrionuevo Fernandes, de 30 anos, da Sociedade Espírita Obreiros da Vida Eterna, em Florianópolis, Santa Catarina, afirma com convicção que “a fé é morta se não tiver obras”, portanto, ela está sempre procurando atividades que edifiquem sua crença, seja estudando o evangelho ou colocando-o em prática. “Procuro sempre arrecadar brinquedos e roupas, por exemplo, para doar ao Centro”, conta Cristiane. “Lá, além de existir uma creche e um asilo para mulheres sem família, eles podem vender estes materiais em bazares e reverter a renda para ajudar a instituição”, explica.

A publicitária Thaís Perez, de 26 anos, também é um exemplo de alguém que conseguiu transformar religiosidade em ação. Seguidora da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo, ela já foi à cidade de Cananéia, no litoral paulista, para levar presentes e transmitir sua mensagem às famílias do local. “Embora tenhamos ido lá para levar coisas boas, também saímos ganhando: foi incrível ver pessoas que vivem com quase nada em termos de bens materiais, mas possuem muito carinho e gratidão”, conta.

Vaidade e desapego

A relação forte de uma mulher com uma determinada religião não deve afetar, necessariamente, o modo como ela se veste e lida com a vaidade. Renata Censon, gerente de uma agência de publicidade, de 36 anos, e adepta da Igreja Batista, acredita que a imagem é o seu cartão de visitas, mas que isso não deve virar uma obsessão. “Gosto de marcas de roupas como Chanel e Versace, só que de maneira saudável. Deus continua vindo em primeiro lugar”, justifica.

Para a Executiva de Contas e budista Juliana Furtado, de 32 anos, de Natal, no Rio Grande do Norte, o mais importante é o que você faz, e não como se veste. Ela, que já passou por Igrejas Católicas, Espíritas e Batistas, se encontrou na filosofia budista de Nitiren Daishonin. “Sou vaidosa e tenho tatuagens, por exemplo, mas a preocupação do budismo é somente com a sua conduta pessoal”, explica.

A publicitária Eloisa ainda completa que um dos conceitos mais fortes do budismo é a questão do desapego e, ao tratar de questões materiais, pensa sempre duas vezes. “Um dos ensinamentos do budismo humanista mahayana chinês, que é o que eu sigo, diz que toda vez que você for adquirir algo você deve se perguntar se você quer ou se você precisa daquilo”, conta a budista. “Se você disser que quer, aquilo é completamente desnecessário, embora eu não leve isso ao pé da letra”, confessa.

No caso da espírita Cristiane, o desapego costuma ser promovido diariamente. “Acredito que, para cada roupa nova, você pode doar uma antiga”, enfatiza. Para ela, não é necessário ter muitas peças no armário e nem esperar que elas virem inutilizáveis para doá-las. “No espiritismo, nós treinamos muito este lado, não adianta ter um apego tão grande, principalmente em cima de valores materiais, diz. 

Saber viver

Com vidas bem-sucedidas e estruturadas, estas mulheres se apegaram às crenças e filosofias e admitem que tiveram suas vidas modificadas. Rita Silveira conta que passou a ver – e a entender - que as pessoas só colhem se plantarem algo, e Eloisa aprendeu a aceitar a inconstância de tudo. “Você pode estar com uma pessoa, ter comprado tal roupa ou ter pegado um resfriado, mas uma hora essa pessoa vai sair da sua vida, a roupa irá se decompor e o resfriado irá passar, portanto, a proposta é não se apegar demais”, afirma.

A católica Cláudia Maria afirma ter adquirido maior tranquilidade na vida e passou a compreendê-la melhor. “Você acaba entendendo que não é aquilo que a gente quer que acontece, mas temos que agradecer pelo que temos e enxergar que tudo está interligado”, diz.

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