Escritora dá entrevista exclusiva para o iG e fala sobre simplicidade, autoestima, amor e seu novo livro

Saio para andar e faço pilates todo dia. Não entro nessa coisa de vitaminas radicais. Já dei uma espichada na minha cara, mas agora chega.
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Saio para andar e faço pilates todo dia. Não entro nessa coisa de vitaminas radicais. Já dei uma espichada na minha cara, mas agora chega.
Ela frequentava as melhores festas do Rio de Janeiro, conheceu personalidades nacionais e internacionais e presenciou o início da bossa nova no seu apartamento, junto com a irmã Nara Leão. Mas toda essa badalação ficou no passado da escritora Danuza Leão. “Na verdade, eu vejo hoje em dia que ia a festas para procurar um namorado. Aliás, se não for por isso, para que ir a uma festa?”, confessa, bem-humorada.

Seu último livro, “É Tudo Tão Simples” (Ed. Nova Fronteira), lançado em 2011, esteve entre os 20 mais vendidos de 2011 e, até março de 2012, esteve no top 5. 

Atualmente bastante reclusa em sua casa, Danuza leva uma vida mais simples. Em entrevista ao iG, ela conta que simplificar sua rotina tornou-a uma mulher mais feliz. “Antigamente eu era um pouco tonta. Queria aparecer. Colocava o vestido mais lindo que tinha e ia para uma festa disposta a arrasar. Não vivo mais para isso. Estou mais feliz.” Leia a seguir a entrevista exclusiva com a escritora. 

iG: Em “É Tudo Tão Simples” você diz que escreveu para uma mulher ageless (em tradução livre seria uma mulher sem idade). Quem é essa mulher?
Danuza:
É mais ou menos assim: a mulher tem três fases. Na primeira é gatinha, uma garota. Na segunda tem mais liberdade e sabe que muita coisa ainda pode acontecer na sua vida, inclusive o amor. E na última ela desiste disso tudo. A mulher da segunda etapa é a mulher ageless. Você não a define nem como uma gatinha nem como uma senhora. Tudo pode acontecer com ela. É a mulher que vai ao jornaleiro e ele a chama de “você”, e não de “senhora” independente da idade que ela tenha.

iG: E em matéria de amor, como está a sua vida?
Danuza:
Parei de procurar. Na verdade eu vejo hoje em dia que eu ia a festas para procurar um namorado. Se não for por isso, aliás, para que ir a uma festa? E é uma perda de tempo, até porque você não vai arrumar ninguém indo às mesmas festas, sempre com as mesmas pessoas. Mas acho muito difícil que o amor aconteça na minha vida.

iG: A autoestima melhora quando se está na fase ageless?
Danuza:
Só posso dizer por mim. Acho que está um pouco melhor. Antigamente eu era um pouco tonta. Queria aparecer. Colocava o vestido mais lindo que tinha e ia para uma festa disposta a arrasar. Não vivo mais para isso. Estou mais feliz. Vejo que não é importante, não traz felicidade. Aliás, há muito tempo não vou a festas e pretendo continuar assim. Só vou eventualmente quando tem a ver com meu trabalho. Não vou a jantares também. Quero sair com amigos, às vezes, sentar, dar risada e falar o que passar pela cabeça.

iG: Ser ageless é ter mais liberdade, menos amarras?
Danuza:
Falo só por mim e eu nunca tive muitas amarras, sempre fui livre.

iG: Nos últimos anos o que mudou nos seus cuidados consigo mesma?
Danuza:
Eu cuido razoavelmente bem da minha saúde. Saio para andar e faço pilates todo dia. Não entro nessa coisa de vitaminas radicais. Já dei uma espichada na minha cara, mas agora chega. Evidentemente se surgir alguma coisa milagrosa, claro que posso mudar de ideia. Não estou morta.

iG: Tem medo da velhice ou da morte?
Danuza:
Que velhice? (risos).

iG: No livro, você fala sobre simplificar algumas coisas na vida cotidiana. Que atitudes tornaram a sua vida mais simples?
Danuza:
Começou por acaso. Um amigo me disse: “Danuza, você tem carro ainda?”. Eu, claro, respondi que não tinha como ficar sem carro. Tinha carro desde que me entendia por gente. Mas tomei coragem e vendi o carro. E foi a melhor coisa que fiz nos últimos anos. Só tive alegrias. Sabe todas as coisas péssimas que o carro traz? De repente eu não tinha mais nada disso. Eu costumava pegar o carro para andar três quarteirões. Era um vício. E aí toda a história de simplificar começou a vir pouco a pouco. Eu morava em um apartamento maior e tinha muito lugar para as coisas. Comprava e tinha onde guardar, por isso não me desfazia de nada. Um dia resolvi me mudar para um lugar menor, onde não cabia nada. Vi que precisava começar a ter menos coisas.

iG: Desfazer-se das coisas que acompanhavam você foi uma decisão fácil?
Danuza:
Foi difícil, mas eu não usava aquelas coisas. Eu tinha um monte de roupa que não usava ou porque não estavam mais na moda ou porque meu corpo tinha mudado. Não que eu tivesse engordado, mas o corpo vai mudando. Pode ser que eu emagreça ou que a moda volte, a gente pensa. E isso não só não aconteceu, como não iria acontecer nunca. Comecei a tirar tudo da minha vida e vejo que agora isso se tornou quase uma mania. Recentemente fui para São Paulo e levei uma sacola para minha neta, Rita, cheia de coisas legais que ainda me serviam. Mas eu não preciso daquelas coisas. Você tem que saber que tipo de vida leva. Teve um tempo que eu saía muito, mas agora eu saio muito pouco. Não preciso de tantas roupas. As necessidades mudam e você muda junto com elas.

iG: E coisas que não são materiais? Você também se desfez de alguns hábitos?
Danuza:
É tão banal e tão simples o que vou dizer: não quero mais perder tempo na minha vida. Só quero fazer o que eu gosto. Só quero me dar com pessoas que me entendem muito, que quando eu disser algum absurdo vão dar risada. Não quero explicar mais nada na minha vida. A receita é simples: você guarda os amigos que te entendem perfeitamente, esses são poucos, e os outros amigos você deixa para ver uma vez a cada seis meses. Isso eu fiz.

iG: Seu trabalho acompanhou essa fase ‘simplificar’ da sua vida?
Danuza:
Eu acho que sim. Comecei levando muito na brincadeira. Mas me vejo mais madura nas coisas que digo, menos superficial. Talvez eu até fosse mais divertida no início. Nunca nenhum elogio de quando eu saia com um vestido maravilhoso me deu tanto prazer quanto eu tenho hoje quando alguém lê algo meu e diz que gostou muito.

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