É fácil perder o foco no dia a dia e deixar a rotina arrastar seus desejos e sonhos. Conheça a história de gente reverteu isso

É fácil se deixar levar pela rotina. Não quer dizer que estamos parados vendo a vida passar – mas, presos nas obrigações do dia a dia, também nos distraímos e as brancas nuvens seguem passando. Se cuidar do cotidiano já é tarefa muitas vezes difícil e cansativa, como podemos fazer para tomarmos as rédeas e realmente domarmos nosso destino? Gente que conseguiu conta como foi.

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Ao se deixar levar, a vida de Fernanda Ramirez, 34 anos, chegou ao ponto do intolerável. Numa faculdade de educação física, ela respondia por 8 turmas de 110 alunos. “Tinha semestre que eu dava 30 horas de aula por semana. A universidade virou um sistema de massa. Como você corrige mil trabalhos por semana?”, desabafa. “Até os 29 anos fui professora porque não sabia o que fazer.” Pediu demissão, conseguiu uma bolsa de doutorado para se manter e traçou um plano tentar uma nova profissão: ser escritora.

O planejamento incluía uma rotina rigorosa de escrita e networking: ela passou a fazer contatos e se inscrever em concursos literários. “Fiz um livro de crônicas que foi premiado, consegui mídia, publiquei, me dediquei a isso.” O livro de Fernanda, “Língua crônica”, ganhou o Prêmio Funarte. “Estou muito feliz e aliviada com minha rotina. Não carrego mais o fardo da incompreensão da universidade, não pego mais trânsito, tenho metas”, conta a cronista.

“Às vezes a pessoa sabe seu valor, mas não sabe buscar seu cliente e divulgar esse serviço”, diz Fábio Zugman, autor do livro “Empreendedores Esquecidos”, em que discute como autônomos podem administrar a própria carreira. “Não basta ser bom e pensar que o mercado vai te reconhecer.” A questão é que muitas pessoas embarcam em carreiras autônomas e criativas para ter mais domínio sobre a realização pessoal; o desafio é casar a competência pessoal com o retorno financeiro.

140 quilos
Por conta do trabalho e da chegada da maternidade, a publicitária acreana Fernanda Ramalho, 28 anos, foi engordando, mas não conseguiu colocar os cuidados com a saúde em primeiro plano. Todo mundo que já ganhou alguns quilos sabe perfeitamente que eles não chegam de repente – mas é exatamente isso que parece quando não estamos prestando atenção em nós mesmos.

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“Aos 118 quilos me assustei, mas já não conseguia me controlar”, conta. Ela chegou a 140 quilos, e num check-up médico, recebeu ordem expressa de emagrecer. Em vez de comer sem pensar, Fernanda passou a ser criteriosa, mudou radicalmente as compras da família e já perdeu 42 quilos com dieta, exercícios e um implante de balão bariátrico. O implante já foi retirado, mas o emagrecimento continua.

Ela afirma que decidiu assumir o controle porque não queria que a filha assimilasse seus maus hábitos. “Eu precisava tomar uma atitude para me cuidar e dela também, senão eu iria perder tudo que eu colocava acima de mim”, afirma. Ainda faltam muitos quilos, mas ela já curte prazeres como comprar roupas com mais facilidade e brincar com a filha. “O caminho pode até ser longo, mas quando sabemos onde queremos, chegar ele se torna mais leve”.

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Um dos passos para retomar a direção é aprender a gerenciar o tempo. “O principal fator que faz a gente não dar conta é a ansiedade: você não enxerga brechas na agenda”, afirma Rosângela Gessoni Sapata Aguilar, autora de “Mulher – Guia prático de sobrevivência” (Editoar Baraúna). Para ela, não existe Lei de Murphy. “Ansiedade pesa muito. A falta de organização e mau gerenciamento do tempo contribuem na perda de foco.”

Aos poucos

O risco de perder o controle sobre um aspecto da vida aumenta quando as mudanças são tão graduais que se tornam imperceptíveis, seja num emprego, num casamento ou no estilo de vida. “É comum que uma situação de vida aos poucos vá se deteriorando. Ao longo dos anos você descobre que ela não condiz mais com você, perdeu o sentido. A deterioração é lenta, mal se percebe.”, diz o psicólogo Luiz Alberto Hanns. Aí começa o processo de fazer frente às próprias escolhas, que é diferente para cada pessoa. “Sair da situação chacoalhando tudo ou criando pontes são jeitos diferentes de lidar e ritmo de mudança. É preciso se conhecer até para saber o que funciona para cada temperamento”, alerta Hanns.

Uma mudança transitória foi o que levou Mariana de Lucca, 28 anos, a dar rumo definitivo a sua vida. Ao se formar, ficou decepcionada com o primeiro emprego e estava entediada com o namoro. “Fui passar um ano em Los Angeles para aprender inglês, mas, quando cheguei aqui, eu vi como o mundo é grande e minha vidinha no Brasil era sem graça”, conta Mariana. Para sobreviver, ela fez de tudo: foi entregadora de pizza, babá, garçonete, faxineira, promotora de eventos.

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Quando concluiu um curso na Universidade da Califórnia, conseguiu um emprego na Warner Bros, que durou até a crise na economia americana. Foi aí que teve o estalo de que não queria mais pular de carreira em carreira. “Fui morar sozinha, adotei um gato e me toquei de que era a hora de arrumar um emprego bacana, porque eu tava cansada de ‘viver de bico’”, conta. Mariana voltou a estudar e batalhou uma vaga no Google, onde hoje é analista de qualidade. “Quando você sai da sua cidade, do seu país, é muito mais fácil ficar sem rumo por aí. Nas vezes em que eu vi que minha vida estava tomando uma direção que não me fazia feliz, decidi dar um basta”, diz a analista, que se considera feliz com as decisões.

Outra dica para manter a vida em ordem é não perder de vista sonhos e ambições. “Não é ruim estar na zona de conforto, ela é gostosa. Mas as pessoas ficam muito tempo nela”, afirma Ari Brito, sócio da Marca Pessoal, empresa de desenvolvimento humano e treinamentos. Para ele, às vezes atingir 50% de uma meta é suficiente para alguém se acomodar e ligar o piloto automático. Nos treinamentos, ele usa a respiração como um meio para restabelecer o foco. “Numa situação tensa, respire fundo e se concentre.” E não deixe o controle escapar mais.

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