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Negócio de mulher

Marlene Ortega fala sobre carreira e trabalho

é pós-graduada em administração pela FGV-EAESP, diretora da Universo Qualidade e Presidente do Business Professional Women de São Paulo.

Carnaval: elogio e crítica às mulheres

A exposição demasiada, na época do carnaval, deixa para a mulher, que luta pela equidade de gênero, um resultado negativo

26/02/2010 14:39

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No ano passado, um casal de dançarinos abriu – com um tango maravilhoso- um evento especial, com platéia lotada de executivos, cujo tema era “Estilo de Vida- Viver Bem e Em Equilíbrio”. Após o espetáculo, perguntei aos dois, o que eles achavam de diferentes estilos e ritmos musicais. Ambos comentaram que a música consegue unir em um só universo diversos tipos de pessoas. “Todos os estilos são belos.Você poderá preferir o tango, a salsa ou o samba. Acontece que algumas pessoas alegam não gostar de determinado estilo sem ao menos conhecê-lo de perto. Não deveríamos criticar um tipo de dança, de música, se simplesmente nem tivemos a oportunidade de experimentar suas sensações”, afirmaram.

Esse tipo de situação não acontece apenas no caso da música. As pessoas costumam repelir aquilo que parece diferente ao invés de apreciar a diversidade. Há, porém, diferença entre respeitar a diversidade e fazer as próprias escolhas. Eu respeito os fumantes, mas não admiro a escolha que fazem para suas vidas. Podemos dançar tango e samba, sem problema nenhum, mas precisamos saber que nossas atitudes, nosso estilo, comunicam ao mundo exterior quem somos . Mostramos quem somos através dos nossos comportamentos.

Neste carnaval, pude assistir pela televisão alguns momentos das escolas de samba. Sem dúvida alguma o carnaval é um acontecimento extremamente emocionante para quem desfila na avenida e uma experiência deliciosa para aqueles que pulam e cantam nas arquibancadas. Assistir pela televisão também é bom, mas dá a sensação de que se perdeu uma oportunidade impar de alegria intensa e deliciosa adrenalina ao sentir o som da bateria tremendo sob seus pés.

Uma história me chamou atenção em particular. Os repórteres entrevistaram, em São Paulo, um grupo de mulheres, policiais militares, que compunham os integrantes de uma escola de samba. Eram mulheres lindas, bem maquiadas, exuberantes em sua alegria e descontração. Ao mostrá-las em vídeo, no exercício das atividades do dia a dia profissional, pudemos vê-las com ar bem sério, em seus uniformes, uma delas atuando como capitã de um grupo de policiais homens.

Quero chegar a um ponto específico. Apesar de serem mulheres lindas, de corpos bem delineados, usando batons de cores fortes e apresentando habilidade para sambar, elas estavam usando uma fantasia sensual, mas sem exageros. Nada de corpos nus com apelo de intensa sexualidade.

O mesmo exemplo foi dado em outra reportagem com duas mulheres advogadas, que estavam se divertindo demais na folia. Uma delas disse que ali ela não estava diante de um tribunal, atendendo seus clientes. “Eu sei que estou bem diferente com esta fantasia que nada lembra as roupas bem conservadoras e os cabelos presos que uso quando vou ao Fórum”. A fantasia que usava era também sensual, mas bem comportada.

Este exemplo das mulheres policiais ou das advogadas, lindas e sensuais na avenida, confirmou minha tese de que o equilíbrio deve estar presente em todos os momentos, em nossas escolhas. Penso que há certo exagero por parte de algumas mulheres, com seus corpos ultra sarados, formatados por plásticas bem feitas, e fantasias escandalosas. Nelas eu reconheço a volta da antiga ideia da mulher objeto, estereótipo do qual o feminino não se orgulha.

A exposição demasiada, na época do carnaval, deixa para a mulher, que luta pela equidade de gênero, um resultado mais negativo do que positivo. Parece provocar nos homens o velho paradigma de caçador em busca da caça e ainda acaba influenciando a intenção de grande divertimento sexual nos turistas estrangeiros que vêm ao Brasil nessa época.

Quero dar os parabéns às policiais e advogadas e tantas outras mulheres que deixaram os uniformes de trabalho no guarda roupa, que colocaram de lado o estresse da rotina profissional para dançarem, se divertirem e mostrarem ao mundo e a si mesmas que não é preciso viver dentro de um casulo conceitual para dar provas de sua força pessoal e equilíbrio. A auto-confiança da mulher que sabe o que quer, onde quer chegar, que tem certeza de ser uma guerreira, promove os avanços do feminino em todas as esferas da sociedade e permite, facilmente, que ela use sua fantasia e mostre como aprecia os distintos ritmos da vida.
 

Sobre o Colunista

Marlene Ortega - marlene.ortega@ig.com.br - é pós-graduada em administração pela FGV-EAESP, diretora da Universo Qualidade e Presidente do Business Professional Women de São Paulo.

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    3 Comentários |

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    • Ppaty | 02/03/2010 17:23

      Concerteza!
      Porém tm mulheres que desfilam semi-nuas e não estão nem ai o que pensam a respeito delas.
      E nessa sociedade, que disfarça mas é, machista acaba genezalizando.
      Isso não parte apenas dos homens mas tb das mulheres que ñ colaboram e se deixar ser tratadas como um pobre objeto sexual..

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    • Rosângela | 28/02/2010 13:04

      Olaaaaaaa!!!!!!!!
      Amei a matéria sobre as mulheres. Concordo com voce que não se deixa de ser profissional no dia a dia, só por curtir o carnaval ou outro tipo de evento. Porque vale tudo para ser feliz, lógico com limites. E acho que nós brasileiros temos que lutar contra esses estrangeiros que vem ao Brazil so para ver e usar as mulheres e ainda saindo falando das mulheres brasileiras como se fossemos objetos que vc compra usa e joga no lixo quando quer. Acho que o erro maior é das agencias de turismo que colocam em cartaz as fotos de mulheres na praia para incentivar os homens estrangeiros a vim para o brazil.

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    • Marina | 27/02/2010 00:08

      Concordo com voce, Marlene. Mas, infelizmente, o que sobressai e a imagem da mulher vulgar. Nosso pais e ainda muito machista e as mulheres reforcam essa cultura, aceitando fazerem o papel de bibelos...uma cultura extremamente superficial. O desfile de carnaval e simplesmente lindo, no entanto, ate incomoda o excesso de espaco que se da as mulheres que estao dispostas a se expor exageradamente, da a impressao de que so homens assistem TV e tudo deve ser mostrado para o prazer deles. Todo ano, a mesma coisa: elas estao la, seminuas, celebrando a exacerbada vaidade e colocando pedras no caminho das que lutam pra acabar com a supremacia masculina.

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