Psicanalista comenta as dificuldades comuns à fase da vida retratada na minissérie "Cinquentinha", que acaba de estrear na TV

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Carlos Zambrotti/AgNews
As "cinquentinhas" Betty Lago, Susana Vieira e Marília Gabriela na festa de lançamento da minissérie
“Cinquentinha” é a nova minissérie da Globo, que acaba de estrear na TV, sobre a história de três mulheres: Lara, Rejane e Mariana, representadas respectivamente por Susana Vieira, Betty Lago e Marília Gabriela. Todas já passaram dos 50 anos e não parecem aceitar muito bem o envelhecimento.

Como esse não é um drama somente das protagonistas da série, entrevistamos a psicanalista e programadora neurolinguística Amélia Nascimento sobre as principais questões – e pressões – enfrentadas pela “cinquentinha” brasileira nos dias de hoje:



O que você acha que a mulher brasileira de cinquenta anos tem em comum com as protagonistas da série?

De um modo geral, percebo que atualmente todas elas possuem uma grande preocupação com a saúde. Fazem exercícios, cuidam da alimentação, marcam consultas médicas. Você percebe que elas tomam um cuidado grande com o corpo e, consequentemente, com a beleza. É possível ter cinquenta anos e ser saudável, bonita, bem cuidada, mas também é necessário que as mulheres tomem cuidado para não se tornarem escravas disso.

Existem muitas pressões para as mulheres de cinquenta? Como isto influencia na vida delas?
As mulheres são sempre pressionadas para o sucesso, independentemente da idade. No entanto, quando elas chegam aos cinquenta, precisam estar mais preparadas para isso. Há uma cobrança para que as mulheres permaneçam jovens, então, muitas acabam se auto-agredindo para manter uma aparência juvenil. Nesses casos, é preciso que a mulher de cinquenta anos olhe para si mesma e não se deixe levar pela sociedade. Não dá para ela se manter jovem, sedutora, magra e, ainda por cima, estar antenada com a tecnologia e ter sucesso profissional. Ela tem que fazer eleições e olhar para as próprias necessidades.

Qual é a vantagem e a desvantagem de ter cinquenta anos hoje?
A vantagem é que neste período da vida surge uma tranquilidade maior. E isso acontece por causa de uma série de desapegos que são inevitáveis, como o crescimento dos filhos. É preciso ver esse acontecimento como uma coisa boa, como uma maneira de poder viver mais para si mesma. Por outro lado, a desvantagem também fala alto, há uma dificuldade para se adaptar ao mundo tecnológico. É preciso se abrir à modernidade e isso pode ser bastante complicado.

E em relação a relacionamentos, como você acha que as mulheres de cinquenta anos lidam com eles?
Existem aquelas que ainda não são capazes de limitar a nostalgia, a fantasia, que sempre acreditam que as coisas eram melhores aos vinte anos, mas acredito que a maioria já se sente mais tranquila em relação ao parceiro. Antigamente, o estereótipo era de uma mulher tolinha, romântica, hoje não. A maioria delas batalha e se empenha para lidar com situações diversas, seja sozinha, com filho ou separada do marido.

Como você acredita que as mulheres deveriam enfrentar o envelhecimento?
Se a partir dos quarenta anos a mulher não tem a maturidade necessária, ela acaba deixando de estabelecer limites. Quando chega aos cinquenta anos, a obrigação é respeitar os próprios desejos e ter coragem de ser feliz. De um modo geral, a mulher precisa estar harmonizada. Os geriatras dizem que você precisa começar a cuidar da velhice a partir dos 35 anos, para começar a perceber as maluquices, os exageros, os sofrimentos desnecessários. Assim, quando chegar aos cinquenta, será capaz de viver de forma mais tranquila.

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