Polêmica sobre comercial de cerveja estrelado por Paris Hilton divide opiniões

Paris em cena da propaganda proibida
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Paris em cena da propaganda proibida
Depois de ter dois vídeos proibidos pelo Conar, a campanha da Devassa, cerveja da Schincariol, voltou ao ar anteontem , com uma tarja preta e um ar de humor sobre a própria polêmica. O Conar (Conselho de Autorregulação Publicitária) decidiu proibir os anúncios veiculados na TV por conta de seu apelo sensual. Estrelados pela socialite Paris Hilton, o comercial original mostrava um homem observando a herdeira em um prédio de Copacabana, enquanto ela se diverte com uma lata de cerveja na mão.

 O Conar determinou a proibição após estudar quatro processos. O primeiro foi aberto a pedido de "algumas dezenas de consumidores", segundo a assessoria do órgão, que consideraram a propaganda apelativa.

O segundo, encaminhado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, mirou apenas no site da campanha, considerando que ele denegria a imagem feminina. Um terceiro foi aberto por uma cervejaria concorrente da Schincariol e o próprio Conar assina o quarto deles, específico sobre uma promoção vinculada à campanha que premia o vencedor com R$ 3 mil para serem consumidos em cerveja.

Para o órgão, o prêmio estimula o consumo em excesso, o que é proibido pelas Normas Éticas de Publicidade de Bebidas Alcoólicas - assim como a abordagem sensual nas campanhas de bebidas alcoólicas.

nullExagero ou cumprimento da norma?

A proibição causou polêmica e foi tida como incoerente para um país conhecido por exportar uma imagem de sensualidade liberal.

"É uma hipocrisia", diz Augusto Cruz Neto, sócio-presidente da Mood, agência responsável pela campanha - que também incluiu, além dos comerciais de televisão, uma ação de marketing pela internet envolvendo site e redes sociais. "Construímos a campanha consultando advogados, seguindo todas as leis. Ficamos surpresos".

Dulcília Buitoni, autora do livro “Mulher de Papel – A Representação da Mulher pela Imprensa Feminina Brasileira” (Summus editorial), achou o vídeo "menos apelativo do que boa parte do conteúdo de programas de humor veiculados na TV" - embora a regulamentação destes programas não seja de responsabilidade do Conar. "Claro que há um apelo erótico ali, mas na segunda parte, em que as pessoas na rua participam e erguem um brinde, a propaganda ganha um ar mais voltado à celebração", opina.

Rubens Kignel, psicoterapeuta e doutor em Comunicação e Semiótica pela Universidade de Bologna, encara de outra forma. "O problema aqui é juntar o corpo de uma mulher ao consumo de álcool. De uma certa forma, isso vulgariza a mulher e estimula a venda de álcool, que é um problema grave no país", diz ele, para quem a proibição do Conar procede. "No vídeo, é muito evidente a sensualidade associada ao consumo, não há como negar. Esse foi o objetivo: vender a cerveja 'colada' na sensualidade do corpo de Paris".

Procurada pelo iG, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - já acusada de censora por parte da mídia - não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

null Repercussão internacional

Em seu Twitter, Paris Hilton desprezou as declarações da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que considerou que o site da campanha desvaloriza a imagem feminina. "Eles estão falando sério? Isso é ridículo", postou a estrela do comercial.

Agências de notícias como a Associated Press reportaram a proibição do anúncio destacando o aparente contrasenso entre a cultura brasileira, vista como liberal, observando que "muitos comerciais brasileiros mostram mulheres de biquíni".

O Conar reitera que o problema não foi a roupa de Paris Hilton, mas o contexto do comercial. Uma propaganda de bloqueador solar com uma mulher de biquíni modesto, andando pela praia de mãos dadas com o filho, dificilmente pode ser comparada às caras e bocas da pouco discreta Paris Hilton e sua lata de cerveja - ainda que ela esteja vestida.

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