Especialistas defendem que a chegada dos 40, 50 anos pode ser a melhor fase da vida

Meia-idade sem crise
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Meia-idade sem crise
Chegar à faixa dos 40, 50 anos, não é fácil. Neste período, costuma ocorrer a famosa crise da meia-idade, tanto para homens quanto para mulheres. Em geral, ocorre a sensação de que o mais importante da vida já passou e a dificuldade em lidar com as mudanças físicas.

De acordo com Carlo Strenger, professor do Departamento da Universidade de Tel Aviv, o aumento da expectativa de vida nas últimas décadas deve fazer com que as pessoas mudem sua ideia de que esta fase seja algo ruim. “As pessoas passaram a viver vidas mais completas e com mais tempo. Então, precisamos deixar este estereótipo e começar a pensar em termos de ‘transição da meia-idade’, e não em crise”, afirma.

Em artigo escrito em parceria com o pesquisador israelense Arie Ruttenberg e publicado no ano passado na revista norte-americana Harvard Business Review, o professor afirmou que os anos posteriores à meia-idade representam a melhor época para prosperar e crescer. Baseado em pesquisa com evidências empíricas e estudos de campo, Strenger descarta o mito de que estar por volta dos 50 anos significa ter que se adaptar para diminuir expectativas.

“Se você faz um uso frutífero do que descobriu sobre você mesmo na primeira metade de sua vida, a segunda metade pode ser ainda melhor”, alega Strenger. Segundo a doutora em Psicologia Clínica, mestre em Gerontologia e colunista do iG, Dorli Kamkhagi, somente agora esta etapa da vida está deixando de ser vista como o momento antes de envelhecer. “Hoje, no caso da mulher, há uma preparação para viver este momento de transformação e também de descobertas, seja do corpo ou do trabalho. Nem todas as portas estão abertas, mas pode-se pensar em escolhas”, diz a especialista.

De acordo com a psicóloga Regina Maria de Albuquerque Pinheiro, autora do livro “Maria” (Editora Ottoni), que conta a história de uma mulher de meia-idade, existem muitos pontos positivos nesta faixa etária. “A grande maioria das pessoas ganha maior tolerância, paciência, capacidade para escolher melhor as empreitadas, por exemplo”, explica ela. “Além da estabilidade financeira que, normalmente, é alcançada, possibilitando mais viagens, por exemplo”, completa.

Ao chegarem à meia-idade, as mulheres devem perceber que já cumpriram muitas funções e é neste momento que há a possibilidade de escolhas. “Todas as transformações trazem algumas crises, mas é preciso entender que elas podem ser bem-vindas. Elas nos ajudam a viver uma etapa da vida que pode ser mais profunda do que imaginamos”, explica Dorli. Para ela, a mulher já possui maturidade o suficiente para perceber que algumas perdas são necessárias, mas que existem muitas outras possibilidades.

A meia-idade proporcione a transformação do corpo e, no caso das mulheres que tiveram filhos, a saída deles de casa. A mulher que chega aos 50 anos precisa olhar para si mesma. “Ela tem condições de pensar ,o que é bom para ela e no que não quer mais”, justifica Dorli.

Veja as dicas das especialistas para uma meia-idade tranquila:

- Desenvolva metas e vá atrás de objetivos que sejam realmente importantes para você

- Pense mais em você. Considere o que você mais preza e as suas qualidades e deixe de lado o que os outros esperavam de você

- Não tenha medo de superar obstáculos ao realizar novas mudanças em sua vida. Vale muito a pena investir em novas possibilidades

- Cultive as novas e antigas amizades. As pessoas que te conhecem melhor poderão te apoiar em novos rumos

- Reveja seus valores. Preste mais atenção em tudo aquilo que ganhou recentemente – e pense menos no que perdeu

- Mantenha a atividade do corpo, com exercícios, e da cabeça, com leituras e outros passatempos

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