Alguns orientais procuram mudar sua maior característica – os olhos puxados – com operação plástica

Vale a pena se sentir mais parecida com
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Vale a pena se sentir mais parecida com "a maioria"?
De acordo com o chefe do setor de Cirurgia Plástica e Queimados da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, Sylvio Corrêa da Silva Junior, a cirurgia de ocidentalização consiste na confecção de prega nas pálpebras superiores, inexistente em parte dos orientais. “De forma resumida, fazemos uma fixação da pele no músculo orbicular do olho em toda a sua extensão, além da retirada do excesso das bolsas de gordura”.

Segundo Fábio Xerfan Nahas, cirurgião plástico da Unifesp, o procedimento pode ser realizado com anestesia local e sedação ou sob anestesia geral. “A cicatriz resultante ficará localizada na própria prega palpebral, tornando-se discreta com o passar do tempo ou imperceptível em alguns casos. O segredo para que o resultado seja natural é a localização da dobra que deve ser pequena, simulando a naturalidade dos orientais que possuem esta prega”, diz.

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apontam que 2% de todas as cirurgias plásticas feitas no Brasil são de pálpebras.

A publicitária Thais, 38, conta que a cirurgia foi simples e que sua recuperação foi bem rápida. “A diferença para os outros é muito sutil, mas para mim foi enorme. Quando avisei à minha família, eles não reagiram bem na primeira vez que toquei no assunto. Mas, depois, perceberam que não era nada radical. Hoje me sinto muito mais feliz", conta. 

Por outro lado, Sylvio Corrêa alerta para possíveis arrependimentos. “A técnica já foi muito utilizada no passado, mas tem aspectos que devem ser bem avaliados, como a negativa da característica racial, não sendo fácil de reverter”, avalia.

Nahas diz que a cirurgia não melhora a autoestima, fato já foi comprovado por vários estudos. “O psicólogo pode ser um grande aliado em qualquer procedimento de cirurgia plástica. Pacientes que não estejam seguros, que esperam resultados superestimados ou tenham um quadro depressivo podem beneficiar-se destes profissionais”, recomenda o especialista.

A chamada cirurgia de ocidentalização, que pode resultar em um aspecto mais suave nas pálpebras, não é apenas uma influência ocidental, uma vez que os orientais que possuem essa prega cutânea são considerados mais atraentes por seus pares em países como o Japão e a China, de acordo com pesquisas realizadas nestes países.

Segundo Fábio Xerfan Nahas, quando um oriental vive em um ambiente ocidental, ele pode acabar procurando a cirurgia para se sentir mais parecido com a maioria.

Para a estudante Ana, 18, as pálpebras, que ela considerava “caídas”, eram feias e ela queria atenuar o que considerava um problema. “Não queria deixar de ter traços orientais, apenas desejava um olhar mais delicado. Até a maquiagem não funcionava bem, e eu adoro me sentir bonita e bem arrumada.”

Ana conta que teve muito medo de revelar o seu desconforto para a família. “Meu pai é muito rígido e fiquei com medo de ofendê-lo por estar negando minha ascendência, mas me surpreendi e ele aceitou bem a notícia. Meus olhos continuam puxadinhos, só que agora estão muito mais bonitos”, diz.

* Os sobrenomes não foram divulgados a pedido das entrevistadas

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