No Brasil, modelos podem ser vendidos por até R$ 4.900 e já são encontrados em várias cores, texturas e tamanhos

Não tem erro. Chega o verão e com ele o chapéu panamá. Modelos em cores vibrantes são a aposta desta estação. A peça foi eleita vedete no guarda-roupa de clássicos e descolados, tanto pela leveza quanto pelo estilo. A popstar Madonna foi flagrada várias vezes com um modelo de abas curtas. A top Gisele Bündchen também tem um para chamar de seu. O galã Brad Pitt se rendeu. E em território carioca, Reinaldo Gianecchini provocou suspiros com um exemplar.

A popstar Madonna usa chapéu panamá durante visita ao Brasil, em 2010
AP
A popstar Madonna usa chapéu panamá durante visita ao Brasil, em 2010
Quando se fala em leveza, é preciso saber: o panamá não esquenta o cocuruto. Por isso, é febre no calor carioca – que muitas vezes ultrapassa 40°C. Tanta badalação faz do item peça obrigatória para além das chapelarias. Até camelô tem. Resta decidir entre a palha original do Equador ou adaptações chinesas e congêneres. A diferença está no preço, que pode variar de R$ 15, nos camelôs, a R$ 4.900, em uma loja especializada na zona sul do Rio.

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O original, feito à mão por descendentes de índios incas, no norte do Equador, pode levar de dois dias a seis meses para ficar pronto. O processo de fabricação inclui a colheita da palmeira toquilla (Carludovica Palmata, em menção científica). “É um processo muito artesanal”, ressalta Marcelo Sarquis, dono da Aba Chapéus, em Copacabana. “O cara se embrenha na mata no distrito de Pile, no norte do Equador, faz a colheita, cozinha a palha e a seca até começar a tecer”, diz.

De acordo com a trama escolhida para moldar o adorno, um exemplar pode chegar a US$ 25 mil, assegura Sarquis. “Mas eu nunca consegui encomendar um desses, é muito difícil”. Na loja que mantém em Copacabana, o modelo mais caro que o empresário já vendeu saiu a R$ 4.900. “Só consegui trazer dois, foram vendidos rapidinho”, ele conta.
O empresário Marcelo Sarquis e seus modelos coloridos comercializados no Fashion Business
George Magaraia
O empresário Marcelo Sarquis e seus modelos coloridos comercializados no Fashion Business

Moda plural: modelos vão do branco ao amarelo ovo
Em agosto do ano passado, desfiles do Fashion Rio sinalizavam o que faria a cabeça dos mais antenados no verão 2011: a versão colorida. Rosa fúcsia, amarelo ovo e lilás estão bombando. Basta acompanhar o vaivém nas passarelas, nos bastidores e corredores do Píer Mauá, que abrigou a temporada de inverno do evento de moda.

O prefeito Eduardo Paes é adepto da moda.
Divulgação/Prefeitura do Rio
O prefeito Eduardo Paes é adepto da moda. "Minha coleção tem mais de 20", ele diz
“O chapéu Panamá é um clássico que fica bem com tudo, desde alfaiataria até com uma roupa mais leve e fluída”, atesta Silvana Holzmeisper, editora de projetos especiais da Vogue. “Ele é fresquinho e protege a cabeça e os cabelos do sol, além de ser um acessório muito charmoso e útil. A cara da temporada de verão”, acrescenta. “Estou amando, tenho uma coleção enorme”, conta a jornalista Samira Campos, que usa um exemplar comprado no Equador diretamente das mãos de um nativo. "Quero comprar os coloridos agora. Já tenho um rosa, mas quero o amarelo", diz.

Regras e dicas de uso
Especialistas afirmam que o item do manual de boas maneiras que manda tirar o chapéu dentro de ambientes fechados não vale para o panamá. A colunista de moda do iG, Gloria Kalil, já explicou por aqui que “faz parte da roupa, é quase um enfeite de cabeça que tem a finalidade de fazer bonito, não precisa ser retirado porque não faz parte de um ritual de proteção”.

Samira Campos tem uma coleção enorme, mas falta o amarelo. Silvana Holzmeisper desfilava com um modelo próprio, durante o Fashion Rio
George Magaraia
Samira Campos tem uma coleção enorme, mas falta o amarelo. Silvana Holzmeisper desfilava com um modelo próprio, durante o Fashion Rio
Os tradicionais, como o branco e o tabaco, ou moderninhos, como as versões coloridas, caem bem em diversas ocasiões: da praia ao programa noturno, como barzinhos ou rodas de samba. E vale quase tudo: mulheres podem combinar com shortinhos, vestidos, calça skinny e até blazer. Os rapazes também podem abusar, mesclando com bermudas ou calças. As usuais tiras pretas podem ser substituídas por lenços ou fitas coloridas.

Contudo, quem tem um legítimo panamá precisa adotar alguns cuidados com o adereço: a peça pode (e deve) ser lavada e até passada a ferro – sempre um pano por cima e cuidado, claro. Marcelo Sarquis diz que o melhor modo de guardar o chapéu é enroladinho dentro de uma caixa (onde não deve permanecer por muito tempo para não criar vincos).

Se é do Equador, por que chama Panamá?
Segundo o empresário Marcelo Sarquis, em território equatoriano a peça não passa de um chapéu de “palla torquilla”. Ele explica que o nome panamá foi popularizado por estrangeiros que trabalharam na construção do Canal de Panamá, no início do século 18. "Naquele período, o Equador havia exportado centenas de chapéus para os operários usarem embaixo do sol forte, mas engenheiros e políticos que acompanhavam as obras também aderiram”, conta. “Ao voltarem para seus países, quando questionados sobre a origem do adorno, respondiam: ‘é do Panamá’. E o chapéu foi se popularizando desta forma”, conclui.

Na época da construção do canal, o presidente norte-americano Teddy Roosevelt chegou a ser fotografado com um exemplar da peça. Dizem que era uma estratégia de marketing para mostrar solidariedade com os trabalhadores locais. O gesto, porém, ajudou a alçar o Panamá às passarelas mais fashions mundo afora.

Colaboraram Bia Amorim e Luisa Girão, iG Rio de Janeiro

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