Como afastar pessoas que nos fazem mal

Por Verônica Mambrini, iG São Paulo

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É indelicado excluir alguém da sua vida? Se for necessário, qual a melhor forma de proceder?

Para-raio de malucos podia ser o apelido da atriz Fernanda Assef, 25 anos. “Coleciono histórias que vão desde loucos aleatórios até dois namorados que não aceitaram o fim da relação”, conta. Mas o pior dos casos foi o rapaz que conheceu numa mesa de bar através de amigos comuns e que resolveu adicioná-la numa rede social.

“Fui simpática com ele como costumo ser entre conhecidos, mas não lembrava nem o nome do cara. O fato é que ele cismou que éramos feitos um pro outro”, lembra a atriz. E aí começou um pesadelo de mensagens pela internet e por celular, incluindo mensagens públicas postadas, insinuando que estavam dormindo juntos. “Liguei e falei claramente que não tinha gostado da atitude, que não éramos sequer amigos, que aquilo era coisa de gente louca”, lembra. Fernanda ainda teve que ouvir uma declaração de amor antes dele pedir desculpas e desligar. A falta de reciprocidade de Fernanda e o basta dito claramente, fizeram o rapaz desistir. Mesmo assim, anos depois, ele encontrou-a em outra rede social e tentou adicioná-la de novo. “Não te conheço, não somos amigos”, rechaçou Fernanda, colocando um ponto final na história.


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Na hora de afastar uma pessoa que está nos fazendo mal, é preciso aliar elegância e firmeza
Por mais gentil e educada que uma pessoa se disponha a ser nesses casos, chega uma hora que afastar o outro é necessário e nem sempre é possível fazer isso sem uma boa dose de firmeza.

Afastar alguém que incomoda sempre implica na possibilidade de magoar o outro. Principalmente quando se trata de um amigo que virou um chato ou um parente que só se aproxima para ser inconveniente.

A consultora de etiqueta pessoal Esther Soares acredita que o silêncio é a melhor estratégia. “Os franceses expressam sabedoria total sobre essa situação quando ensinam ‘laisse tomber’, que significa 'deixa cair'”, afirma. Sempre é deselegante cortar o contato de forma explícita. “Mesmo as pessoas muito queridas desistem de nós quando não as procuramos. Não é o que fazemos quando alguém não ‘tem tempo’ para nós? Pouco a pouco essa pessoa que você quer descartar irá desistir de você.”


De tempos em tempos, o agente de segurança César Góes, 22 anos, faz uma “limpeza” no círculo de amigos mais próximos. Quem deu mancadas feias acaba perdendo espaço. “Passei por situações difíceis graças a esse tipo de ‘amigo’, já fiquei na mão muitas vezes”, afirma. “Algumas pessoas, ao perceberem que não retorno, simplesmente não falam mais comigo e acabou. Com os que não se tocam, o jeito é ser franco”, diz César.

Para a consultora de etiqueta pessoal Maria Adriana Argentino, como dizer é uma das questões mais intrigantes de um relacionamento. O que é menos deselegante? Mentir para dispensar vários convites de uma amiga para ir ao cinema ou abrir o jogo e dizer que não está a fim? “É aí que começa a dúvida de como se afastar de alguém que não agrada mais, sem ser indelicado e ao mesmo tempo sendo ético”, afirma Adriana.

“Se você já se posicionou, é a outra pessoa que está sendo deselegante e desrespeitosa com você”, afirma. No caso de pessoas com quem a convivência é forçada, como colegas de trabalho, é preciso sangue-frio e respeito. “Se você ficar ‘criando caso’, o mal educado será você.”

Para a consultora, relacionamentos mais íntimos pedem que as coisas sejam ditas de forma clara. “Seja direto, franco e olhando nos olhos diga que não quer mais se relacionar com a pessoa.” É falta de consideração desmanchar um namoro, por exemplo, por telefone ou Facebook ou e-mail. No caso de amizades que não fazem mais sentido, ela recomenda ir se afastando aos poucos, mas sem mentir. “Com certeza o seu amigo vai perceber que você está se afastando e vai acabar procurando novas companhias.”

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Se a pessoa ainda assim insistir, não tem problema deixar de responder emails e telefonemas. “Se você já se posicionou, é a outra pessoa que está sendo deselegante e desrespeitosa com você”, afirma. No caso de pessoas com quem a convivência é forçada, como colegas de trabalho, é preciso sangue-frio e respeito. “Se você ficar ‘criando caso’, o mal educado será você.” Não responder, só em último caso.

A designer gráfica Cláudia Gavenas, 22 anos, manteve o jogo limpo até o fim, quando precisou se afastar de uma amiga. “Eu a via como melhor amiga de todas, amizade-siamesa mesmo”, diz Cláudia. Até que a amiga deu mancadas como espalhar segredos de Cláudia. “Ela negava até o fim que tivesse contado, mas fui percebendo que, pelas minhas costas, ela me caluniava, zombava de mim.” Cláudia chegou a ter vontade de dar o troco, “para mostrar a ela como a mentira e a maldade doem”. “Mas não fiz, passei a ignorar”. Como diz o adágio, antes só do mal acompanhado.

 

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