Primeiro bebê de São Paulo, Danilo é o segundo filho da manicure Elisângela e do motoboy Leandro

A história de Danilo começa no Grajaú, extremo Sul de São Paulo. Elisângela nasceu no bairro e não consegue puxar na memória quando foi que conheceu Leandro. Amigos de infância, nasceram juntos, cresceram juntos, brincaram juntos, aprontaram juntos e... “quando eu tinha 22 anos, ele chegou de um jeito diferente, olhou bem lá no fundo dos olhos e parece que quis me namorar”, conta ela, envergonhada e toda derretida.

Não dava para usar como desculpa o tal “precisamos nos conhecer melhor”. Leandro sabia há tempos que Elisângela amava samba mais do que tudo no mundo. E ela tinha provas o suficiente para atestar que o Santos – sim, o time de futebol – tinha lugar mais do garantido no coração dele, nem adiantava disputar. Então foi tudo muito rápido entre os dois. No ano seguinte, após o primeiro beijo confirmar que aquilo “era mais do que amizade”, os dois já viraram três. O exame médico confirmou que Douglas chegaria em nove meses. E o primeiro filho do casal reinou absoluto por sete anos naquela mesma casa do Grajaú.

O primeiro filho trouxe obrigações e apreensões extras. Ele motoboy, ela manicure e o trabalho tinha de ser dobrado para não faltar nada para ninguém. Mas depois de sete anos, de forma inédita, faltou alguma coisa. “Faltou companhia para o Douglas e veio uma vontade grande de ter um segundo filho”, conta Elisângela.

Conversa para cá, conversa para lá e a decisão de que os “Nascimento dos Santos” tinham de aumentar começou a despontar como uma possibilidade. A ideia ainda estava sendo amadurecida quando virou realidade. “Tomei pílula anticoncepcional por sete anos, desde o nascimento do Douglas. Parece que na primeira semana que parei, já engravidei do segundo”. E a casa do Grajaú foi só felicidade.

Elisângela confessa que até o ultrassom não deixar dúvida alguma de que “aquela coisinha” só pessoas do sexo masculino possuem, ela pensou mesmo estar grávida de uma menina. Mas quase que por insistência do pai Leandro, outro santista nasceu neste domingo, dia 9.

“Vim mais corajosa para a maternidade. Desta vez, diferentemente da primeira, eu sei que a dor do parto, que é muito forte mesmo, passa na mesma hora que a gente escuta o choro”, conta ela. “É engraçado porque o amor de mãe é o mesmo. Mas a sensação é única”, diz.

Douglas, o mais velho, torceu o nariz para o fato de ter um irmão. Ficou cheio de ciúme e até começou a bagunçar mais na escola, como se quisesse chamar atenção. Outro que vive uma ciumeira que só é o cachorrinho da família, o Billy, que odiou ter de dividir a atenção da “mãe” com uma “barriga”.

Mas Elisângela sabe que todos eles vão ficar derretidos quando olharem nos olhinhos do menino cabeludo e souberem que Danilo Nascimento dos Santos não faz mal a ninguém. Como sabe os desafios que o aguardam, o bebê até capricha na paciência. Depois que nasceu não chorou uma só vez, nem para pedir comida

E, no fim das contas, lembra Elisângela, todas as noites, os quatro (ela, os dois filhos e o ciumento Billy) vão rezar juntos para que Leandro chegue inteiro depois de um dia cheio de costuradas por entre os carros da 23 de Maio, corridas contra o relógio na Bandeirantes e trajetos improváveis na Radial Leste. Sabe como é.

Mãe de dois filhos da periferia paulistana, ela vai ter de parar de trabalhar para cuidar dos meninos. O sonho é que os dois filhos entrem na faculdade e tragam o diploma que ela não teve condições de ter.

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