Embora muitas decidam por um lado ou outro, ha quem fique na linha do meio, conciliando os dois papeis

Como conciliar maternidade e trabalho?
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Como conciliar maternidade e trabalho?
Existem mulheres que nasceram para ser mães. Nada muda isso. Outras nem querem saber do assunto: preferem a carreira. Cruel? Não, esta é apenas uma opção de vida. Conversamos com algumas para descobrir o motivo por trás dessas escolhas. Veja o que descobrimos.

Ser mãe em sua plenitude
“Assim que engravidei larguei tudo e fui curtir a minha maternidade. Filho depende da gente, não dá para trabalhar e pagar uma pessoa para cuidar deles. Não é a mesma coisa”, comenta A. S.*, de 33 anos, administradora de empresas. “Educação vem dos pais. Hoje, 3 anos mais tarde, não me arrependo de nada. Depois eu retomo minha carreira.”

Mas nem sempre a opção por ficar em casa, como mãe em tempo integral, decorre das preocupações com a educação. A publicitária R. D.*, de 29 anos, deixou o emprego de lado e virou dona-de-casa por conta da saúde da filha. “Bianca nasceu com um problema congênito e precisa de atenção 24 horas por dia. Não sei quanto tempo ela tem de vida e não quero desperdiçar esses momentos correndo atrás de minha profissão”, relata, emocionada.

Inúmeros podem ser os motivos que levam a anular a vida profissional e viver a maternidade. “Por estarmos relativamente perto das gerações em que o cuidado da casa e dos filhos era a ocupação principal da mulher, ainda carregamos lá no fundo este modelo”, argumenta a psicoterapeuta Cecília Coimbra de Toledo Lara.

“Quando surge a necessidade da coexistência de maternidade e carreira, muitas são acometidas por sentimentos de culpa, pois de forma inconsciente temem estar se desviando daquele padrão, no qual ser mãe se sobrepõe a qualquer outra atividade”, explica ela.

Dividindo as tarefas
Mãe, mulher e profissional. Conciliar nem sempre é fácil. Mas a escritora Marleine Cohen, autora do livro “Como escalar montanhas de salto alto?” (Ed. Saraiva), garante que é possível. Hoje Marleine é uma expert no assunto, porém, já sentiu na pele o que é dividir o tempo entre filho e trabalho. “Eu tive muitas dificuldades. Na época trabalhava em um grande jornal, tinha plantão em finais de semana e feriados e precisava deixar meu filho com meus pais.”

Sentimentos de culpa e ao mesmo tempo a perspectiva de virar dona de casa para o resto da vida faz com que muitas voltem a trabalhar logo após terminar o período da licença maternidade. “Na segunda gravidez larguei o ritmo alucinado e arrumei um emprego mais calmo, sem plantões e que tinha uma creche no local”, conta Marleine.

Com a modernidade e até mesmo a internet surgiu um novo tipo de escritório: o home Office, o conceito de trabalhar a partir de casa. Essa facilidade agradou também às mulheres que desejam ser mães. “Há três anos optei por este esquema de trabalho e isso ajuda muito, pois tenho flexibilidade de horários. A chegada de minha filha não mudou nada na minha rotina de trabalho”, comenta a jornalista Keyla Assunção, de 31 anos. “Muitas vezes, estou no computador e minha filha está sentada no meu colo, já querendo colocar os dedinhos no teclado. Tudo é uma questão de organização”, diz.

Conciliar a carreira com a maternidade é uma situação comum nos dias de hoje. “Nas últimas décadas a mulher vem conquistando o seu espaço no mercado de trabalho. Os horizontes foram se ampliando e dando origem a um panorama bem diferente daquele que se via no tempo de nossas avós. Entretanto, a construção de uma carreira não é a única faceta da vida de uma pessoa. Há outros setores que também demandam atenção, como as relações interpessoais, afetivas e a maternidade. O ideal é que haja equilíbrio entre eles”, argumenta a psicoterapeuta.

Na contramão
“Há ainda o caso de mulheres que são alvos de críticas do restante da família que, respaldada no antigo modelo, não aceita que a vivência da maternidade tenha que competir com a carreira profissional”, acrescenta Cecília Lara.

S. H.*, de 30 anos é casada há cinco anos e nem pensa em engravidar. “Eu e meu marido já decidimos: não queremos filhos. Ele é médico assim como eu e isso só iria atrapalhar a nossa carreira. Nunca me imaginei sendo mãe e acho que não seria uma boa mãe. Prefiro crescer profissionalmente”.

Já a advogada M.A.*, de 28 anos, acredita que depende da situação. “Quero acima de tudo ser bem sucedida na minha carreira. Só terei filho e trabalharei ao mesmo tempo se o dinheiro que ganhar compensar. Do contrário, fico com minha profissão”, sentencia.


* Os nomes foram omitidos a pedido das entrevistadas

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