Pessoas que sobem de classe social, como jovens ingressando no mercado de trabalho, começam a procurar orientação nestes cursos

A consultora de etiqueta Lígia Marques em um de seus cursos
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A consultora de etiqueta Lígia Marques em um de seus cursos
Saber usar o talher de escargot, equilibrar livros na cabeça para uma postura de princesa ou até mudar a maneira de pronunciar os erres como em “My Fair Lady”. Não é incomum nem totalmente descabido que imagens como essas, distantes do cotidiano de quase todo mundo e quase da realidade, sejam as primeiras que vêm à mente quando se fala em aulas de etiqueta. E, sim, tudo isso ainda existe. Mas os cursos de etiqueta social se adaptaram aos novos tempos, e estão preparados para atender um novo e mais diverso público. Ou seja: vão muito além do que a preparação para a alta sociedade de antigamente.

Dicas para evitar gafes

Com a mudança no perfil econômico do brasileiro, veio também a necessidade de adaptação de novos profissionais, que melhoraram de vida e passaram a ter de frequentar círculos sociais diferentes dos que estavam acostumados. Hoje, etiqueta é uma área com diversas segmentações, que atendem desde a necessidade de um executivo que deseja aprender a fazer apresentações da forma mais bem vista até a de um jovem que quer ingressar no mercado de trabalho e precisa de dicas de como se portar durante uma entrevista de emprego.

Etiqueta não é frescura
A consultora de etiqueta Sofia Rossi confirma a tendência. “Sou procurada por pessoas de todas as idades e classes sociais”, afirma. Ela diz ainda que etiqueta não é “frescura”. O entendimento que algumas pessoas possuem de que se trata apenas de protocolos sociais dispensáveis no dia a dia, de acordo com a consultora, está equivocado. “Os cursos oferecidos têm como missão resgatar valores e a importância do respeito pelo próximo. Isso é ser uma pessoa elegante.”

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Aquela imagem da mocinha andando de um lado para outro da sala com um livro na cabeça? Especialistas afirmam que, apesar de ser um exercício ainda eficiente quando se quer trabalhar especificamente uma postura melhor, o foco de hoje vai além.

“Antigamente a postura era fundamental e, talvez, por isso essa cena seja tão lembrada. Mas o enfoque atual dos cursos de etiqueta é relacionamento. Questões que envolvam atitude e melhora na forma de nos relacionarmos, seja no convívio profissional como social”, declara a consultora em etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques, autora do livro “Sem noção” (Ed. Matrix), que dá lições de etiqueta para quem não quer dar vexame.

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A coordenadora de eventos Dione Cristina Piffer Freitas, 50, conta que, quando era criança, as regras de etiqueta eram rígidas. “Mulher não podia rir alto, por exemplo. A educação que recebíamos em casa era bem mais rigorosa. Lembro destes padrões e hoje tudo mudou muito. Por isso procurei um curso de etiqueta.” Dione diz que a experiência foi enriquecedora. Ela acredita que saber se comportar nas mais diversas situações vem se tornando um diferencial e que é preciso prestar atenção neste requisito.

Ascensão social
Entre 1996 e 2010, o brasileiro viu sua renda per capita aumentar de US$ 5 mil para US$ 10 mil. Com a mudança significativa, muitos deram verdadeiros saltos de qualidade de vida, e a educação passou a ser um assunto mais importante dentro das famílias que ascendem socialmente.

Essa ascensão foi constatada por pesquisa divulgada pelo Observador Brasil 2011, executada pelo instituto Ipsos Public Affairs. De acordo com os dados fornecidos, só em 2010 quase 31 milhões de brasileiros mudaram de classe social. Cerca de 19 milhões saíram das classes D e E e pularam para a classe C. Quase 12 milhões de pessoas deixaram a classe C passando a pertencer às classes A e B, de maior poder aquisitivo.

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“Como as pessoas melhoram suas rendas e possuem mais oportunidades de estudo, passam a enxergar etiqueta de forma diferenciada. Quando existe uma mudança de classe social é preciso afinar o comportamento”, acredita Patrícia Zen, docente do curso de Etiqueta Social oferecido pelo SENAC de Campinas.

Para ter mais segurança ao negociar com fornecedores e lidar com o público numa nova área de trabalho, a administradora de empresas, Nilcea Rodrigues da Silva Prates, que passará a trabalhar com eventos, resolveu procurar o SENAC. “Eu aprendi coisas básicas como, por exemplo, fazer apresentações de uma maneira mais educada. Apesar de ter procurado por razões profissionais, eu tento aplicar o que aprendi na minha vida pessoal também.”

Os cursos de etiqueta hoje são procurados por pessoas com objetivos e necessidades diferentes
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Os cursos de etiqueta hoje são procurados por pessoas com objetivos e necessidades diferentes
Interesse maior das mulheres
A consultora Sofia afirma ser comum a procura por seus serviços por pessoas que tenham melhorado de renda e nota um interesse maior por parte das mulheres. Patrícia, professora do Senac, afirma que a percepção de que o público feminino é maioria está dentro da realidade: “Dei aula em três turmas e tive apenas dois alunos homens. Acredito que as mulheres reparam mais em detalhes e se preocupam mais que os homens em como serão vistas e julgadas por suas ações.”

Mesmo sendo minoria, os homens estão presentes. O cirurgião bucomaxilofacial, Antonio Marcos Pantoja de Azevedo, 40, fez aulas de etiqueta em duas ocasiões. Quando era cadete do exército e durante um curso para formação de comissário de bordo aprendi etiqueta social. Ele é categórico ao afirmar que todos deveriam procurar auxílio para melhorar a forma de se comportar. “Temos uma mobilidade social, atualmente, enorme. Você nunca sabe quando vai precisar comparecer a um evento formal. É essencial estar preparado.”

Marcos explica que as aulas não apenas o ensinaram coisas novas, como também proporcionaram que ele tivesse uma maior naturalidade e segurança em eventos formais. “Hoje é ensinado muito mais do que a utilização do talher correto para cada tipo de comida. Temos que aprender a cuidar da nossa imagem por completo. Desde modos até aparência pessoal”, completa.

É difícil ser elegante?
Para a consultora de etiqueta e coordenadora do curso de Secretariado Executivo Bilíngue da Universidade Metodista, Ana Maria Santana Martins, não é difícil ser elegante. A autora do livro “E o que eu faço com essa tal de boas maneiras” (Ed. Jcr) afirma que não há segredos em se tratando de etiqueta. “Ser bem educado é viver sabendo que não estamos sozinhos neste mundo. Quando compartilhamos espaços, quer seja na família, na escola, no trabalho ou na sociedade, precisamos ser civilizados, amistosos e sociáveis”, explica.

Entretanto, nas situações cotidianas, cheias de estresse, nem sempre as pessoas são tão educadas quanto deveriam, de acordo com Sofia Rossi. Ela acredita que, com o passar dos anos, a noção do respeito ao espaço alheio foi ficando mais distante. “Quantas vezes não ouvimos falar de brigas por vagas de garagem, por exemplo. Fico muito assustada diante destas situações. Cada vez mais o que importa é apenas o ganho individual”, observa.

Sofia ressalta, ainda, que o tipo de educação dada pelos pais aos filhos é de extrema importância. “O melhor exemplo vem de casa. Se aprendemos com nossos pais que maltratar e humilhar pessoas são atitudes completamente erradas, certamente não faremos isso”, exemplifica.

Serviço:
Curso de Etiqueta Social no Senac de Campinas - SP
Preço: R$ 418,00
Telefone: (19) 2117-0600
Confira outras unidades que oferecem o curso no site do Senac

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