Premiada em Sundance, a britânica Kim Longinotto acha que as mulheres estão sempre na vanguarda da esperança

Kim Longinotto: documentarista registra as histórias de lutas anônimas
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Kim Longinotto: documentarista registra as histórias de lutas anônimas
Nascida em Londres, filha de pai italiano e mãe galesa, Kim Longinotto não teve uma infância das mais tranquilas. Colocada em um colégio interno, onde não se adaptou, ela sempre teve que se cuidar por conta própria. "Acho que minha mãe realmente não queria ter filhos", conta, aparentemente sem ressentimentos.

Hoje Kim também é mãe, além de uma das mais proeminentes documentaristas britânicas - sempre contando histórias de mulheres em situação de risco e opressão. Premiada no Festival de Sundance do ano passado pelo seu mais recente filme - "Rough Aunties" ( assista a um trecho ), sobre o dia a dia de um grupo de mulheres que lutam contra o abuso de crianças e mulheres na África do Sul -, Kim também já contou histórias sobre as mulheres iranianas que querem se divorciar ( "Divorce Iranian Style" , 1998), sobre a circuncisão feminina na África ("The Day I Will Never Forget", 2002) e sobre as onnabes, mulheres japonesas que vivem como homens ( "Shinjuku Boys" , 1995), entre outras. Ela falou sobre seu trabalho e sobre os papéis femininos e masculinos no novo século: "As mulheres estão sempre na vanguarda da esperança".

iG: Você esteve em um colégio interno, como isso formou a sua percepção de mundo?
Kim Longinotto: Estive em um colégio interno dos 10 aos 16 anos. me ensinou o quão perigosa pode ser a autoridade quando ela não é monitorada, e me fez odiar os professores e as instituições. Por outro lado, também me ensinou a ser independente.

iG: Como era sua vida em família?
Kim Longinotto: Eu não gostava de nenhum dos meus pais. Mas, por sorte, eu mal os via. Minha irmã e eu éramos mandadas para longe de casa nos feriados e ficávamos por nossa conta durante as férias da escola. Eu acho que minha mãe realmente não queria ter filhos!

iG: Você tem preferência por temas femininos, por histórias de mulheres? Por quê?
Kim Longinotto: Eu quero fazer filmes sobre mudanças e celebrar as pessoas que tentam desafiar a tradição. Para mim, as mulheres estão sempre na vanguarda da esperança.

iG: Qual foi seu primeiro documentário envolvendo mulheres em situação de opressão?
Kim Longinotto: Meu primeiro documentário foi sobre meu colégio interno. Foi divertido fazê-lo porque eu percebi que era a escola que era esquisita, não eu. Pouco depois que eu fiz o filme, a escola foi fechada.

Kim filmando na África
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Kim filmando na África
iG: Como você se envolve nas histórias das mulheres dos seus documentários mais recentes? Como ficou sabendo do Rough Aunties, por exemplo?
Kim Longinotto: Na verdade, as mulheres do Bobbi Bear que me contataram. Elas são um pequeno grupo de mulheres lutando em muitas frentes e queriam que um filme fosse feito sobre o trabalho delas, assim elas poderiam conseguir apoio em suas campanhas.

iG: O que é preciso para fazer um bom documentário?
Kim Longinotto: Uma boa história, na qual você possa mergulhar, e experimentar de uma forma como se estivesse lá.

iG: Você acha que as histórias que você contou em Rough Aunties ou Divorce Iranian Style teriam uma diferença substancial se fossem dirigidas por documentaristas homens?
Kim Longinotto: Seria muito difícil um homem filmar o "Iranian Divorce". Ele não poderia entrar nas áreas reservadas só para mulheres, por exemplo. Mas eu acho que homens e mulheres vão trocar de papéis neste século. Mulheres vão assumir algumas características tradicionalmente "masculinas" - como a ousadia e a praticidade, enquanto homens podem ter algumas das nossas características, como a intuição e a empatia. Então, tudo vai empatar!

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