Hábito de deixar as tarefas e projetos para a última hora é desgastante e gera muito estresse no dia a dia. Veja dicas de especialistas para superar esse comportamento

Para os procrastinadores – aquelas pessoas que deixam tudo para depois e adiam todas as tarefas até último minuto – dezembro não costuma trazer uma sensação muito agradável.  Justamente porque eles se confrontam neste fim de ano com todos os projetos que prometeram cumprir em janeiro, mas acabaram não concretizando. O primeiro passo para não repetir esse comportamento em 2015 é entender o que é a procrastinação. 

A coach Pilar Aznar explica que nem sempre o procrastinador tem consciência de sua condição. “No inconsciente falamos outra frase: ‘não gosto de encarar desafios’, ‘não gosto de fazer errado’, ‘não gosto de lidar com fulano’ e é isso o que nos impede de fazer aquilo que queremos fazer”, diz a especialista, apontando as justificativas internas de quem tem este tipo de atitude. 

“De procrastinador e louco todo mundo tem um pouco; o problema é quando isso passa a ser o modus operandi da pessoa”, pontua Eliane Figueiredo, 53, diretora da Projeto RH, parafraseando o famoso ditado.

Veja na galeria dicas para superar a procrastinação:

Eliana conta que a consequência desta conduta é uma vida estressante. “Alguns psicólogos dizem que o procrastinador é aquele que quer fazer tudo certinho, mas que deixa as coisas para depois para se cercar da melhor forma possível. O que acontece é justamente o contrário. Depois, a pessoa sofre pressão do tempo e daí dá uma grande ansiedade, ela fica mal.”

Leia mais:  Procrastinação pode esconder problemas mais sérios

O técnico de manutenção da Petrobras André Migues Zamana, 34, sabe bem o que é sentir esta angústia. Dono anteriormente de uma empresa, ele credita, em boa parte, o fechamento do seu negócio ao seu hábito de procrastinar. “Eu não gosto de falar ao telefone. Então, eu empurrava ao máximo com a barriga. Procrastinava a ideia de ligar para um cliente, [pensando] eu ligo daqui a pouco ou eu ligo amanhã. Até o ponto de perder cliente, perder negócios”, relata Zamana.

Esta conduta o fazia correr contra o relógio para cumprir as metas. “A gente acaba criando um vício pela adrenalina de resolver as coisas na última hora. Sem perceber, eu deixava as coisas para o último segundo. Daí, eu me virava em mil para conseguir resolver. Na hora dá uma sensação muito boa, mas isso se tornou um vício e acabou virando um problema.”

Para superar a procrastinação, André Migues Zamana se concentra na parte divertida de tarefas difíceis
Arquivo pessoal
Para superar a procrastinação, André Migues Zamana se concentra na parte divertida de tarefas difíceis

Com o tempo, Zamana percebeu que este comportamento não estava lhe fazendo bem. “Passei por momentos bem críticos e vi que na maioria das vezes o que não dava certo era ficar deixando as coisas pra depois”, reconhece o técnico de manutenção. Com essa consciência, ele decidiu mudar.  

“Procuro tentar fazer na hora em que tem ser feito. E temos que dar um jeito de fazer o que é extremamente chato. Eu procuro me focar nas pequenas coisas divertidas que as coisas chatas têm – se é que eu consigo encontrá-las – para me convencer na hora de que aquilo é bom”, revela Zamana, que usou esse entendimento para driblar o seu incômodo em falar ao telefone. “Penso que com uma ligação evito sair no sol quente e resolvo mais rápido o que preciso fazer. Porém, nunca vou deixar de estar sempre me vigiando porque procrastinar faz parte de mim”, admite o técnico de manutenção.

Quem, assim como Zamana, deseja superar o perfil de procrastinador crônico deve adotar a estratégia de “parar, pensar e só depois agir”, de acordo com Pilar. Essa reflexão deve buscar o que está por trás da conduta desgastante de protelar os afazeres. Questões como o medo de falhar, a insegurança, a desconfiança de não ter competência para executar a tarefa, a falta de motivação, entre outros fatores.

Sempre deixando tudo para a última hora, quem procrastina vive uma luta diária contra o relógio
Thinkstock Photos
Sempre deixando tudo para a última hora, quem procrastina vive uma luta diária contra o relógio

“A pessoa precisa pensar no que ela quer e no quê vai conquistar ao fazer o que está postergando. Assim, ela se automotiva e começa a fazer o que não gosta ou está insegura. O desejo tem que ser maior do que o medo que a faz procrastinar”, propõe Pilar.

Uma dica prática é fazer uma lista das ações importantes a serem feitas no dia seguinte e no início do expediente dedicar de uma a duas horas em cumpri-las. E não vale partir para o segundo item antes de concluir o primeiro. Eliane indica começar a cumprir as tarefas lista pelo mais chato ou mais difícil. “Quando a gente tira algo de letra, ganhamos ânimo para fazer outras coisas. Se a pessoa inverte, ao final do dia ela já estará cansada para fazer algo que exige mais dela”, pondera.

Para a técnica da lista funcionar ainda é preciso hierarquizar prioridades entre as tarefas.  “Importantes são aquelas ações que me levam mais perto do meu objetivo e urgentes são aquelas que temos que fazer e nos distraem”, distingue Eliane, acrescentando também que é necessário saber delegar.

“Quando mais alta estiver a pessoa hierarquicamente, mais ela deve se dedicar ao que é importante e delegar as urgências”, conclui a especialista.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.