08/11 - 08:30
Michelle Obama e o destino do Ônibus de Montgomery
Esta semana o mundo presenciou a concretização de uma das mais importantes mudanças de valores nos Estados Unidos: a eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro da historia americana
Lícia Egger Moellwald
Uma vitória que teria sido impossível se, no dia 1 de dezembro de 1955, uma mulher negra decidida a fazer justiça tivesse ficado calada e acatado a ordem de se levantar para um homem branco no ônibus em que voltava para casa. Seu nome? Rosa Parks.
O episódio, conhecido como “Ônibus de Montgomery”, deu início a um boicote em massa dos negros americanos, que culminou em 1964 com a lei que transformava a segregação racial num ato fora da lei naquele pais.
Rosa foi uma dessas mulheres que brigou por seus direitos e acreditou que as coisas podem e devem mudar. A jovem que principiou uma era de transformações acabou, ao lado de Martin Luther King e outros negros, como um símbolo de que vale a pena lutar e de que nada dura para sempre.
Não é de hoje que os americanos vêm se rendendo à importância de compartilhar a direção do país com pessoas como Condoleezza Rice, Colin Power e outros. Mas a eleição de um negro para a Casa Branca atesta que a luta pela igualdade entre brancos e negros chegou ao fim.
Para Michelle Obama, advogada formada em Harvard e mãe de duas filhas, esse é o final da luta de uma longa lista de mulheres negras pela igualdade, a fim de dar um destino melhor e mais coerente para seus filhos.
Como a primeira dama negra a ocupar a Casa Branca terá, ao lado do marido, de zelar pelo compromisso de conciliar as diferenças e comprovar que a cor da pele nunca foi fator que identifica competência.
Michelle Obama tem uma dimensão histórica que, independentemente do que ela vier a fazer, já lhe foi imputada. Ela será o exemplo vivo para gerações de mulheres negras e brancas, de que o conflito racial não faz sentido e não pode mais existir.
A senhora Obama é, mesmo que não queira, a representante de um novo mundo no qual a tolerância e a igualdade devem ser os valores máximos para ajudar a nos perpetuar como espécie.
Rosa Parks não viveu para saber o fim do que ela começou quando se insurgiu contra o que não considerava justo. Todavia, seu legado histórico é testemunho de que vale a pena lutar pelo que consideramos acertado, mesmo que só os nossos descendentes possam colher os benefícios.
Michelle Obama foi mais feliz, recebeu a incumbência do destino de tornar
realidade o que Rosa Parks começou e, se Deus permitir, viverá durante por
muitos anos para provar que o “Ônibus de Montgomery” finalmente chegou ao seu
destino final.
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