Sem timidez, mulheres assumem as rédeas do flerte e admitem que saem para conhecer homens – sem compromisso

Bibi é a
TV Globo/ Divulgação
Bibi é a "pegadora" da novela "Insensato Coração"
Bibi, personagem de Maria Clara Gueiros em “Insensato Coração”, é rica, bonita e quer mesmo é aproveitar a vida de solteira. Na balada, ela é focada: repara em quantos homens estão lá e se algum a interessa. Sai para paquerar mesmo, e corre atrás do objetivo sem disfarce. É uma conquistadora.

O comportamento de Bibi reproduz o de muitas mulheres na vida real. Apesar de ser cada vez mais comum, no entanto, tomar as rédeas da paquera não é uma atitude livre de tabus.

“As mulheres estão independentes. Elas têm carreiras de sucesso e fazem suas escolhas afetivas pensando em sua satisfação pessoal. Aceitar a sua própria sexualidade é uma conquista muito importante para essas mulheres que não querem mais casar apenas porque a sociedade espera isso delas”, explica a psicóloga e terapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade Juliana Bonetti.

A iniciativa agora é delas
Três amigas sabem bem o valor desta conquista feminina. Elas adoram uma balada e tomam a iniciativa da paquera sem nenhuma timidez. A auxiliar de arquivo Maria de Fátima da Silva Barros, 23, diz que, se achar que vai ser correspondida, não tem problemas em abordar um homem. “Sempre gostei de iniciar a conversa com os homens. Mesmo que não dê em nada, pelo menos eu conheço gente nova. Minha irmã diz que não tem coragem, mas minhas amigas sempre foram bastante atiradas e nunca achei isso estranho”, diz.

Já a técnica em informática Claudia Diniz, 36, confessa que nem sempre se sentiu tão segura a ponto de começar uma conversa com um desconhecido. “Se eu noto que tem um interesse mútuo, eu abordo mesmo. Antes eu não conseguia, mas minhas amigas me deram apoio e hoje isso já é natural para mim”, diz. Claudia não acredita que a mulher que toma a iniciativa ainda sofra preconceito. “Isso nunca aconteceu comigo. Alguns rapazes se surpreendem, mas não tratam mal. Pelo contrário, acabam até gostando”.

“Eu não me preocupo de reparar se o cara está dando mole ou não. Se eu gostei, chego e converso. Sou bonita e descolada. Ganho as pessoas no papo”, diz a técnica em informática Jaqueline Borsotti, 31.

Quero é beijar na boca
Existem dias em que as amigas querem apenas dançar. Em outros, o objetivo é beijar mesmo. Neste caso, até mesmo as roupas mudam. “Quando a gente está a fim de ficar com alguém naquela noite, a gente se produz bem mais. Quando saímos apenas para beber bater papo com as amigas é diferente. Acabo ficando mais desleixada”, diz Maria de Fátima.

Jaqueline se arruma para sair com as amigas Maria de Fátima e Cláudia
Bruno Zanardo/ Fotoarena
Jaqueline se arruma para sair com as amigas Maria de Fátima e Cláudia
Jaqueline prefere estar sempre preparada. Ela gosta de se sentir poderosa e para isso está sempre bem vestida e maquiada. “Claro que tem noite que quero beijar. Mas mesmo quando o objetivo não é esse, eu me arrumo mesmo. Homem gosta de mulher bonita, gosta de exibir. Você nunca sabe o que pode rolar, mesmo numa cervejinha com as amigas”.

“Nem sempre acontece como planejamos. Tem dia que eu saio pensando em ficar com alguém e não rola nada. Em outros, quero apenas curtir a noite com minhas amigas e vários homens começam a me abordar. Fico sem saber o que fazer: ficar com minhas amigas ou aproveitar o momento com o cara”, confessa Claudia.

Mesmo com toda essa independência e desinibição feminina, a psicóloga Juliana Bonetti lembra que os papéis no jogo da sedução ainda são bem controversos. “Ainda existe um estigma de que a sedução e a conquista são funções masculinas. A sociedade precisa evoluir muito para aceitar a igualdade dos sexos nestas situações”, avalia a psicóloga.

“Tem que render”
Sempre que as amigas chegam à balada, a primeira coisa que fazem é reparar nos homens presentes. “Eu não gosto de homens muito novos. Prefiro um pouco mais maduros. Pode até ser que o cara me surpreenda e tenha atitudes bacanas, mas a princípio eu não fico interessada se for muito jovem”, conta Claudia. Já Maria de Fátima perde completamente o interesse se vê um cigarro. “O que eu realmente não topo é fumante. Não consigo me interessar. Isso corta todo o barato para mim”, analisa.

Nem sempre a balada escolhida está boa. As amigas explicam que muitas vezes tiveram que mudar de local porque não gostaram do que viram assim que chegaram. “Se o lugar não tem cara interessante e também o ambiente não faz muito nossa cabeça, vamos embora imediatamente. O que a gente quer é que a noite seja agradável e divertida. Precisamos gostar do local para que isso aconteça. Tem que render, né?!”, afirma Claudia.

“O objetivo de sair é se relacionar com gente nova e conversar. Se vemos que não tem gente interessante não compensa ficar. Muitas vezes vou embora para casa”, completa Jaqueline.

Nada de relacionamento sério
Maria de Fátima nem sequer gosta de pensar na possibilidade de iniciar um relacionamento sério com alguém. Ela diz que a vida é muito boa do jeito que está. “Eu acho que teria que abrir mão de muita coisa. Um namoro ou casamento acaba privando a gente de fazer muitas coisas que gostamos. Eu adoro sair e curtir com minhas amigas. Não passa pela minha cabeça trocar isso por um namoro”.

Opinião compartilhada pelas amigas. “Eu já tive relacionamentos sérios e, neste momento, não quero mais. Se acontecer no futuro tudo bem, mas agora quero continuar exatamente do jeito que estou”, concorda Claudia.

“Eu não consigo enxergar um namoro nem no futuro. Casar e ter filhos não é comigo. Posso até mudar de idéia, mas gosto muito da balada e de ficar com caras diferentes. Gosto de não ter rotina e sempre coisas novas para vivenciar”, diz Maria de Fátima rejeitando a idéia de ter uma família tradicional no futuro.

A única que admite que um dia, se encontrar um homem bacana, irá se comprometer é Jaqueline. “Meus programas vão mudar, mas quero continuar saindo com meus amigos. Não quero me isolar”, reflete a técnica em informática.

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