Tratar apenas o animal não resolve o problema; extermínio do carrapato começa pela esterilização do ambiente

Umidade presente em parques e praças aumenta chance de proliferação dos carrapatos
Thinkstock
Umidade presente em parques e praças aumenta chance de proliferação dos carrapatos
Quando recebeu a incumbência de tomar conta de 35 cachorros de uma chácara, Maria Cecilia Sanches, presidente da ONG Segunda Chance, que cuida de cães desabrigados, já sabia ter uma tarefa difícil pela frente. Mas não imaginava que seria tanto. “Todos pegaram carrapatos!”, conta.

Praga frequente na vida dos caninos, o problema está relacionado às chuvas típicas do verão, como explica o Dr. Josélio Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária. “O carrapato se esconde em locais com certa umidade como canis, quintais e jardins”.

Para Maria Cecilia, no entanto, mais do que algo sazonal, os carrapatos parecem estar mais espalhados pela cidade do que nunca. “Este ano (2012) está terrível. Temos visto carrapatos em lugares que nunca tínhamos visto”, diz, antes de explicar: “é difícil tirar um cachorro das ruas de São Paulo que não tenha carrapato”. A Segunda Chance existe há oito anos e estão sob a responsabilidade da organização mais de cem cachorros.

O que é o carrapato

Carrapatos são pequenos artrópodes: seres invertebrados, da mesma família dos ácaros, que contêm membros articulados e exoesqueleto. Parasita, o animal se alimenta do sangue do hospedeiro e, de tal forma, pode transmitir uma série de doenças.

Erliquiose e babesiose são as mais comuns. Ambas afetam o sistema imunológico do cão. Febre, perda de apetite, vômito, sangramento e dificuldade respiratória são alguns dos sintomas.

Quando a analista técnica Cynthia Rubio soube que o cão dela estava com babesiose já era tarde. “Procurei fazer o tratamento, mas não adiantou e ele acabou falecendo”, conta. Por conta da experiência traumatizante, os cuidados com Gabi, sua nova cadela, são outros. “Sempre que detecto um carrapato eu tiro e queimo, para que ele não libere ovos, e, mensalmente, aplico o remédio recomendado pelo veterinário”.

Gabi, cadela de Cynthia, passa remédios frequentemente para não pegar carrapatos
Thinkstock
Gabi, cadela de Cynthia, passa remédios frequentemente para não pegar carrapatos
São mais de cem as espécies que podem afetar os cães. O mais comum é o “Rhipicephalus sanguineus”, mais conhecido como carrapato vermelho. Altamente reprodutivo, a fêmea pode gerar de 500 a 2 mil ovos por gestação.

Como detectar se o cão está com carrapatos e as melhores formas para o combate

Segundo Moura, se o cachorro começa a se coçar, as chances são grandes. Ou é pulga ou é carrapato. “O animal denuncia na hora”, diz. O procedimento a seguir é o óbvio: levar ao veterinário. “É preciso procurar um veterinário e explicar direitinho por onde o animal andou. Assim, fica mais fácil fazer o diagnóstico correto”, explica Moura.

>>> Assine a Newsletter , curta nossa página no Facebook e siga o @Delas no Twitter <<<

Detectado o problema, é de vital importância notificar as autoridades competentes. “Tem que entrar em contato com o centro de controle de zoonoses, informando o ocorrido, para que eles possam esterilizar o local”, diz.

Para Moura, é aí que está a forma mais eficaz para eliminar a praga. “O combate ao carrapato tem que ser feito no ambiente. Tratar apenas o animal é inútil, pois ele sempre seguirá se contagiando”, finaliza.

Continue lendo:
- Medicar o pet por conta própria é arriscado
- Qual a melhor propaganda com cachorros?
- Dicas para cuidar do pet no verão

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.