Na verdade, esta não deve ser uma preocupação do paciente, mas sim do profissional – que irá buscar a melhor linha a ser seguida

Definir a linha de terapia a ser seguida é
função primeiramente do terapeuta
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Definir a linha de terapia a ser seguida é função primeiramente do terapeuta
Gestalt, cognitiva, freudiana, junguiana. Os nomes destas linhas de terapia são complicados e por vezes ficamos na dúvida quando vamos consultar um terapeuta. Mas a verdade é uma só: quando for visitar um especialista, preste atenção se você se sente bem na presença dele e se ficaria à vontade para falar dos seus mais secretos sentimentos para esta pessoa. É isso que irá determinar uma boa relação no futuro. “Dificilmente as pessoas procuram um terapeuta por causa da linha usada por ele”, relata a psicoterapeuta Maura de Albanesi, diretora do Instituto de Psicologia Avançada AMO.

Mas a psicanalista e psicoterapeuta Blenda Oliveira, coordenadora da Casa Movimento, diz que é comum pacientes perguntarem. “Sim, e se não perguntar é parte do trabalho do psicoterapeuta informar. Algumas pessoas não perguntam por que acham que não vão entender, mas há maneiras muito simples de informar ao cliente que serviço ele está comprando, assim como os requisitos para o sucesso do tratamento”.

Quanto à escolha, a psicanalista diz que não há critério para definir o melhor terapeuta, já que é um trabalho que depende, essencialmente, da capacidade de empatia no encontro. “Um dos cuidados é ter indicações por parte de pessoas confiáveis, que já tiveram experiência de terapia com o profissional”, diz.

Entre Freud e companhia
Geralmente, os terapeutas aplicam mais de uma técnica em seus pacientes. “Cada um conduz de uma forma diferente, mas todos chegam ao mesmo ponto no final. O que diferencia é a necessidade individual. Mas uma vez escolhida uma linha, não se muda no meio do caminho”, comenta Maura de Albanesi.

Basicamente as diferenças estão na postura do terapeuta, na metodologia usada por cada um e no objetivo a que cada tipo de terapia se propõe. “Por exemplo, quando alguém procura um trabalho mais objetivo, direcionado para um determinado foco, a cognitiva é mais indicada. Quando há questões familiares e conjugais, a abordagem sistêmica é eficiente. Para um trabalho de autoconhecimento aprofundado, que não tem como objetivo encontrar saídas imediatas, a psicanálise freudiana ainda é uma das melhores opções”, opina Blenda Oliveira.

Linhas de terapia
Conheça algumas das linhas de terapia mais populares.

Freudiana - Sigmund Freud, o pai da psicanálise, acreditava que o método de investigação deveria evidenciar o significado inconsciente de palavras, ações, sonhos, fantasias e delírios de uma pessoa. A sua técnica permite associação livre.

Junguiana - Carl Jung buscava os arquétipos no coletivo e tinha como objetivo a reconciliação dos diversos estados da personalidade dentro das pessoas.

Lacaniana - A teoria de Jaques Lacan usa a livre associação e conversas em que o próprio analisado descobre as suas questões.

Gestalt - Tudo tem influência em cada ser vivo: a natureza, o planeta, o meio em que se vive. Só pode ser compreendido pelas interações entre as partes que compõem um todo. Nada pode ser compreendido isoladamente.

Sistêmica - Não existe verdade absoluta, certo ou errado, bom ou ruim. O terapeuta deixa que o paciente reconheça seu próprio padrão de funcionamento. A análise é feita de acordo com as reações de cada pessoa diante de uma situação específica.

Cognitiva-condutual - O paciente já é diagnosticado no começo do tratamento, que utiliza técnicas de relaxamento e respiração durante a sessão. Há ainda tarefas relacionadas com o problema para o trabalho durante a semana. Todos os passos são explicados.

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