Para muitos filhos elas são as pessoas mais belas do mundo. Mas algumas realmente se destacam na multidão

Tatiana Boschilia e a mãe Liliana Boschilia
Arquivo pessoal
Tatiana Boschilia e a mãe Liliana Boschilia
Será que é fácil ter uma mãe que chama atenção por onde passa? Diz o senso comum que uma mãe bonita de parar o trânsito pode despertar sentimentos de rivalidade, inveja, raiva. A psicóloga Bruna Pastore alerta que é isso mesmo que acontece em muitos casos. “Neste cenário, as consequências dessa história irão depender do comportamento da mãe, mais do que de qualquer outra coisa. Nesta hora ela não deve alimentar a competitividade que possa existir.”

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É natural surgir sentimento de culpa quando a filha experimenta inveja ou raiva da beleza da mãe. Bruna ensina que o melhor a ser feito, nestes casos, é respeitar o momento que a criança vem passando, sempre tentando confortá-la. “A princípio o assunto parece ser simples e superficial, mas pode se tornar complexo. Aquilo que tem tudo para ser apenas uma inveja boba e infantil, se não for tratado com o cuidado devido, pode deixar sequelas no relacionamento que serão difíceis de lidar.”

A boa noticia é que nem sempre precisa ser assim. O iG reuniu histórias de mães e filhas que conseguiram ver a situação sob outra perspectiva. Comum em todos os depoimentos é a admiração incondicional pela mãe, um modelo a ser seguido.

Márcia Cristina Moreira e a filha Juliana Moreira Jordão
Arquivo pessoal
Márcia Cristina Moreira e a filha Juliana Moreira Jordão
Os amigos da filha
A psicóloga Juliana Moreira Jordão, 24, enfatiza que nunca teve problemas com a beleza da mãe, a também psicóloga Márcia Cristina Moreira, 50. “Alguns amigos da escola falavam que ela era tão bonita que iam chamá-la para sair. Mas minha mãe sempre soube impor respeito e isso me confortava diante desta situação”, diz Juliana.

Como em qualquer outra situação os papéis precisam ser bem definidos. Mãe é mãe. Juliana conta que nem sempre conseguiu enxergar a beleza que os outros viam em Márcia justamente porque a imagem fortemente cultivada durante sua infância foi a de que a mãe era quem tinha a responsabilidade da criação e impunha a disciplina necessária.

“Eu vejo que algumas mães são muito amigas das filhas e acabam perdendo um pouco a autoridade. Isso nunca aconteceu com a gente. Eu quero ter uma relação de amizade com minha filha, que hoje tem três anos, mas sei que regras são indispensáveis”, diz Juliana.

“Eu tinha a preocupação de passar valores para minha filha. Nunca passou pela minha cabeça que ela me veria como sua rival”, explica Márcia que se considera uma pessoa fechada e não costuma dar abertura a brincadeiras sobre sua vida pessoal. “Sempre fomos muito amigas, mas a Juliana sabia que, acima de tudo, eu era a mãe dela.”

A designer de produtos Tatiana Boschilia, 24, também precisou aprender a conviver com a amizade e a cobrança da mãe, Liliana Boschilia, 47. “Sempre achei o máximo minha mãe ser tão bonita. Nunca me senti em segundo plano porque éramos muito amigas”, afirma.

Quando se é adolescente fica fácil confundir algumas liberdades que a “mãe-amiga”, mesmo sem querer, acaba dando. É o que acontecia com Tatiana: “às vezes, eu acabava misturando os papéis, mas minha ela sempre me dizia para não confundir liberdade com libertinagem.”

Luisa Moraes e a mãe Rosa Moraes
Arquivo Pessoal/Juan Guerra
Luisa Moraes e a mãe Rosa Moraes
Filhos homens

E quando tem filhos homens no cenário? É o que acontece com a diretora de hospitalidade e gastronomia do Grupo Laureate Brasil, Rosa Moraes. Com três filhos, dois do sexo masculino, vivia com a casa cheia de amigos das crianças. “Moramos muitos anos nos Estados Unidos e os brasileiros são mais calorosos. Sempre fui amiga dos meus filhos e nunca senti que havia lugar para ciúme na nossa relação.”

Ela conta que a visão de beleza vindo de uma filha ou de um filho é diferente. Os homens parecem mais práticos e “tudo está ótimo, sempre elogiam. Já a menina costuma analisar melhor, dar alguns toques”, afirma Rosa. Sua filha, a atriz Luisa Moraes, 25, confessa que acha sua mãe um arraso. “Eu falo até hoje que ela é a mulher mais linda que conheço. Ela tem uma beleza verdadeira. Não precisa ficar se produzindo. Isso é raro.”

“Nunca tivemos rivalidade alguma, até porque minha mãe e meu pai eram casados e presentes em nossas vidas. Dos meus irmãos, o mais protetor é o Thomas, 21. Já o João, 23, é bem liberal, não tem ciúme dela”, reflete Luisa sobre a relação da mãe com os filhos.

Rosa gosta de deixar claro que gosta mais que a filha fale e ela escute. Acredita ser este um dos papéis que deve desempenhar na vida de Luisa. “Eu nunca esqueci que mãe não é apenas amiga. Sou muito descontraída, mas meus filhos sabem que cobro e exijo bastante deles.”

Mãe perfeita
A psicóloga Bruna Pastore lembra que a mãe, para a filha, desde os momentos mais iniciais da vida, é vista como um modelo a ser seguido e alcançado. “Num primeiro momento a filha deseja ser esta mãe, que parece ser completa e perfeita.” É preciso esforço e jogo de cintura para corresponder a tamanha expectativa. Natural que haja tropeços pelo meio do caminho, mas os problemas devem ser sempre bem resolvidos entre a dupla.

“Hoje eu vejo que minha mãe acertou na dose de disciplina e amizade. Não foi sempre que consegui ver isso.” Luisa Moraes confessa que, às vezes, quando era mais jovem, achava que falta um pouco de limites. Mas mudou de opinião há um tempo. “Olho para trás e vejo que ela nos passou valores de vida importantes e que fomos muito bem criados. Pretendo repetir, com meus filhos, o exemplo que tive com minha mãe”, planeja Luisa Moraes.

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