Ela é magra como as francesas, não é nada boazinha e é de Vênus

Focando principalmente em relacionamentos e aparências, os manuais de autoajuda dão fórmulas para a felicidade
Thinkstock/Getty Images
Focando principalmente em relacionamentos e aparências, os manuais de autoajuda dão fórmulas para a felicidade

As prateleiras de qualquer livraria estão abarrotadas de livros que prometem revolucionar a vida das mulheres e ensiná-las a lidar com todos os problemas. São receitas de sucesso para tudo: livrar-se dos quilos a mais que insistem em se acumular na cintura, resolver de uma vez por todas a vida sentimental, casando com o cara certo, enriquecer o bastante para nunca mais ter que se preocupar com dinheiro.

Resolvemos compilar todas essas receitas e conselhos e montar o perfil de como seria, na prática, a mulher ideal, criada graças aos maiores best-sellers de auto-ajuda.

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O que toda mulher inteligente deve saber de Steve Carter e Julia Sokol (editora Sextante) propõe-se ser o roteiro oficial das mulheres inteligentes, que já começaram com o pé direito ao comprar o livro. “As mulheres inteligentes sabem que nenhuma mulher nasce inteligente”, afirma a obra. Depois de seguir ao pé da letra esse manual, a mulher terá aprendido a distinguir o homem “certo” do homem “errado”, identificando os potencialmente violentos e os mentirosos.

E se o relacionamento ainda assim não der certo? O guia ensina também a lidar com a separação, que ela vai tirar de letra. Ficar ligando para o ex e implorar por migalhas de amor? Jamais! Seguindo os 11 mandamentos da mulher inteligente , ela está pronta para sair-se bem de qualquer emboscada sentimental.

Não é a primeira vez que essa mulher desvenda os mistérios do sexo oposto. Há anos ela tem uma bíblia na cabeceira para entender porque é tão difícil falar a língua deles. “ Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus ”, de John Gray, (ed. Rocco) ensinou-a que homens e mulheres são de planetas diferentes. E que se ela quiser um armistício, vai precisar aprender a dominar a estranha língua dos marcianos. “Você vai aprender novas estratégias para conseguir o que você quer nessas horas de conflito”, promete o livro. Não tentar dar conselhos a eles é uma dica. Aliás, melhor não falar muito para não irritá-los.

“Esperar que um homem, que esteja em sua caverna, instantaneamente se abra, se torne sensível e amável é tão irreal como esperar que uma mulher que esteja aborrecida imediatamente se acalme e seja completamente razoável”, diz o clássico. A mulher de Vênus vai aprender a fortalecer seu homem e a nunca tentar mudá-lo, para que ele possa ser e agir como seu “cavaleiro da armadura reluzente”.

Mas para conseguir se destacar – positivamente - no mar das outras bilhões de mulheres do planeta, nada como estar magra. Se possível, como uma francesa: magra sem precisar nunca fazer dieta, nem exercícios, ao contrário, curtindo os prazeres da mesa. Ela vai comer frugalmente, diminuir elegantemente a quantidade de comida que põe no prato, mas com prazer. Tomar sua taça de vinho para acompanhar as refeições e trocar o carro por uma rotina a pé ou de bicicleta.

Se, mesmo aproveitando para andar alguns quarteirões com os filhos até a creche, fazer supermercado ou ir para o trabalho a pé, as calorias queimadas não forem suficientes, ela pode sempre recorrer à sopa de alho-poró, até perder os quilinhos extras. É essa a receita de bem viver de “ As Mulheres Francesas não Engordam ”, escrito por Mireille Giuliano (ed. Campos), presidente do braço americano da companhia que produz o champanhe Veuve Clicquot.

Magra e com foco bem definido nos exemplares certos do sexo oposto, como se comportar? Antes de mais nada, ela deve saber se posicionar, dizer “não”. Em suma, livrar-se da “ Síndrome da Boazinha ”, descrita pela psicóloga Harriet B. Braiker no livro homônimo (ed. Best-Seller). O subtítulo revela a meta feminina: “Como ser poderosa curando sua compulsão por agradar”. Como? Diga “não” sempre que quiser dizer “não”, por exemplo. A dra. Braiker ensina técnicas e jeitos diferentes de dizer não: fazer uma contraproposta, se omitir, adiar a resposta ou simplesmente repetir a negativa como um “disco arranhado”.

Depois de superar a dependência da aprovação da família, dos colegas de trabalho e dos amigos, está na hora de entrar em campo. Essa mulher não tem mais nenhuma dúvida de que ser boa moça não faz sucesso. Em “ Porque os homens se casam com as manipuladoras ”, de Sherry Argov (ed. Best Seller), ela vai aprender a fazer um homem obedecê-la e ainda achar que a ideia foi dele, a ponto de implorar para que ela se case com ele.

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Ao ser uma mulher livre, forte e segura e independente, certamente ela vai garfar o melhor solteirão do pedaço. Aliás, ela já sabia disso há tempos. Desde o lançamento de “ Meninas Boazinhas Vão para o Céu, as Más Vão à Luta ”, Ute Ehradt (Ed. Objetiva), que fez sucesso nos anos 1990, ela já tinha se acostumado com a ideia de ser um pouco rebelde para manter o respeito dos outros.

Mas mesmo tendo emagrecido ao desfrutar os prazeres da boa mesa, aprendido a se posicionar firmente e a dizer “não” e conhecendo todas as estratégias para evitar os canalhas, os violentos e os maus sujeitos, pode ainda ter um último problema pela frente. Depois depois de alguns encontros com o cara perfeito, ele deixa de retornar suas ligações e e-mails e ignora seu convite para sair.

Ele simplesmente não está a fim de você ”, de Greg Behrendt e Liz Tuccillo (Ed. Rocco) dá uma luz: nem sempre o esforço feminino vale a pena, ainda que você tenha feito tudo para ser irresistível. Para Greg, “os homens preferem ser atropelados por elefantes pegando fogo do que dizer, pura e  simplesmente, que não estão a fim de você.” Nunca, em hipótese alguma, ela deve ir procurá-lo. Ao contrário, melhor desistir do rapaz em questão – e, quem sabe, começar o ciclo todo de novo.

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