Exames preventivos ajudam a detectar precocemente doenças em cães e gatos. Frequência dos testes depende de raça e idade

Normalmente os veterinários costumam começar a pedir exames preventivos aos seis anos para cachorros e por volta dos sete anos para gatos
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Normalmente os veterinários costumam começar a pedir exames preventivos aos seis anos para cachorros e por volta dos sete anos para gatos
Você sabe a importância de se fazer check-ups periódicos para a saúde do seu pet? Os veterinários afirmam que nem todos sabem que exames preventivos, como de sangue, eletrocardiograma e ultrasom abdominal total, devem fazer parte da rotina de cuidados com cães e gatos. “Em cidades maiores acredito que seja uma realidade mais presente na vida de quem decide ter um bicho de estimação, mas infelizmente no interior ainda não”, afirma a professora e médica veterinária do Hospital Veterinário da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), Silvia Manduca.

“Os donos nos procuram mais para tratar a doença do que para prevenir”, afirma Silvia. De acordo com a professora, muitas doenças não transparecem uma alteração clínica ou não apresentam sintomas e justamente por causa disso a realização de exames de sangue e cardíacos se torna bastante relevante. De acordo com dados da Comissão Animais de Companhia (COMAC), o setor de serviços para animais de estimação no Brasil ainda é maior do que o de prevenção sanitária. Segundo pesquisas da comissão, 34% dos proprietários levam seus pets para banho e tosa, enquanto 11% fazem consultas periódicas em seus veterinários.

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Quando começar?
A época ideal para se começar a fazer exames preventivos em cães e gatos muda de acordo com a raça e a idade do animal. Normalmente os veterinários costumam começar a pedir exames preventivos por volta dos seis anos para cachorros e para gatos a preocupação começa aos sete anos. Eles devem ser repetidos, pelo menos, uma vez por ano.

“Demoramos mais para fazer o check-up nos gatos porque eles, geralmente, vivem mais que os cães e nosso protocolo é começar um trabalho preventivo por volta da meia-vida do animal. Claro que se houver qualquer alteração clínica que detectamos durante as consultas de rotinas, podemos adiantar o check-up”, afirma a veterinária Letícia Martins Duwal.

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Ela explica que no caso do poodle, por exemplo, os exames cardíacos são recomendados por volta dos quatro anos. “O poodle tem uma pré-disposição a degeneração cardíaca. Com quatro ou cinco anos já é preciso realizar alguns testes para detectar qualquer problema de forma precoce”, ensina Letícia. Para cães da raça boxer os cuidados começam ainda mais cedo. Letícia afirma que por volta dos três ou quatro anos de idade essa raça costuma desenvolver problemas cardíacos e câncer nessa idade.

Os exames que fazem parte de um check-up vão depender bastante da situação financeira dos proprietários já que não são baratos. Uma avaliação bastante completa teria um exame de sangue – hemograma e provas bioquímicas para avaliar as funções renais e hepáticas –, raio-x de tórax, ultrasom abdominal total, eletrocardiograma e ecocardiograma. “Se encontrarmos alterações, aí sim podemos pedir alguns exames mais sofisticados, e claro, mais caros”, conta Silvia.

O custo de um check-up depende dos exames pedidos e também da região do país onde serão realizados. Na cidade de São Paulo, por exemplo, pode custar de 350 a 450 reais. Já no interior o custo cai um pouco. “Acredito que nas cidades menores um check-up mais simples deve custar por volta de 230 reais”, calcula a professora e veterinária Silvia Manduca.

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Sem sair de casa
As doenças infectocontagiosas podem ser prevenidas através da vacinação. Silvia recomenda que os donos evitem lugares públicos ou com grande aglomeração de pessoas no primeiro ano de vida do animal. “Pedimos que as pessoas não exponham seus cães e gatos porque eles precisam ter uma proteção, que vem através da vacina, para conviver com outros bichos. São raras as pessoas que seguem essa recomendação, mas seria a forma correta de proteger o animal”, diz.

A veterinária Letícia Martins Duwal reforça a importância de preservar o pet por alguns meses. “Cada veterinário tem seu protocolo de vacinação, mas no mínimo durante cinco meses os bichos precisam ficar longe de outros animais. Eu observo que essa preocupação vem aumentando com o tempo. Os donos estão ficando cada vez mais conscientes da necessidade de privar o animal desse convívio por um curto espaço de tempo”.

“Meus clientes são muito preocupados. Às vezes, chego a ir pessoalmente a casa deles para que o animal não venha até o consultório e fique muito exposto. Nem sempre é assim, mas as pessoas estão começando a ficar mais conscientes da importância da saúde animal”, afirma Letícia.

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