Juliana Sampaio e Laura Guimarães, autoras do livro "Mothern”, que inspirou a série de TV, contam o que nenhuma mãe tem coragem

Laura Guimarães e Julia Sampaio, autoras do Mothern - Manual da Mãe Moderna
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Laura Guimarães e Julia Sampaio, autoras do Mothern - Manual da Mãe Moderna" (ed. Matrix), que inspirou a série do GNT
Todo mundo sabe que a sobrevivência da espécie humana depende da boa vontade das mulheres, isto é, da nossa disposição para gerar, gestar, parir e amamentar novas pessoas. A humanidade depende não só da boa vontade, mas também de uma certa ignorância. Por isso não se fala muito dos perrengues pelos quais a mulher passa a partir do momento em que se descobre grávida. Nós não queremos fazer você desistir, mas não estamos a fim de participar do complô. Então, vamos revelar agora um pouco do que sua mãe, sua obstetra e suas amigas provavelmente estão evitando comentar:

- A gravidez não é bem um período mágico em que você ganha um brilho especial. Aliás, pode até ser que você ganhe um brilho especial: o brilho do suor de carregar todo esse peso extra em pleno calor tropical. E possivelmente vai ganhar também um humor completamente instável - fazendo você chorar por qualquer bobagem -, azia, gases, estrias e uma vontade constante de fazer xixi. Mágico? NOT.

- Mas não se iluda: a gravidez é só um preparativo para o que vem pela frente. Uma hora ela chega a termo, e aí vem o nascimento do bebê: um evento bem mais escatológico do que você imagina. Envolve cheiros estranhos, gosmas esquisitas, sangue e muita, muita dor.

- Essa já é clássica: a camisola da maternidade. É uma vestimenta que te dão para deixar bem claro que, naquele momento, não existe a MENOR possibilidade de você ser considerada uma pessoa digna, íntegra e interessante por alguém. Nem por você mesma.

- É bom que fique claro também que, ao contrário do que mostram muitas capas de revista por aí, você não sai magra da maternidade. Nem fica magra dois meses depois. A não ser que você passe muita fome (o que não é legal) ou que alguém passe horas e horas retocando sua silhueta no photoshop.

- Outra informação subestimada: criança usa fralda por muito tempo. Não estamos falando muito tempo do tipo "meses", não. São no mínimo uns dois anos, trocando três ou quatro fraldas por dia. Faça as contas: você tem umas 3.000 trocas de fraldas pela frente. E quando ela finalmente aprender a usar o banheiro, não pense que o trabalho sujo acabou. Prepare-se para outros bons anos sendo chamada ao recinto cada vez que o serviço estiver completo, com o famoso grito de ordem infantil: "Mãããããããe, acabei!".

- Uma que talvez você até já tenha escutado antes: criança dá trabalho. Mas peraí, você não entendeu: é muito trabalho. Você fica esgotada fisicamente, mentalmente, emocionalmente. Ah, e financeiramente. Porque, além de trabalho, elas dão muita despesa.

- Aliás, falando em dinheiro, um dia a licença-maternidade acaba e você provavelmente vai precisar voltar a trabalhar. Isso pode ser até bom, afinal muitas mães descansam ficando até mais tarde no escritório. Ou não. Você vai ter que encontrar alguém ou alguma creche de confiança para ficar com o seu bebê. Vai sentir saudade, e um pouco de culpa também.

- Finalmente, esteja preparada para virar "A Mãe". Assim mesmo, com maiúscula e tudo. Porque "A Mãe" é um dos arquétipos mais fortes da cultura humana: aquele ser abnegado, sempre serena e sorridente, que abre mão de qualquer resquício de individualidade e vontade própria pelo bem da prole. Mesmo no século XXI as pessoas ainda acham que só "A Mãe" sabe / deve / pode cuidar direito da criança. Haja disponibilidade. Ou vocação para santa.

- Mas, se é tudo tão difícil assim, como é que o planeta tem hoje mais de 6 bilhões de pessoas? Sinceramente, não sabemos explicar. A única coisa que a gente sabe é que, se nos fosse permitido voltar no tempo, passaríamos por tudo isso novamente. Vai entender as mulheres...

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