Pesquisa norte-americana defende que ajudar o outro a atingir o seu potencial máximo é o caminho para a felicidade conjugal

Ajudar o outro a se desenvolver traz felicidade para o casamento, segundo estudo
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Ajudar o outro a se desenvolver traz felicidade para o casamento, segundo estudo
Um novo estudo afirma que o segredo do sucesso de um casamento é colaborar para que o outro atinja o melhor de suas características. De acordo com a pesquisa realizada por Eli Finkel, professor adjunto da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, um casal que “esculpe” um ao outro, fenômeno conhecido por alguns especialistas como “Efeito Michelangelo”, pode melhorar um relacionamento e aumentar a felicidade de ambos.

A ideia é a seguinte: imagine um relacionamento em que o marido tem vontade de se tornar mais extrovertido, mas é um pouco tímido e possui dificuldades para se soltar. Se a mulher colabora para que ele se sinta mais à vontade, mostrando como ele é uma pessoa interessante, ele se tornará mais confiante e conseguirá atingir o seu objetivo.

“À medida que o processo de escultura ocorre bem, quando um ajuda ao outro a moldar suas características para atingir o ‘eu ideal’, o relacionamento funciona melhor e ambos ficam mais realizados”, afirma Finkel ao site norte-americano ScienceDaily.com. No entanto, é preciso que o casal esteja de acordo com o que um gostaria que o outro desenvolvesse, e não que um tente “consertar” o que acredita ser a falha do parceiro.

Segundo a psicóloga especialista em relacionamentos, Margareth Scherschmidt, de São Paulo, este tipo de atitude é um dos aspectos que colaboram para o desenvolvimento de um casal saudável. “O parceiro pode ser capaz de reconhecer o potencial que está adormecido no próximo e ajudar para que ele venha à tona; como o escultor que vê numa pedra bruta a possibilidade da obra”, explica. Mas para que isso aconteça, a comunicação entre ambos precisa estar em dia e, segundo Finkel, ser a mais clara possível.
“Parceiros podem ajudar um ao outro na colaboração mútua para o crescimento se forem explícitos sobre seus objetivos e ambições. Por isso, é preciso ter uma conversa franca sobre quem você gostaria de ser daqui dez anos, alguém mais extrovertido, paciente, aventureiro, e contar isso para o parceiro”, afirma o especialista.

Pedras no caminho

No entanto, para a Scherschmidt, são várias as deficiências que podem ocorrer no meio do processo. Aspectos como a idealização do parceiro, projeção e medo são exemplos do que pode dificultar a comunicação, o aprendizado e colaboração entre o casal.

Ailton Amélio, psicólogo e especialista em relacionamentos da Universidade de São Paulo, explica que, na prática, o “Efeito Michelangelo” é difícil de acontecer, embora não seja impossível. “A pessoa precisa estar convicta do amor pelo outro para ajudá-lo no que ele busca”, afirma. Segundo o especialista, o maior problema é ocorrer é um choque de aspirações. “Quando aquilo que você deseja que o outro seja não é o que ele quer ser, então, é difícil que dê certo. É preciso ser muito altruísta ou, então, ter a mesma vontade do parceiro”, diz.

Para estabelecer uma comunicação ideal em que ocorre o apoio mútuo, Scherschmidt explica que os dois precisam desenvolver o sentimento de empatia, de se colocar no lugar do outro, mas sem esquecer-se de si mesmo. “Eu não posso me colocar como a estrutura do outro, tenho que ajudá-lo a desenvolver sua própria base”, explica. Para isso, ela afirma que o processo de autoconhecimento é o item mais importante. “Assim, você acaba conseguindo enxergar aquilo que é melhor para o outro, respeitando também os seus limites e desejos”, completa.

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