Estudantes suecos acharam discriminatório o catálogo de loja de brinquedos com meninas brincando de princesa e meninos, de herói

Fachada de loja da Toys R Us na Califórnia,
Estados Unidos
Getty Images
Fachada de loja da Toys R Us na Califórnia, Estados Unidos
Bonecas para elas e carrinhos para eles. Desde que nascemos, existe uma série de brinquedos nas prateleiras esperando por nosso interesse. No entanto, tudo que é rosa não foi feito para pertencer a um garoto e tudo que não tenha rosa como uma das cores não foi feito para pertencer a uma garota. Essa definição é tão antiga que nem pensamos em contestá-la, mas algumas crianças suecas decidiram desafiar essa rotulação e tudo que ela representa.

No ano passado a “Toys ‘R’ Us” (na tradução literal, “Brinquedos Somos Nós”), multinacional norte-americana de brinquedos, publicou um catálogo de Natal direcionado aos pais das crianças, para que estes escolhessem os presentes de fim de ano. No entanto, um grupo de estudantes suecos da 6ª série repreendeu a empresa por discriminação de gênero e a denunciou à Reklamombudsmannen (Ro), uma entidade criada para policiar o marketing e a publicidade do país e garantir que eles estejam de acordo com as ordens estabelecidas pela Câmara de Comércio Internacional (ICC).

De acordo com o jornal sueco The Local, o Ro emitiu um comunicado afirmando que os jovens da escola Gustavsland, da cidade de Växjö, veem no catálogo da empresa “papéis de gênero atrasados, onde meninos e meninas são mostrados brincando com diferentes tipos de brinquedos, mas os meninos são retratados como ativos e as meninas como passivas”. E não é com pouco conhecimento de causa que os estudantes adquiriram esta percepção. Segundo o professor do grupo explicou ao Smålandsposten, jornal local, a reclamação seguida de denúncia foi uma consequência de mais de dois anos de estudo dos alunos em cima dos gêneros e de como eles são retratados.

As crianças também deram sua palavra ao jornal, demonstrando sua percepção sobre o catálogo da “Toys ‘R’ Us”. O garoto Hannes Psajad, de 13 anos, declarou que estava preocupado com a mensagem da publicação e contou que ele e sua irmã sempre dividiram os mesmos brinquedos. “Garotinhas com coisas de princesa e, por outro lado, garotos vestidos de super-heróis. É óbvio que você é afetado por isso”, completou.

E não parou por aí. O Reklamombudsmannen analisou o caso, concordou com as crianças e emitiu uma reprimenda pública à grande varejista de brinquedos, alegando que no catálogo do Natal de 2008 da empresa realmente há discriminação de gênero. Em comunicado, o Ro completa: “O catálogo, em todas as suas páginas, retrata a escolha de brinquedos e jogos para crianças de uma maneira limitada, e esta exclusão de garotos e garotas para diferentes tipos de brinquedos é, em si mesma, degradante para ambos os sexos".

Pelo visto, agora as empresas terão de tomar mais cuidado ao desrespeitar crianças. Moa Averin, também pertencente ao grupo de alunos contra a discriminação de meninos e meninas, chegou a ressaltar ao jornal local a importância das crianças terem a possibilidade de serem quem elas quiserem, “mesmo se garotos quiserem brincar de princesa às vezes”.

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